Vida melhor está associada a “valores”, indica pesquisa

Mais de 500 mil brasileiros participaram de pesquisa que coletou respostas para pergunta aberta sobre a “receita” para uma vida melhor. Respeito, responsabilidade e justiça foram mais citadas que educação e saúde
Por Repórter Brasil
O que deve mudar no Brasil para sua vida melhorar de verdade? Mais de 500 mil brasileiros responderam a essa pergunta e o resultado surpreendeu os organizadores da pesquisa Brasil Ponto a Ponto, promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para a escolha do tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil.

Respeito, honestidade, responsabilidade, justiça, ausência de preconceito, paz e consciência foram mais vezes mencionados nas respostas do que questões como educação, segurança, saúde ou emprego. Para o coordenador do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil, Flávio Comim, o resultado só foi possível porque a consulta tinha uma pergunta aberta, que permite que as pessoas escrevam a resposta que quiserem.

Segundo ele, é a primeira vez que uma pesquisa desse tipo é feita com questão aberta. A iniciativa é inédita – em nenhum outro lugar do mundo, o tema do relatório nacional feito pelo Pnud foi decidido dessa forma.

“As respostas abertas permitiram que as pessoas falassem o que quisessem. Não só o que deveria mudar para suas vidas mudarem, mas também os comos e os porquês das mudanças”, salienta Flávio Comim. Para ele, isso “nos leva a um conceito novo de valores de vida: nem só morais ou éticos, nem só financeiros, são os valores praticados no dia-a-dia”.

Os resultados dos levantamento que ouviu um contingente expressivo de jovens enfatiza a importância que a população brasileira dá, em termos de “valores”, ao comportamento dos atores sociais, como empresas, perante o conjunto da sociedade. Quanto maior o comprometimento real do setor produtivo com os direitos fundamentais (por meio de ações efetivas contra o trabalho escravo), menor tende a ser a rejeição do grande bloco preocupado com valores.

Dentre as 500 mil pessoas que contribuíram com o projeto Brasil Ponto a Ponto estão moradores dos maiores municípios brasileiros e dos dez com menor índice de desnvolvimento humano (IDH), estudantes dos ensinos fundamental e médio, além de pessoas que deixaram sua resposta registrada no site da campanha, dos clientes das empresas de telefonia, de cosméticos e de quem se manifestou por sites de canais de televisão.

Apesar de a consulta ter alcançado grupos bem diversos, Flávio Comim conta que os principais pontos levantados foram basicamente os mesmos. Educação e violência apareceram com mais frequência entre as questões mais objetivas e devem merecer destaque especial no relatório. Contudo, reivindicações objetivas também apresentaram conexão com o déficit de valores. O coordenador conta que o que mais apareceu em relação à educação não foi uma demanda por mais conteúdo nas escolas, mas uma carência de que o espaço escolar também transmita valores aos alunos.
Sobre a violência, o que mais apareceu foram reclamações sobre a violência contra a pessoa – agressões, violência doméstica – em detrimento da violência contra a propriedade, como roubos e furtos. A conclusão que se tira disso, para Flávio Comim, é de que “o problema é muito maior”. “Significa que a sociedade resolve seus conflitos de forma violenta.”

Terminada a pesquisa, que parou de receber contribuições em 15 de abril e teve os dados computados até meados de junho, o desafio agora é materializar o tema “valores”. O relatório deve ser publicado até o início de 2010 e seu primeiro caderno abordará a experiência da consulta.

Fonte: http://www.brasilpontoaponto.org.br/

Pesquisa mostra que cada médico enfrenta pelo menos seis casos de anencefalia

Ginecologistas e obstetras não sabem como proceder por conta da insegurança jurídica. Assunto está na pauta do STF

Priscilla Borges
Da Secretaria de Comunicação da UnB

Atender uma paciente grávida de feto anencéfalo não é uma situação rara na vida dos médicos. Ao contrário. Pesquisa inédita realizada pela antropóloga Débora Diniz, professora da Universidade de Brasília, mostra que os obstetras recebem em seus consultórios uma média de 6,5 mulheres com esse tipo de gravidez em até 20 anos de carreira.

O estudo ouviu 1.814 ginecologistas e obstetras de todo o país. Juntos, os entrevistados atenderam 9.730 grávidas de fetos anencéfalos. Eles revelaram ainda que a esmagadora maioria dessas mulheres desejava interromper a gestação: 84,8%, que representam 8.251 pacientes. A pesquisa não avaliou se todas solicitaram autorização judicial para abortar o feto. Porém, mostra que apenas 3.602 mulheres obtiveram esse direito na justiça.

A lei brasileira ainda não é clara quanto ao direito de a mãe interromper a gestação em casos de fetos com anencefalia ou outras más-formações incompatíveis com a vida. Nesses casos, as mulheres têm de manter a gestação ou tentar obter uma autorização judicial para realizar o aborto sem o risco de serem punidas criminalmente.

“Isso significa que menos da metade das mulheres que desejavam interromper a gestação de fato o fizeram”, destaca Débora. A ideia dos pesquisadores era avaliar o impacto dessa situação na vida dos médicos do país. “Queríamos conhecer a magnitude da assistência médica a mulheres grávidas de fetos com anencefalia, a partir do depoimento dos médicos. O estudo mostra que é uma experiência comum entre eles”, esclarece.

A pesquisadora defende que o Brasil tenha uma posição jurídica clara sobre o assunto. Uma ação sobre o tema deve ser votada pelo Supremo Tribunal Federal no segundo semestre do ano (leia na lateral). “Com a ação, queremos que as mulheres grávidas de fetos anencéfalos tenham o direito de escolher se querem continuar a gestação ou não. A estabilidade jurídica vai fazer com que muitas não fiquem à mercê do processo e do tempo”, afirma.

METODOLOGIA – O estudo foi realizado em parceria com a Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Ao todo, 1.814 (14,5% dos potenciais participantes) ginecologistas e obstetras responderam a uma enquete eletrônica. O convite para fazer parte do estudo chegou a 12,5 mil médicos registrados na federação.

O que pensam os médicos
“Ninguém pode ser indiferente ao assunto, porque vai enfrentar a situação em algum momento da carreira”, dispara o professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Aníbal Faúndes. O médico, que também coordenou o estudo, diz que não conhecia dados que demonstrassem a frequência do aborto por anencefalia. Ficou surpreso com a quantidade de casos que os colegas relataram.

Aníbal, que coordena um grupo de trabalho sobre prevenção do abortamento inseguro da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, acredita que os médicos serão beneficiados com a definição jurídica. Eles saberão as soluções que poderão oferecer às pacientes – se elas podem (ou não) interromper ou se têm de dar continuidade à gravidez. “É importante uma decisão jurídica. Todos sabem que há mulheres, especialmente as ricas, que vão abortar com ou sem autorização judicial. A mulher pobre é que não tem o mesmo poder de escolha”, critica.

O médico conta que é difícil dar às mães uma notícia como esta. Mas acredita que, como a doença é incompatível com a vida, a decisão de interromper a gestação se torna menos dolorosa. “Em caso de estupro, é mais complicado. A mulher se sente suja, mas sabe que o bebê é sadio”, comenta. “No caso da anencefalia, o aborto acontece no diagnóstico, porque o projeto de ter um filho é interrompido. Os pais vão saber que não há como salvar aquela vida. A expulsão se torna secundária”, defende.

Em Campinas, assim como no Distrito Federal, existe uma parceria com a justiça local para que, caso as mães desejem tirar o feto, possam ter o processo avaliado pelos juízes em até 48 horas. No DF, o prazo é ainda mais curto: 24h. O projeto criado em 1999 pela Promotoria de Justiça Criminal da Defesa dos usuários de Serviços de Saúde (Pró-Vida), do promotor Diaulas Ribeiro, encaminha todas as mães ao Hospital Regional da Asa Sul (HRAS). Lá, os exames são refeitos e o diagnóstico confirmado.

A médica geneticista Beatriz Ribeiro Versiani é a responsável por orientar pais que recebem o diagnóstico de feto anencéfalo na rede pública de saúde do Distrito Federal há sete anos. Para ela, o fato de a anencefalia ser detectada nos primeiros meses de gravidez ajuda os pais a compreenderem o diagnóstico. “É um momento delicado, mas, como a maior parte dos casos surge até o 4º mês, o vínculo com o bebê não é tão forte. Cerca de 70% das mães optam por interromper a gravidez”, conta.

O importante, a partir daí, é oferecer apoio psicológico aos pais, independentemente da decisão de interromper ou não a gravidez. “No hospital temos psicólogos para dar suporte ao casal. È nosso papel esclarecer os riscos de continuar a gestação”, comenta Beatriz. Segundo ela, pelo fato de o bebê não engolir o líquido amniótico, pode haver um acúmulo do material, o que coloca em risco a saúde da mãe.

A geneticista conta que, no HRAS, a média de diagnósticos de anencefalia é de quatro por mês. Avelar de Holanda Barbosa, coordenador de ginecologia e obstetrícia da Secretaria de Saúde, lembra que há outros casos de doenças incompatíveis com a vida. “Sem dúvida, é preciso resolver o problema. Primeiro por causa da paciente, mas também pelos médicos, que vivem um drama também”, reforça Barbosa.

DIFÍCIL DECISÃO

Michele Gomes de Almeida, de 28 anos, se casou há oito em Recife (PE), cidade onde nasceu. Seu grande sonho era ser mãe e, com apenas um ano de casada, decidiu engravidar. Fazendo exames, descobriu que não seria fácil, por conta de um cisto no ovário. Quando finalmente conseguiu, o susto. Em uma ecografia, no quarto mês de gestação, o médico a avisou que o filho tinha hidrocefalia.

Sem acreditar no diagnóstico, Michele decidiu procurar outro médico. “Infelizmente, a decepção foi ainda maior. A anencefalia foi diagnosticada”, conta. Os exames foram encaminhados para um especialista em São Paulo. Ele confirmou a anencefalia. Michele conta que os dias seguintes foram de profundo desespero para toda a família. “Eu não pensava em interromper. Queria uma solução para o meu filho, que era tão amado e querido. Fiz uma peregrinação em vários hospitais”, relembra.

Diante de todas as explicações dos médicos a respeito do risco da gestação e da impossibilidade de a criança sobreviver, Michele optou por interromper a gravidez. À época, a liminar do STF que dava poder de escolha às mães estava vigorando. Foi uma decisão difícil. “Olhava o enxoval no quarto, pensava na minha história, mas não sentia meu filho se mexer. Eu não aguentaria os nove meses”, confessa.

Evangélica, Michele conta que encontrou consolo na religião. “Há tempo para tudo. A vontade é de Deus”, reflete. Com apoio da família e de psicólogos, ela tocou a vida. Tem duas filhas – uma de quatro e outra de um ano –, mas não deixa de pensar no filho que não pôde embalar. “Ele é minha inspiração. Hoje, sou muito feliz”, garante.

Debora Diniz por email d.diniz@anis.org.br

Fonte: http://www.unb.br

Pesquisa mostra que no DF 63% dos alunos e 56% dos professores

08 de Jul de 2009 – 18h49min

Jornal de Brasilia

Reformatórios e mudanças na orientação religiosa tentaram combater o que nenhum viés científico conseguiu. Sem resultado. Foi o espaço necessário para que, em 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CFP)’declarasse que a homossexualidade não era doença, nem desvio, nem pecado. Dez anos depois, a rede de ensino do Distrito Federal ainda luta para vencer os preconceitos que motivaram o início do combate entre sociedade e sexualidade.

Violências simbólicas nas escolas públicas do DF alcançam índices impressionantes, como o espantoso percentual de 63,1% das respostas dos alunos e 56,5% dos professores que confirmaram homofobia. Esse diagnóstico, evidenciado pela Secretaria de Educação do DF (SEDF) com apoio da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla),
assusta os estudantes que se assumem como homossexuais e enfrentam o julgamento cruel das mais diversas expressões de preconceito.

Esses percentuais discriminatórios apontam para conflitos latentes dentro do ambiente de convivência escolar. O preconceito é uma perigosa arma velada, diferente de um aluno que aparece com uma faca ou um revólver na mão, e é mais difícil de ser detectado, analisa uma das autoras do livro, Miriam Abramovay.

A estudante Thaís Rodrigues, 21 anos, foi contra a corrente e não só saiu do armário como foi às ruas lutar pela sua orientação sexual. Assumida para a família desde os 16 anos, conquistou a confiança para levar a namorada em casa e ajudou a fundar a Organização Não-Governamental Coturno de Vênus, ONG brasiliense empenhada em discutir os direitos das lésbicas.

Até se sentir bem com sua orientação sexual, Thaís precisou vencer os primeiros obstáculos do preconceito, dentro da sala de aula. A verdade é que o preconceito ainda existe em todos os lugares, mas quando você é mais jovem, na escola, ele é mais agressivo e evidente.

Ela admite que contar para a família foi difícil, e fala do sofrimento que traz uma vida dupla. Minha mãe reparou que eu guardava um segredo, lembra. Ao se abrir com os pais, sentiu-se aliviada. Eles disseram que me amavam e que isso não ia mudar. Atualmente, a mãe de Thaís é referência no assunto. Ângela Rodrigues e a filha participaram do programa de Ana Maria Braga para falar de preconceito, dividir sua história e dar dois recados. Aos jovens: Ninguém é feliz vivendo um disfarce, seja honesto com você mesmo. Aos pais: Quando soube da homossexualidade da Thaís pude conhecer minha filha por completo. Nós devemos lutar contra o sofrimento deles.

Em geral, acrescenta Ângela, os pais sentem um luto quando recebem a notícia, como se o filho criado por eles tivesse morrido. No entanto, minha filha continuou ali, a mesma que eu amava, somente com uma característica a mais, defendeu a mãe.

Como Thaís, o presidente da ONG Estruturação, Milton Santos, busca os direitos e a cidadania dos homossexuais no DF. Mora há quatro anos com um homem, depois de um casamento heterossexual frustrado. Não há nada diferente no sentimento dos casais gays. Nos amamos, vamos ao cinema, sentamos juntos, fazemos planos, é simples. Para Milton, mesmo depois de tantas conquistas, o preconceito ainda é latente e está nas ruas. E nas casas de muitas famílias, nas escolas e nos divãs. Frente a julgamentos maldosos, ele recomenda paciência e prenuncia. Daqui a dez anos…

Fonte: http://www.espacogls.com/noticias/?noticia=3563

Published in: on 13/07/2009 at 22:33  Deixe um comentário  
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Conheça a Pesquisa Instituto Avon/Ibope sobre violência contra as mulheres

A pesquisa tem foco nas percepções da sociedade brasileira sobre o fenômeno da violência de gênero

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, e o presidente da Avon Brasil, Luis Felipe Miranda, participam hoje de coletiva de imprensa sobre a Pesquisa Instituto Avon/Ibope – Percepções Sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil. O encontro acontece às 10h, no Festivo, no bairro de Pinheiros, São Paulo, e também conta com as presenças de Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, Lírio Cipriani, diretor executivo do Instituto Avon, e Kátia Gianone, diretora de Comunicação da Avon.

A pesquisa foi realizada em âmbito nacional de 13 a 17 de fevereiro último, em cidades com mais de 20 mil habitantes e capitais. Trata-se de amplo estudo quantitativo sobre as percepções e reações da sociedade sobre a violência contra a mulher.

Conheça mais sobre esta pesquisa: http://200.130.7.5/spmu/docs/pesquisa_AVON_violencia_domestica_2009.pdf

Published in: on 23/04/2009 at 12:12  Comments (1)  
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R$ 5 milhões para pesquisa em Gênero (CNPq)

CNPq abriu dia 5/9 edital de R$ 5 milhões para pesquisas científicas na área de gênero

Propostas devem ser enviadas até 20 de outubro. Projetos podem enfocar questões do campo e da floresta e temáticas que formatam o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres

Foi publicado no dia 5 de setembro o edital CNPq de apoio a projetos de pesquisa no campo dos estudos de gênero, mulheres e feminismo. São destinados R$ 5 milhões, que corresponde a crescimento de 416% dos recursos do governo federal destinados a pesquisas científicas na área de gênero, mulheres e feminismo.

As propostas devem ser enviadas até 20 de outubro. Os recursos foram destacados pela SPM, Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério do Desenvolvimento Agrário, este destinou R$ 1 milhão para contemplar exclusivamente projetos focados na temática campo e floresta. Os demais projetos devem focar nas temáticas que formatam o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres.

Confira Edital: http://www.cnpq.br/editais/ct/2008/docs/057.pdf

Published in: on 11/09/2008 at 13:22  Deixe um comentário  
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Pesquisa mostra que mulheres têm pouco espaço no cenário eleitoral

por Michelle Amaral da Silva

De acordo com estudo, participação feminina será menor do que o estipulado por lei. De acordo com especialistas, falta de incentivo e investimentos, além de uma política conservadora machistas, são as causas da ausência da mulher no cenário político
 
do Brasil de Fato, 09/09/2008

Michelle Amaral,
da Redação

Mesmo representando a maioria do eleitorado brasileiro- cerca de 51% dos 130 milhões de eleitores- as mulheres têm baixa participação no cenário político brasileiro: apenas 21,33% dos candidatos às próximas eleições são do sexo feminino. Os dados foram apresentados em um estudo feito pela Secretaria Especial de Política para as Mulheres (SEPM), que também revela que nenhum partido cumpriu a cota mínima de 30% de mulheres no total de candidaturas para as câmaras municipais, exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nas candidaturas à prefeitura, todos os Estados da federação também apresentaram índices baixos de participação feminina. Apenas em Porto Alegre (RS), a cota foi superada (50%), onde há quatro candidatos de cada sexo concorrendo à prefeitura.

Para especialistas, o baixo nível de participação das mulheres na política brasileira é resultado de questões culturais e sócio-econômicas, tais como a idéia de que o papel da mulher é ser cuidadora do lar, marido e filhos. Ainda que trabalhe fora ou realize outras atividades, ela deve se dedicar aos trabalhos domésticos.

Visão machista e conservadora
De acordo com Sônia Malheiros Miguel, subsecretária de Articulação Institucional da SEPM, apesar da mulher ter assumindo papéis de visibilidade nas áreas da educação e do trabalho, existe a cultura de que o espaço político não é legítimo para ela. Para Sônia, trata-se de uma “visão machista e conservadora da sociedade brasileira”, em que o meio público é reservado ao homem, enquanto a mulher deve ficar em casa.

Esta mesma opinião é compartilhada pela cientista política e consultora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), Patrícia Rangel, que acredita que o sistema eleitoral brasileiro é excludente, não somente para as mulheres, como também para as minorias. Ela afirma que a baixa participação feminina não se deve a falta de vontade das mulheres, mas sim por causa das barreiras impostas pelo sistema político-eleitoral brasileiro. “Trata-se de um sistema branco e masculino”, afirma Rangel.

Outro aspecto tido como preponderante na baixa participação da mulher na política é a falta de investimento em políticas de incentivos, tanto por parte do governo quanto dos partidos. Sônia Malheiros explica na retórica se chama as mulheres à política, mas, na prática, há somente investimentos para candidaturas masculinas.

“Nos últimos anos, a eleição passou a ser disputada por quem tem mais dinheiro, não são mais as idéias que contam. Nesse jogo, as mulheres dificilmente ganham”, observa Laisy Morière, secretária nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT).

Desigualdades persistentes
O cenário político é um espaço significativo de decisão e, historicamente, foi e é dominado pelo homens. A primeira eleitora, não só do Brasil como da América Latina, foi Celina Guimarães Vianna, que teve seu nome incluído na lista de eleitores do Rio Grande do Norte, em 1927. Contudo, o direito ao voto só foi conquistado por todas as mulheres em 24 de fevereiro de 1932, quando foi promulgado o Código Eleitoral que igualava a mulher aos homens: o eleitor era descrito no código como “o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo…”.

Historicamente, a mulher alcançou espaços de maior visibilidade na sociedade brasileira. A conquista do direito ao voto, o ingresso ao mercado de trabalho e o acesso aos estudos são passos importantes na afirmação de igualdade entre homens e mulheres. Contudo, a visão conservadora de mundo de que o espaço público é naturalmente dos homens e à mulher é reservado o espaço da casa, ainda persiste em nossa sociedade, de acordo com Sônia Malheiros.

“No trabalho, ocupamos todos os espaços. Já temos maior escolaridade do que os homens”, conta Maria Amélia Teles, da organização não-governamental União de Mulheres do Município de São Paulo. Mas, apesar dessas conquistas, ela ressalta que a igualdade plena entre gêneros não foi alcançada. “A desigualdade nas relações de gênero ainda prevalece em todos espaços e instituições. Nossos salários continuam menores. Isto afeta diretamente as relações de poder. Ainda somos menos empoderadas do que os homens”, lamenta.

Mudança de mentalidade
Apesar disso, Maria Amélia aponta que não se pode negar que, entre muitos, a igualdade de direitos entre mulheres e homens já é reconhecida, e que cada vez mais a mulher tem conseguido que se façam leis e políticas públicas para a defesa de direitos iguais. Porém, “a mudança de mentalidade se faz lentamente e mais: os homens (nem todos) não querem perder seus privilégios”, pondera.

Para a feminista, a sub-representação da mulher é fruto do nosso sistema capitalista, que lucra com a desigualdade de gênero. Ela afirma que as mulheres são sobrecarregadas de tarefas, que em maior parte não trazem custos ao sistema. “As mulheres fazem muitos trabalhos inteiramente gratuitos como as tarefas domésticas, os cuidados com crianças, idosos e doentes. Somos nós que realizamos 2/3 do trabalho mundial e grande parte deste trabalho não custa nada para os capitalistas”, analisa Maria Amélia “As mulheres ainda são as cuidadoras da família, fica difícil sair de casa para participar. O Estado e a sociedade precisam assumir os cuidados com a família. A divisão sexual do trabalho doméstico está no campo privado, enquanto não houver uma intervenção nesse processo a mulher continuará em casa”, enfatiza Laisy Moriére.

Tripla jornada
Como resultado, a mulher que conquista espaço no mercado de trabalho tem de realizar uma dupla jornada. “A mulher é responsável pelo cuidado do lar e, se trabalha, ela acaba fazendo uma jornada dupla de trabalho, no serviço e depois em casa”, esclarece Patrícia Rangel, que acredita que, ao se engajar na política implica, a mulher é submetida a uma jornada tripla de trabalho.

Para garantir uma plena participação das mulheres, é necessário que se mude a lógica do sistema político, econômico e social, acredita Maria Amélia. “A política tal qual está concebida está distante da vida da maioria das mulheres. Quem vai se responsabilizar pelas crianças se as reuniões dos partidos políticos terminam tarde da noite?”, questiona.

Os abusos, como o fato de que no Brasil a cada 15 segundos uma mulher é espancada por seu companheiro ou ex, também são barreiras à realização de política por parte das mulheres. “Há necessidade de se fazer uma inversão da agenda política, priorizando as questões das mulheres. Assim se garante mais eqüidade na família, na comunidade, no trabalho e na política. Assim as mulheres poderão disputar espaços políticos de maneira mais justa, mais equilibrada, sem tanto desgaste” enfatiza Maria Amélia.

Existe preconceito contra LGBTs no Brasil?

Acaba de sair do forno a mais recente pesquisa social do Núcleo de Opinião Pública (NOP), intitulada Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil, Intolerância e respeito às diferenças sexuais nos espaços público e privado – uma realização da Fundação Perseu Abramo, em parceria com a alemã Rosa Luxemburg Stiftung.

Para saber mais, clique aqui.

Será?…

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