Pesquisadores americanos desenvolvem camisinha feminina em gel

da BBC Brasil
Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo uma ‘camisinha molecular’ para mulheres em forma de gel para proteger contra a infecção pelo vírus HIV, causador da Aids.
Segundo os cientistas que participam do projeto, a camisinha em gel seria aplicada na vagina antes da relação sexual.
Ao entrar em contato com o esperma, o gel liberaria uma substância antiviral que atacaria o HIV e formaria uma rede que impediria a passagem do vírus.
Em um estudo publicado na revista científica “Advanced Functional Materials”, os cientistas testaram o material em células vaginais humanas e comprovaram que ele bloqueia a passagem das partículas de HIV.
A equipe de pesquisadores vem trabalhando no desenvolvimento da camisinha feminina em gel há vários anos.
Segundo Patrick Kiser, que coordena a pesquisa, o gel seria particularmente útil para os países africanos, onde o uso de preservativos tradicionais é relativamente baixo.
Primeira versão
A equipe de pesquisadores havia desenvolvido em 2006 uma primeira versão do gel, que se transformava em uma capa gelatinosa ao entrar em contato com a pele e voltava ao estado líquido ao entrar em contato com o sêmen.
Porém o maior problema que encontraram para essa primeira versão era que na África, continente onde estão os países com os maiores índices de contaminação pelo HIV, as altas temperaturas impediam que o gel voltasse ao estado líquido.
Para corrigir isso, o que eles fizeram foi gerar um processo exatamente oposto: por meio de mudanças na composição química relacionadas ao Ph (o índice de acidez ou alcalinidade) do esperma, o novo gel fica mais sólido em vez de mais líquido.
“Nossa pesquisa não põe ênfase no remédio, mas sim no veículo usado para transportá-lo”, afirma Kiser.
A equipe de cientistas estima que ainda serão necessários vários anos de testes para que o produto possa estar disponível para uso generalizado.
Tendência
O projeto da Universidade de Utah faz parte de uma tendência internacional de investigar e desenvolver sistemas de liberação de substâncias microbicidas como géis, anéis, esponjas e cremes para prevenir infecções pelo vírus da Aids ou por outras doenças sexualmente transmissíveis.
Esses sistemas são vistos como uma forma de que as mulheres tenham um maior poder de se proteger a si mesmas do HIV, particularmente em regiões onde o índice de contaminação seja alto, onde haja um grande número de estupros, onde os preservativos tradicionais sejam um tabu ou não estejam disponíveis ou onde os homens sejam reticentes a usá-los.

 

Meninas, é bom estarmos atentas a essas notícias (que nos interessam e MUITO!), não só pra acompanharmos o que sai dessas pesquisas, mas também para sermos críticas. Reparem que não é mencionado o uso por mulheres lésbicas e para outras prevenções além de AIDS, mas sim pra prevenção de mulheres que fazem sexo com homens. Atenção! temos que reivindicar produtos que nos incluem, mas claro com o tempo porque a pesquisa ainda está em desenvolvimento…

ABSURDO: Afeganistão aprova lei que permite punir mulher que se recusa a fazer sexo

A candidata a presidente do Afeganistão, Furozan Fana, criticou a lei aprovada pelo Parlamento daquele país que permite homens a negar comida e abrigo às mulheres que não quiserem satisfazê-los sexualmente. A reportagem é do jornalista Igor Gielow, do jornal Folha de S. Paulo

Texto completo da notícia em:
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1703983/afeganistao-aprova-lei-que-permite-punir-mulher-que-se-recusa-a-fazer-sexo

Repudiamos uma legislação dessas… Onde estão os Direitos Humanos das Mulheres? Ainda bem que tem uma mulher no pdoer lá que pode fazer frente a isso. E daqui,idéias de como podemos ajudar, sapateiras?

Bordéis com sexo ilimitado a preço único causam polêmica na Alemanha

Marcio Damasceno de Berlim para a BBC Brasil

Um novo modelo de bordel, em que clientes podem ter sexo à vontade por um único preço, está provocando protestos na Alemanha, país onde a prostituição é um negócio legalizado.

Após se tornarem populares com a recente crise econômica, esses estabelecimentos são acusados de atentar contra a dignidade humana por políticos e ativistas dos direitos humanos. Políticos conservadores querem proibir os prostíbulos.

Em uma grande operação realizada no domingo, cerca de 700 policiais inspecionaram casas do gênero em quatro cidades alemãs, prendendo 10 pessoas.

A blitz foi desencadeada por suspeitas de que os estabelecimentos empregam prostitutas estrangeiras sem permissão de trabalho e sonegam contribuição à previdência social.

Dois estabelecimentos foram fechados por apresentarem condições sanitárias precárias. Em apenas um deles a polícia encontrou um caso com indícios de prostituição forçada.

Serviços ilimitados

A cadeia de bordéis Pussy Club, inaugurada em junho, provocou críticas em Fellbach e Heidelberg, no sul da Alemanha, ao atrair clientes para as filiais nessas cidades com o slogan “sexo com todas as mulheres, quanto e como você quiser”.

Os locais prometem “serviços ilimitados”, incluindo sexo em grupo, pelo ingresso de 70 euros (cerca de R$ 187).

A propaganda irritou o secretário de Justiça do Estado de Baden-Württemberg, Ulrich Goll. “Se levarmos o anúncio a sério, podemos concluir que há uma violação da dignidade humana das prostitutas que lá trabalham”, disse.

Entidades de direitos humanos e representantes da Igreja também criticam a oferta. Uma associação de cidadãos da região reivindica o fechamento desse tipo de prostíbulo em carta enviada a diversas autoridades, incluindo a chanceler Angela Merkel.

Fonte: BBC Brasil

DECLARACIÓN CLACAI

El Consorcio Latinoamericano contra el Aborto Inseguro convocó a la Primera Conferencia Latinoamericana “Prevención y Atención del Aborto Inseguro”, realizada en Lima, Perú, el 29 y 30 de junio del 2009, en la que participó un amplio grupo de prestadores y prestadoras de servicios de salud, investigadores, funcionarios de Ministerios de Salud, juristas y activistas por la defensa de los derechos reproductivos, incluyendo el acceso de lãs mujeres al aborto legal y seguro.
La Conferencia incluyó una actualización de la situación de esta problemática y un rico
intercambio de experiencias desde una perspectiva interdisciplinaria que permitieron un
diagnóstico colectivo alarmante, pues a pesar de avances significativos en algunos países como Colombia y México; el impulso de los fundamentalismos liderados por la jerarquía de la Iglesia Católica, sigue teniendo en el resto de la región expresiones dramáticas como lãs que se han dado en Nicaragua y en la República Dominicana.
Constatamos la vigencia del aborto inseguro como una realidad que afecta la vida y la salud de las mujeres de la región: el 11% de la mortalidad materna está asociada con la práctica del aborto inseguro (OMS 2006). También surge de este diagnóstico colectivo la evidencia de que un número muy alto de mujeres, especialmente las más jóvenes, pobres y marginadas, sufre afectaciones severas a su salud, derivadas de las complicaciones de abortos practicados en condiciones de inseguridad.
De la misma manera, las altas tasas de complicaciones derivadas de los abortos inseguros constituyen una carga presupuestaria excesiva para los sistemas de salud pública que podría ser utilizada para prevenir y atender problemas vitales para la salud integral de lãs mujeres.
Ante esta situación el plenario de esta reunión declara la necesidad de exigir a los Estados:
 
1) Garantizar el respeto al Estado laico como base fundamental de la democracia
2) Cumplir con los compromisos y obligaciones legales adquiridas mediante la firma de acuerdos y tratados internacionales de derechos humanos, mismos que son vinculantes para los Estados Nacionales
3) Cumplir con las recomendaciones de la Conferencia Internacional de Población y Desarrollo (El Cairo, 1994), que establecen que más allá de la situación legal de cada país, las mujeres con embarazos no deseados tienen derecho a un asesoramiento técnico y humano
4) Garantizar el acceso de las mujeres a todas las tecnologías modernas y medicamentos
esenciales recomendados por la Organización Mundial de la Salud, en todos los
servicios de salud sexual y reproductiva, incluyendo la interrupción legal del
embarazo
5) Fortalecer la oferta, acompañada de información objetiva y veraz, de la más amplia
gama de métodos anticonceptivos, incluyendo la anticoncepción de emergencia, así
como la atención post-aborto, poniendo al alcance de las mujeres los procedimientos
más seguros tales como la aspiración manual endouterina (AMEU) en todos los niveles de complejidad de los sistemas sanitarios.
6) Dar cumplimiento a las recomendaciones de la Federación Internacional de Ginecología y Obstetricia, FIGO, en relación a la incorporación del misoprostol para uso obstétrico en los sistemas sanitarios de los países, debido a su contribución a la  reducción de la morbimortalidad materna.
7) Dar cumplimiento y vigilar que se cumplan leyes, normas y guías existentes que permiten la interrupción del embarazo por diversas causas
8) Asignar los recursos necesarios para fortalecer y ampliar los servicios para la
interrupción del embarazo en las causales permitidas
9) En los casos en los que ha habido retrocesos legislativos, exigir la revisión de las
leyes que permitan salvar y respetar la vida y la salud de las mujeres
Así mismo las y los participantes de esta conferencia, deseamos reconocer:
1. El fuerte compromiso mostrado por los profesionales de la salud que han sido
líderes de iniciativas y consecuentes con su deber de respetar y garantizar los
derechos sexuales y reproductivos de las personas; así mismo hacer un llamado
al resto de la comunidad de profesionales de la salud a asumir su responsabilidad
y sumarse a estas iniciativas
2. Los esfuerzos de la comunidad científica, que ha jugado un papel fundamental
en la recolección de evidencia para sustentar los cambios positivos en las leyes; e
instar a estos profesionales a que continúen desarrollando esfuerzos para llenar
la brecha de información necesaria para seguir avanzando en estos câmbios.
3. El compromiso de activistas por la defensa de los derechos humanos de las
mujeres, cuya contribución al monitoreo y control social de las políticas públicas
ha sido esencial para asegurar que más mujeres tengan acceso a la información sobre el derecho que tienen a la libertad reproductiva.
De la misma manera convocamos a la sociedad civil a tomar la responsabilidad de informarse y exigir el respeto a sus derechos humanos, específicamente sus derechos
sexuales y reproductivos.
Finalmente, llamamos a la comunidad internacional a movilizarse para frenar y exigir
justicia como lo establece la ley, conductas fundamentalistas de quienes bajo una supuesta defensa de la vida, promueven la violencia al punto de asesinar en los Estados Unidos al doctor George Tiller, un médico comprometido, que salvó la vida de muchas mujeres.
Esta Conferencia permitió que activistas, prestadores de servicios de salud, investigadores e investigadoras, juristas y funcionarios de Ministerios de Salud convocados por el Consorcio Latinoamericano contra el Aborto Inseguro, CLACAI, reafirmáramos nuestro compromiso con la vida y la salud de las mujeres de América Latina.
Lima, Perú, 30 de junio de 2009
Consorcio Latinoamericano Contra el
Aborto Inseguro CLACAI
 
Comité Derechos Sexuales y
Reproductivos FLASOG
 
Organizaciones que se adhieren
Asociación Apóyame, Guatemala
Asociación Civil de Mujeres Apoyame, Guatemala
Asociación Demográfica Costarricense, Costa Rica
Asociación Familia Sana, Cajamarca Perú
Asociación de Ginecología y Obstetricia, Guatemala
Asociación Mujer Sana, Cusco, Perú
Asociación de Mujer y Salud,
Asociación Mujeres en Solidaridad (AMES), Costa Rica
Asociación de Mujeres Médicas, Guatemala
AMES, Guatemala
AMNLDE, Nicaragua
Asociación Peruana Mujer y Familia, Perú
Asociación Promoción y Desarrollo de la Mujer, PRODEMU, Perú
Asociación Peruana Mujer y Familia, Perú
Ayni Desarrollo, Perú
Católicas por el Derecho a Decidir, México
Casa Ames Costa Rica
Casa de la Mujer Mercedes Rosales. Nicaragua
CEDES, Argentina
Centro de Atención Integral para la Pareja, México
CEIBA, Guatemala
Centro de Atención en Salud, Vermell, Lima Perú
Centro Ideas, Perú
Centro de la Mujer Peruana Flora Tristán, Perú
Centro de Promoción la Mujer Micaela Bastidas, La Libertad, Perú
Centro de Promoción y Defensa de los Derechos Sexuales y Reproductivos, PROMSEX,
Peru
Colectiva por el Derecho a Decidir, Costa Rica
Colegio de Obstetras, Piura, Peru
Centro de Investigación Epidemiológica en Salud Sexual y Reproductiva, Guatemala
Colectiva por el Derecho a Decidir, Costa Rica
Colectiva Mujer y Salud, Republica Dominicana
Comisión de Ciudadanía y Reproducción, Brasil
Colegio Regional de Obstetras XII-Tacna, Perú
Community Health Care, USA
Coordinación Nacional de Obstetras del Sector Privado e Independiente, Perú
Cotidiano Mujer
Family Care International, Ecuador
Federación Brasileña de Ginecología y Obstetricia, FRBRASGO, Brasil
Fundación Desafio, Ecuador
Federación Latinoamericana de Sociedades de Obstetricia y Ginecología
Fundación Oriéntame – ESAR
Fundación ESAR Bolivia
Fundación ESAR, Colombia
Fundación ESAR Ecuador
Fundación ESAR, México
Fundacion Esar, Peru
Fundación de Mujeres Luna Creciente, Ecuador
Foro Salud Ucayali, Perú
Foro Salud, Macroregión Sur, Perú
Foro Salud Regional, Piura, Perú
Foro Regional por los Derechos Sexuales y Reproductivos, Arequipa Perú
Fundación Méxicana para la Planeación Familiar, AC, México
Grupo de Información en Reproducción Elegida (GIRE), México
Gynuity Health Project, USA
Humanidad Libre, Arequipa Peru
Ibis Reproductive Health, USA
International Women’s Health Coalition
Iniciativas Sanitarias, Uruguay
Instituto de Paternidad Responsable INNPARES, Perú
IPAS
IPAS, Bolivia
IPAS Centro América
IPAS México
IPPF/WHR
Manos Abiertas, Guatemala
Medisol, Perú
Movimiento Manuela Ramos, Perú
Mujeres al Oeste, Argentina
Pathfinder International Perú
PLAFAM, Venezuela
PIAFAM
Planned Parenthood; USA
PROFAMILIA, Nicaragua
Red Latinoamericana de Católicas por el Derecho a Decidir
Red Legal Constitucionarias de Derechos Sexuales y Reproductivos
Red de Salud Latinoamericana
Reproductive Health Matters
RUDA, Uruguay
Sociedad Peruana de Obstetricia y Ginecología, Filial Arequipa, Perú
Surbumi, Foro Salud la Libertad, Perú
UNIFES P, Brasil
Wiñay, Bolívia
Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – Brasil

Ativistas dizem que Papa está equivocado ao falar que preservativos agravam epidemia da Aids

Ratzinger, o Papa equivocado19/03/2009 – 13h45

Um dos dogmas da Igreja Católica prega que o Papa é infalível. Ou seja, que o pontífice nunca se engana. Alguns ativistas do movimento de luta contra a Aids no Brasil discordaram, na manhã desta quinta-feira (19/03), explicitamente desse preceito. Para eles, o Papa Bento XVI errou ao dizer que a camisinha agrava a epidemia provocada pelo vírus HIV. “A Aids é uma tragédia que não pode ser resolvida apenas com dinheiro, que não pode ser resolvida com a distribuição de preservativos, que inclusive agrava os problemas”, declarou o pontífice na última terça-feira (17/03), no início da sua viagem pela África, o continente mais afetado pela Aids (saiba mais). “É uma declaração bem equivocada”, avaliou Rodrigo de Souza Pinheiro, presidente do Fórum de ONG/Aids de São Paulo. Na opinião de Marco Aurélio Silva, integrante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+), o Papa, ex-cardeal Joseph Ratzinger, está “totalmente equivocado.”

Embora tenham manifestado indignação com as palavras do Papa Bento XVI, nem todos os ativistas do movimento de combate ao HIV se surpreenderam com a fala do pontífice. “É o posicionamento da Igreja Católica. Mais uma vez é um posicionamento equivocado”, disse Rodrigo de Souza Pinheiro. “A gente não podia esperar outra coisa deles”, acrescentou o presidente do Fórum Paulista de ONG/Aids.

“É um desserviço”, considera Marta McBritton, presidente do Instituto Cultural Barong. “Cientificamente não há dúvida sobre a eficácia do preservativo”, ponderou.< Para ela, a “terrível” declaração do Papa merece “uma reação imediata”. Marta disse que o momento pede uma manifestação de repúdio e chegou a sugerir um protesto na frente da Catedral da Sé de São Paulo. No ato, os ativistas iriam distribuir camisinhas.

“A gente vê com preocupação isso”, admite Marco Aurélio Silva, referindo-se à fala do Papa. Ele também entende que o Vaticano se afasta cada vez mais do cidadão comum. O ativista acredita que mesmo entre aqueles que se consideram católicos, há muita gente que não segue a orientação papal de não utilizar a camisinha em relações sexuais.

“O Papa está fazendo o papel dele em relação à doutrina pragmática da Igreja Católica. No Brasil, a fala dele não representou nenhum impacto, porque desde que surgiu a Aids sempre falamos abertamente sobre o uso de preservativos”, diz Sônia Correia, pesquisadora associada da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids. “Se fizermos uma pesquisa, vamos comprovar que o brasileiro considera absurda a posição do Papa”, continua Sônia. “Mas nos países em que não há um discurso aberto sobre uso da camisinha isso deve representar um impacto maior.”

Alessandra Nilo, ex-presidente da ONG Gestos (Soropositividade, Comunicação & Gênero) se diz preocupada com o que chama de falta de responsabilidade do Papa. “Fico pensando o que essa fala pode causar na vida das pessoas que não têm informações e são católicas dogmáticas como ele.”

Ela conta que na África há grupos organizando manifestações contra as declarações do Papa. “Ele está andando de costas para o progresso da ciência e para a própria sociedade. Hoje existem organizações cristãs que apoiam e incentivam o uso do preservativo.”

Alessandra chama a atenção para o fato de a declaração ter sido feita pelo Papa logo após a excomunhão dos médicos que fizeram o aborto da menina de nove anos, estuprada pelo padrasto e que ficou grávida de gêmeos no Brasil. “Isso mostra que a igreja fecha os olhos para a sociedade.”

Léo Nogueira

Derrotas de Março

Panorama Econômico – Míriam Leitão – O GLOBO (29.3.09)

Antes que março acabe, eu queria dizer o que me derrota. A Itália descobriu um caso repugnante de estupro sequencial de pai e filho contra a mesma mulher, filha e irmã dos dois. A Áustria encarcerou o monstro que manteve a filha no porão, prisioneira de estupros contínuos. Aqui, a discussão da menina que em Recife foi estuprada e engravidou do padrasto ficou em torno da decisão medieval do bispo.

Estes são apenas casos de março, outros surgiram: o da menina de 13 anos, no Brasil, que, grávida do pai – por quem passou a ser violentada a partir da morte da mãe -, decidiu ter o filho. Cada um dos dramas é tão vasto.

Penso nestas meninas e mulheres e na antiguidade da sua pena. Condenadas, antes de nascer, pelo mais intratável dos lados da opressão à mulher: o suplício sexual.

Melhor seria escrever uma coluna racional, com os dados que provam a exclusão da mulher do poder no mundo, ou da sua discriminação no mercado de trabalho, ou do preconceito embutido nas propagandas. Seria menos doloroso. Há pesquisas novas, interessantes. Com os dados, eu provaria que a mulher avançou nos últimos anos, e que a sociedade equânime ainda está distante. Falar desse aspecto do problema seria até um alívio.

Mas o que tem me afligido são esses casos espantosamente cruéis que acontecem em países diferentes, classes sociais diferentes, religiões diferentes.

A vítima é sempre a mulher. A sharia, que voltou a ser código aceito em todo o Paquistão, condena a mulher a receber a pena no lugar de alguém da família que tenha cometido um delito. Normalmente, a pena é estupro público e coletivo. Foi assim com a notável Mukhtar Mai, a paquistanesa que venceu seus estupradores em uma luta desigual e heroica na Justiça comum.

No livro “A desonrada”, ela contou seu suplício e sua vitória. Eu poderia fingir que não sei das estatísticas da violência contra a mulher, e pensar que cada caso é apenas mais um louco em sua loucura, pegando uma vítima aleatória. Melhor ainda, poderia fugir completamente do tema. Afinal, esta é uma coluna de economia e as pautas e assuntos são inúmeros. A nova regulamentação do mercado financeiro americano para prevenir crises como a atual; ou o desequilíbrio econômico e financeiro dos países do Leste da Europa; ou ainda o risco de déficit em conta corrente nos países exportadores de commodities metálicas.

Assuntos áridos, fáceis. Qualquer um deles permitiria que esta coluna fosse para longe do horror imposto às mulheres por pais, padrastos, irmãos, namorados, ex-namorados, maridos, ex-maridos.

Em qualquer um desses temas eu teria muito a dizer, mas o que dizer da morte da jovem Ana Claudia, de 18 anos, esfaqueada no pescoço pelo pai do seu filho, de quem tinha se afastado, saindo da Bahia para São Paulo, para fugir dos maus-tratos frequentes? Ou Eloá, a menina de 15 anos morta pelo ex-namorado, depois de sofrer por dias, em frente a uma polícia equivocada? Na época do caso, o comandante da operação, o coronel Eduardo Félix de Oliveira, definiu Lindemberg Alves, o assassino de Eloá, como um “garoto em crise amorosa”. Era um algoz que espancou e matou sua vítima.

O abuso de crianças não escolhe sexo. A pedofilia faz vítimas entre meninos e meninas, e em ambos é igualmente abjeta e inaceitável.

Mas a frequência, a crueldade, a persistência dos ataques às meninas mostram que o crime é parte de um outro fenômeno mais antigo: o da violência contra mulheres de qualquer idade.

As leis que mantêm a desigualdade em inúmeros países, com o argumento de que essa é a cultura local, o alijamento da mulher das estruturas de poder, a recorrência de casos em que ex-namorados ou maridos matam para provar que ainda têm poder sobre suas vítimas são alguns dos vários lados de uma velha distorção.

Como estão enganadas as mulheres que, por terem tido algum sucesso em suas carreiras, acham que a questão da condição feminina, a velha questão feminista, está ultrapassada. Apenas começou o trabalho de construir um mundo de respeito. Mas se é fácil discutir políticas públicas para vencer o poderoso inimigo da desigualdade, é paralisante o tema dessa vasta violência praticada em todos os países, em todas as culturas, em tantas casas contra meninas e mulheres que não conseguem se defender.

É espantoso o caso da mulher italiana, de 34 anos, vítima desde os nove anos de idade dos estupros do pai e depois do irmão, que também estuprou suas próprias filhas. Ela chegou a ir à polícia há 15 anos, mas não foi levada a sério. Hoje tem problemas psicológicos.

Como não ter? Pode-se encarcerar cada um dos estupradores e condená-los. Eles merecem toda a punição que a lei de cada país comportar. Mas é preciso ver o horizonte: os casos são frequentes demais, as estatísticas são fortes demais, para que sejam apenas aberrações eventuais.

Março tem um dia, o oitavo, que é “da mulher”. Não pela efeméride, mas por envolvimento com o tema, eu costumo aproveitar a data para analisar, neste espaço, algum aspecto da discriminação contra a mulher. Mas, este ano, a imagem da pequena e frágil menina de Recife me derrotou.

Tenho tido medo que nunca acabe o sofrimento das pessoas que integram a parte da Humanidade à qual pertenço. Fico, a cada novo caso, como os muitos deste março, um pouco mais derrotada.

Foto de Ratzinger usada para estampar camisinhas

Do Estado de São Paulo, 25/3/2009

O Pontíficie rejeitou o uso da camisinha para combater a Aids em declarações dadas durante sua recente viagem à África

bento xvi

Em Paris, uma empresa fabricou preservativos cujas embalagens trazem impressa a imagem do papa Bento XVI e a frase “eu disse não!”. Os produtos foram confeccionados para criticar a postura do Pontífice de rejeitar o uso da camisinha para combater a Aids em declarações dadas durante sua recente viagem à África.

No último dia 17, em vista a Yaoundé, Bento XVI afirmou que a doença não pode ser combatida somente com dinheiro – apesar de ter destacado que os investimentos para lutar contra a Aids são necessários -, nem “com a distribuição de preservativos, que, ao contrário, aumentam o problema”.

Com Agências internacionais

NOTA PÚBLICA ABONG SOBRE A “CPI DO ABORTO”

NOTA PÚBLICA ABONG SOBRE A “CPI DO ABORTO”

Terça-feira, 16 de dezembro de 2008
A ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais vem a público manifestar sua indignação com as articulações em curso no Congresso Nacional para a instauração do que vem sendo chamado de “CPI do Aborto”.

A possibilidade de instauração de tal comissão reflete e reforça os setores mais conservadores da sociedade brasileira que historicamente têm feito dos processos de criminalização das pessoas e movimentos sociais a forma de eliminar de modo violento os conflitos e as diferenças que são constituintes das sociedades que se pretendem democráticas.

A CPI do aborto não tem outra intenção que não criminalizar as mulheres, silenciá-las, retirá-lhes a liberdade de decidir sobre seu corpo e sua vida em nome de uma lei que não é divina – dado que vivemos no Estado que por princípio é laico -, nem eterna. Uma lei que é resultado de uma sociedade patriarcal e profundamente injusta e desigual para com as mulheres. Uma lei, portanto, que precisa urgentemente ser modificada e não invocada como instrumento de perseguição e acusação.

Assim sendo, é urgente que todos os segmentos da sociedade brasileira, movimentos sociais, organizações e em especial os partidos políticos que têm compromisso com a democracia, a justiça, a igualdade e os direitos das mulheres se mobilizem para impedir a instauração desta CPI.

Por fim, a ABONG se alia e solidariza com as mulheres e suas organizações e movimentos na defesa do direito de decidir sobre o seu corpo e sua história, afirmando não só a ilegitimidade desta CPI como de todas as leis que as oprimem e exploram.

ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais
Rua General Jardim, 660, 7º andar
(11) 3237-2122
www.abong.org.br

1.200 mulheres que estão processadas!? Violação explícita aos direitos humanos! Vamos à luta!

hemo

Como sabem, no ano de comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e às vésperas da realização da 11ª Conferência de Direitos Humanos, vivemos a intensificação da perseguição e criminalização das mulheres, tendo como exemplo maior o processo envolvendo quase 10 mil mulheres em Campo Grande-MS, pela suposta prática de aborto. Atualmente, são cerca de 1.200 mulheres que estão processadas, tendo suas vidas e intimidades expostas. Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, acaba de assinar a criação de uma CPI do aborto na Câmara dos Deputados, que só reforça e legitima a estratégia de criminalização e perseguição às mulheres. Mais do que nunca, precisamos denunciar a violação explícita aos direitos humanos das mulheres no âmbito da Conferência e para a sociedade. Os direitos das mulheres são direitos humanos!

Movimentos de mulheres do DF convidam para enfrentar esta causa!
Agenda dos próximos dias

Dia 13/12 – Oficina preparatória
Nesse sentido, ficou decidido que faremos uma oficina preparatória para nosso ato no próximo sábado, dia 13/12, às 11 horas, no CAL – Casa de Cultura da América Latina (Setor Comercial Sul Quadra 4 Bl A Ed. Anápolis)

Para a oficina, combinamos de levar lanchinhos, sucos e refris e materiais como cartolina, TNT, tinta, pincéis, grampeadores. Além disso, levem frases provocadoras para construirmos nossos cartazes.

Dia 15/12 – Reunião antes do ato
Para combinarmos os últimos ajustes e articularmos com as delegadas de outros Estados e outr@s possíveis aliad@s, faremos uma reunião no dia 15/12 à noite (por volta das 19 hs) no espaço da Conferência (Centro de Convenções Ulisses Guimarães).

Dia 16/12 – Ato
Analisando a programação da Conferência, decidimos que o melhor dia para o ato seria o dia 16/12 (terça-feira) por volta das 11 hs.

Aguardamos todas nessas atividades!