Femicídio Juvenil: O assassinato de mulheres adolescentes

Assassinato de Mulheres Adolescentes

Por Glaucio Ary Dillon Soares, cociólogo e pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj)

O país acompanhou o seqüestro e morte de uma jovem paulista. Dado o interesse que esses eventos despertaram no público, foi logo noticiado outro femicídio semelhante. Contudo, homicídios de mulheres jovens acontecem regularmente no Brasil. Precisamos de uma política de prevenção eficiente, baseada em dados e fatos e não em achismos, nem em ideologia.

Esse absurdo acontece somente aqui? A resposta é negativa. Na Carolina do Norte, o homicídio é a segunda causa de morte de mulheres de 11 a 14 e a terceira de mulheres de 15 a 18. Três pesquisadoras examinaram todos os casos constantes dos arquivos dos legistas daquele estado, desde 1990 até 1995. Examinaram meninas e jovens de 11 a 18. Os arquivos forenses são mais completos do que aqui, permitindo análises mais ricas e detalhadas. Analisaram as características sociodemográficas, o contexto dos homicídios, incluindo os resultados dos exames toxicológicos, chegando ao detalhe de entrevistar, por telefone, os policiais encarregados dos casos. Assim puderam contextualizar os homicídios, deslindando as relações entre as vítimas e os seus algozes, a existência de antecedentes criminais tanto das vítimas quanto dos algozes e outras informações. O aumento do risco de homicídio nasceu e cresceu muito antes.

Houve 90 vítimas, sendo que 78% foram mortas por seus parceiros, ex-parceiros e outros conhecidos. Vinte e sete vítimas tinham menos de 15 anos; as demais de 16 a 18. As circunstâncias facilitadoras também apareceram nessa pesquisa: duas em cada três foram mortas com armas de fogo. As vítimas não eram amostra aleatória da população da mesma idade: quase metade estava atrasada na escola e 17% tinham bebido antes da ocorrência.

E os assassinos? Quase todos eram homens (91%), na média oito anos mais velhos do que as vítimas e nada menos do que 59% tinham ficha na polícia. E as razões? As duas mais comuns eram brigas e discussões entre a vítima e o assassino (24%) e o fim da relação (22%). Parecido com o observado no Brasil. A esse grupo de “razões”, podemos incluir vingança, desforra etc. — mais 14%. Uma em cada seis foi morta devido a uma irresponsabilidade no manejo de arma de fogo, mas foram mais do que acidentes. As drogas estavam presentes em muitos casos, mas foram a razão de apenas 8%.

A experiência internacional nos diz que a gravidez pode criar muitos problemas e, também, aumentar os já existentes. Pelo menos quatro das vítimas estavam grávidas no momento em que foram assassinadas. Em um de cada cinco homicídios houve abuso sexual ou estupro. A maioria dessas jovens foi morta em casa (65% das menores e 50% das maiores), a metade por um membro da família (incluindo os maridos), sendo 56% no contexto de uma discussão ou briga.

Esse tema foi retomado este ano por uma equipe de pesquisadoras, preocupadas com as taxas altas de homicídio de mulheres jovens, mas não adolescentes. Analisaram 23 femicídios, selecionados dos arquivos de 11 cidades americanas e os compararam com 53 casos de mulheres da mesma idade que foram abusadas. Os fatores de risco que caracterizaram as vítimas de homicídio e as vítimas de abuso não foram iguais. Os níveis de violência eram maiores e mais hostis, havia mais ameaças, mais desemprego do parceiro, acesso a armas de fogo e a presença de filho(s) ou filha(s) de um dos parceiros (e não do casal) na casa. Por um lado, esses fatores não são diferentes dos que caracterizam os homicídios de mulheres adultas. Não obstante, pelo outro, há diferenças: ciúme e comportamentos proprietários, desemprego do parceiro, e ser um ex-parceiro eram mais comuns nos casos em que a vítima era jovem.

As vítimas também diferiam da população em geral. Havia um histórico de problemas educacionais (percentagem muito maior que não completou os estudos ou que estava atrasada), uso de drogas ou álcool, um número maior tinha fugido de casa, e mais vítimas se relacionavam com homens bem mais velhos com uma ficha policial.

A prevenção do femicídio deve começar cedo. Muitos comportamentos desaconselháveis aumentaram gradualmente o risco de morte desde que as futuras vítimas tinham 10, 11 anos ou menos. A influência benéfica da escola e da educação se faz sentir na queda acentuada do risco de femicídio com notas razoáveis e formatura no prazo esperado. Outros comportamentos aumentam ou indicam um risco maior: começar a fumar, começar a beber e ter relações sexuais cedo, se associar com o grupo da pesada na escola e na vizinhança e, sobretudo, entrar em relacionamentos com homens bem mais velhos com um passado criminoso.

Katita

Katita é criação de Anita Costa Prado. Mais informações clique aqui.

Katita

Homossexualidade no Festival Internacional de Cinema

Por Alexandra Martins

Homossexualidade no Festival Internacional de Cinema

Homossexualidade no Festival Internacional de Cinema

Costumo dizer que Brasília no segundo semestre ferve quando se trata de cinema. Este ano parece que o calor aumentou alguns graus. Não apenas por causa da alta temperatura que a cidade tem passando, mas também pela enorme quantidade de festivais de cinema e animação que temos recebido. Novembro mal chegou e já temos a previsão de dois festivais pela frente: Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Festival Internacional de Cinema (FIC). Haja pipoca!

O último começa hoje e vai até domingo, dia 09/11. Como uma boa cinéfila já fiz a minha programação e pude destacar alguns trabalhos sobre homossexualidade que parecem ser bem interessante e atuais como o filme francês Baby Love que conta a história de um pediatra homossexual que tenta adotar uma criança ou encontrar uma mãe de aluguel. Leia mais sobre o filme na coluna do Celso Faria.  A complexa relação entre o islã e a homossexualidade em países como Paquistão, Egito, Turquia, França, Índia e África do Sul pode ser vista através do documentário A Jihad for Love.

Na mostra de curtas “Jovens Heróis” vale destacar o mini-documentário sobre transexualidade, O dia em que decidi ser Nina, que mostra a história de Guido. Um menino de 11 anos que não gosta de futebol e prefere bater papo com as meninas. Na realidade, sente-se como uma menina e chega o dia em que decide ser Nina.

É importante ressaltar que o FIC sempre apresenta trabalhos super interessantes e de vanguarda. No ano passado a ficção argentina XXY, que trata da intersexualidade (vulgarmente conhecida como hermafroditismo) estava na mostra.

No Brasil a discussão a sobre intresexualidade dentro do movimento LGBTT é bem recente. Tivemos na Conferência GLBT um representante do movimento de interesexuais da Argentina, Mauro Cabral, que falou sobre o tema, as dificuldades e como el@s têm se organizado. Não deve ser atôa que o filme XXY veio da Argentina. Mais uma vez a arte imita a vida.

Para mais informações sobre horários do FIC clique aqui.
FIRST LOVE
Japão, 2007, 96 min, cor, drama
Tadashi é um estudante tímido, apaixonado pela colega Kota. Deprimido, encontra um fascinante casal gay no metrô.

BABY LOVE
França, 2008, 90 min, cor, comédia
Pediatra homossexual tenta adotar uma criança ou encontrar uma mãe de aluguel.

A JIHAD FOR LOVE
EUA/Reino Unido?França/Alemanha/Austrália,2007,81min, cor, documentário
A complexa relação entre o islã e a homossexualidade em países como Paquistão, Egito, Turquia, França, Índia e África do Sul.

LA LEON
Argentina/França, 2007, 85min, P&B, drama
Álvaro vive só no delta do Rio Paraná. Sua homossexualidade agrava seu isolamento, devido ao preconceito do vizinho.

Mostra Jovens Heróis – EMERGIDO
Holanda, 2003, 15min, cor, documentário
Kristopher tinha 11 anos quando descobriu sua homossexualidade e um dia se revela aos colegas e à família.

Mostra Jovens Heróis – O DIA EM QUE DECIDI SER NINA
Holanda, 2000, 15 min, cor, documentário
Guido, de 11 anos, não gosta de futebol e prefere bater papo com as meninas. Na realidade, sente-se como uma menina e chega o dia em que decide ser Nina.

30/10 – ELLEN OLÉRIA grava seu primeiro DVD

Que dizer dessa menina de sorriso franco e contagiante, que só de abrir a boca a gente já começa a se remexer? Não tem o que dizer. Veja você mesma!!

Pode crer que ao vivo você vai se arrepiar muito mais!!

SHOW DE GRAVAÇÃO DO DVD – Você não vai ficar fora dessa festa, vai??

Para conhecer um pouco do trabalho de Ellen Oléria, clique aqui.

Published in: on 29/10/2008 at 15:04  Deixe um comentário  

O.V.E.R.D.E.D.O.M.A.R.D.E.A.N.G.O.L.A.

A cantora brasiliense Luciana Oliveira lança seu novo CD em show dias 5 e 6 de novembro no Teatro dos Bancários.

Fotos: divulgação (1ª) e Pedro Matallo.

O show intitulado O verde do mar de Angola contempla o repertório do disco além de músicas de compositores como Marcelo Yuca, Jorge Benjor, Nei Lopes e João Bosco.

Luciana Oliveira iniciou sua carreira com a banda de reggae e ska Mal de Familia. Em 1999 iniciou carreira solo com um trabalho baseado na musica negra brasileira, com o show Cântico Negro, onde misturava música e poesia inspirado em autores e compositores afro-brasileiros. Gravou um CD intitulado Tesselas a convite do compositor Douglas Umberto. Participou de discos dos grupos de rap Gog e Condenacao Brutal e atualmente integra a banda Natiruts com a qual gravou o CD e DVD Natiruts Reggae Power e vm realizando turne nacional. Acaba de finalizar seu segundo disco solo com um repertorio de ritmos afro brasileiros com sambas, afoxes, influenciados pelo funk e jazz. No repertório do disco estão músicas de compositores consagrados como Jackson do pandeiro e João Donato, músicas autorais e uma nova geração de compositores como Wilson bebel, Renato Matos, Alexandre Carlo.

Para uma palhinha, visite o site de Luciana Oliveira no MySpace.

Ficha técnica do show

Direção Musical: João Ferreira

Músicos:
João Ferreira- violões, teclado e cavaco
Marcos Moraes- violões e guitarra
Anderson Santos- contrabaixo
Leander Motta- bateria
George Lacerda- percussão
DJ A- toca-discos
Nãnan- backing vocal
Ana Reis- backing vocal

Partcipações especiais:
– Mc Hadda
– Beição (B. Boy)
– Jairo Laranjeira (dança afro)
– Jair Dupret (cabo verde)

O show tem cenografia de Daniel Bandim, iluminação do curitibano Giovanne Simão, figurinos de Euzita de tal e Negro Blue e projeções de Hieronimus do Valle.

A partir das 20h Lounge com DJ GUS no hall de entrada

O show está sendo preparado com muito carinho e esperamos vcs lá!!!!!!

Serviço:
Show de lançamento do cd Luciana Oliveira no show
O Verde do mar de Angola
Onde:
Teatro dos Bancários (EQS 314/315 sul)
Quando:
dias 5 e 6 de novembro
Horário:
21h (lounge a partir das 20h)
Quanto:
20,00 (inteira) e 10,00 (meia)

Vendas Antecipadas:
loja Negro Blue (Conic) e bilheteria do teatro

PROMOÇÃO: Compre 1 ingresso e ganhe 10% de desconto na loja Negro Blue

Informações: 8116-9618/ 9696-3712

HOMOFOBIA NA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO: parte II

O Estado de São Paulo resolveu dar hoje, quase 20 dias depois do ocorrido, uma matéira na página A19. A Sapataria já havia divulgado denúncia da estudante da USP Iara Vianna na semana seguinte ao lamentável episódio, que aconteceu no dia 10 de outubro.

Gays vão à polícia contra discriminação em festa na USP

O caso já repercute na Cidade Universitária e para sexta-feira alunos da FFLCH marcaram um beijaço

William Glauber, de O Estado de S. Paulo

Robson Fernandjes/AE

Foto: Robson Fernandjes/AE

SÃO PAULO – Um episódio de intolerância à orientação sexual na Universidade de São Paulo (USP) virou caso de polícia nesta terça-feira, 28. Os estudantes de Letras José Eduardo Góes, de 18 anos, e Jarbas Rezende Lima, de 25, registraram na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) um boletim de ocorrência contra o Centro Acadêmico de Veterinária por constrangimento ilegal e lesão corporal. Os rapazes foram expulsos de uma festa da entidade porque se beijavam.

O caso repercute no câmpus e para sexta-feira alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) marcaram um beijaço. Nas comunidades de Letras e Veterinária, no Orkut, há listas de discussão sobre a polêmica, em tom de protesto e chacota.

No dia 10 de outubro, durante um “happy hour”, como os alunos se referem à festa agitada por funk, quando meninos e meninas sobem em palcos para dançar e também se beijar, o DJ interrompeu o som por volta de 1h30, as luzes foram acessas e o casal gay, repreendido. “O DJ ficou apontando. Acredito que um casal heterossexual não teria sido tão exposto e agredido”, afirma Lima. “Em segundos, um cara nos arrancou de lá.” A balada foi encerrada.

Os rapazes estavam acompanhados de mais quatro amigos heterossexuais. O bate-boca continuou do lado de fora. “A maioria dos alunos apoiou o DJ, que também é presidente do CA”, conta Góes. “Ele disse que pararia a festa se fossem um homem e uma mulher. Sempre vi rapazes beijarem meninas. Fomos ameaçados de processo por atentado ao pudor.” Góes afirma não ter havido excesso.

A Guarda Universitária foi chamada, mas, segundo os estudantes, os funcionários disseram que nada poderiam fazer. Góes e Lima, com o BO, afirmam que vão solicitar audiência na reitoria para questionar a conduta dos profissionais no trato com o público gay. A reitoria e a direção da Faculdade de Veterinária foram procuradas, mas, por causa do feriado do Dia do Servidor, não foram localizadas.

A direção do Centro Acadêmico Moacyr Rossi Nilsson informa que a festa foi interrompida porque os garotos exageraram no beijo. A entidade rebate a acusação de homofobia e diz que há estudantes homossexuais que freqüentam a entidade e nunca foram discriminados. Na semana passada, o CA procurou os rapazes para resolver o “mal-entendido”, mas não foi possível acertar um horário.

O estudante de doutorado em Literatura e membro do Corsa, uma ONG LGBT, Dário Neto, lamenta o episódio. Ele acompanhou os rapazes na Decradi. “O inquérito policial agora vai avaliar o caso. Com o BO, vamos solicitar uma comissão processante na Secretaria de Justiça, com base na Lei 10.948”, explica. A lei, estadual, pune administrativamente casos de homofobia.

O assessor de Defesa e Cidadania da Secretaria de Justiça, Dimitri Sales, explica que a entidade pode ser punida até com multa.

“O Estado tem poder de polícia. Quando virar processo, ouviremos as partes. A secretaria forma um juízo e aplica sanção ou isenta”, afirma. Em relação ao caso da USP, ele afirma que a homofobia é estrutural no País. “O preconceito está em todos os lugares, até em espaço de produção do conhecimento. A homofobia precisa ser combatida.”

Católic@s dividid@s em caso de fetos anencéfalos

ATENÇÃO!! O Correio Braziliense colocou no ar uma enquete para saber se leitor@s concordam que a mulher deve decidir sobre a interrupção da gravidez em casos de anencefalia. VOTE CLICANDO AQUI.

Audiência sobre a possibilidade de interrupção da gravidez em casos de fetos com má-formação cerebral expõe profundidade da polêmicaRenata Mariz – Correio Braziliense

O primeiro dia de audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade do aborto de fetos anencéfalos (com má-formação cerebral, que inviabiliza a vida fora do útero) mostrou que nem dentro dos grupos religiosos existe consenso. Enquanto a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) condena a prática, a Igreja Universal do Reino de Deus considera ser um direito da mulher decidir sobre a interrupção da gravidez naquela condição. Dos 11 ministros da Corte, apenas Marco Aurélio Mello, relator da ação que pede a descriminalização do aborto em caso de anencefalia, compareceu ao debate.

Marco Aurélio minimizou a ausência dos colegas afirmando que todo o debate será transformado em DVD e, junto com as notas taquigráficas, enviado aos ministros. “Eu mesmo não assisti a outras audiências realizadas aqui e nem por isso deixei de estar bem informado”, ressaltou o ministro. Embora tenha opinião formada sobre o assunto – foi dele a liminar que vigorou por apenas três meses em 2004 autorizando a interrupção da gravidez de anencéfalos -, Marco Aurélio ouviu atentamente as apresentações dos seis grupos convidados, que apresentaram argumentos médicos, éticos e religiosos. “Entre a ciência e a igreja, eu fico no meio termo, onde está a virtude”, afirmou o ministro, ao fim da sessão.

O padre Luiz Antonio Bento, representante da CNBB, posicionou-se de forma radical logo na primeira exposição do dia. “Ninguém pode autorizar que se dê a morte a um ser humano inocente, seja ele embrião, feto ou criança sem ou com má-formação, adulto, velho, doente, incurável ou agonizante”, ressaltou o religioso. Menos enfático, embora também contrário à interrupção da gravidez de fetos anencéfalos, o médico Rodolfo Acatauassú Nunes, representante da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, disse que a ciência precisa estudar mais sobre o nível de consciência de crianças nascidas com graves deformações cerebrais antes de o Estado decidir sobre o aborto nesses casos.

Controvérsias científicas
Nunes enfatizou, citando casos de crianças que tiveram sobrevida, que a anencefalia não deve ser confundida com morte encefálica. “As pessoas usam os dois conceitos como se fossem equivalentes. Precisamos entender que o feto anencéfalo preserva parte do encéfalo, pode respirar sem ajuda de aparelhos, portanto não está em estado de morte encefálica”, afirmou Nunes.

Para o professor do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Antonio Fernandes Moron, as duas situações são similares. “O feto anencéfalo tem apenas o tronco cerebral, mas não o córtex. A pessoa que morreu e vai doar órgãos está em situação igual, com o córtex já morto e só o tronco cerebral funcionando. Essa pessoa, caso a família queira, pode ficar muito tempo mantida em estado vegetativo, mas não é considerada viva”, destacou o médico.

Luís Roberto Barroso, advogado que representa a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Sáude (CNTS), entidade que ajuizou a ação no STF, tenta arrematar a discussão em uma única tese. “É uma evidência científica e médica de que o feto anencéfalo não sobrevive mais que segundos ou minutos após o parto. Se esse cérebro infelizmente não se forma, não podemos falar de vida”, disse o advogado.

Published in: on 28/10/2008 at 22:32  Deixe um comentário  

Intolerância entre alunos

Radiografia da rede pública do DF realizada por pesquisadores indica que mais da metade dos alunos presenciaram discriminação por causa da cor nos colégios e 63% testemunharam preconceito sexual

Por Erika Klingl e Diego Amorim Da equipe do Correio, Daniel Ferreira/CB/D.A Press
Correio Braziliense/DF

Aluno da 7ª série do ensino fundamental, Rafael* é negro. “Só que um dia o professor chamou ele de preto de sangue ruim. Daí, ele nunca voltou para a escola”, conta o colega de turma do adolescente. “É comum eu ouvir: ‘Olha, ela veio com a mesma roupa de novo.’ E eu finjo que ignoro”, desabafa uma menina do 1º ano do ensino médio. “Aqui, se a pessoa tiver um jeito estranho já é gay e acaba sendo zoada”, afirma Carolina*, da 8ª série. Em comum, essas histórias têm o cenário – salas de aula da rede pública de ensino – e o preconceito.

“A escola é um ambiente cheio de conflitos, o que não é ruim. Mas quando eles não são mediados de forma adequada acaba resultando em violência, mesmo que simbólica”, explica a socióloga Miriam Abramovay, responsável por uma pesquisa que, pela primeira vez, diagnosticou a violência da rede pública de ensino no DF. O levantamento, feito com mais de 11 mil pessoas, entre alunos e professores, abordou o problema nas escolas de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e no ensino médio. A análise reflete um universo de mais de 186 mil estudantes e outros 20 mil docentes. Os dados relacionados ao preconceito são assustadores.

Nada menos que 55% dos estudantes já viram discriminação nas escolas por causa da cor e quase 13% contam que sofreram. Em números absolutos, isso representaria 24 mil adolescentes. Mas o que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a discriminação por causa da pobreza, sentida por 6,1% dos estudantes e vista de perto por 42%. “A gente não imagina que os números sejam tão altos”, observa Miriam. Nas entrevistas, ela ouviu expressões que a chocaram. “Assentamento Haiti é nome de rua de Santa Maria. Churrasquinho é apelido de negros.” Para a educadora Beatriz Castro, o fato preocupa. “Fica a dúvida se a escola cumpre o papel de formar cidadãos”.

Desmaio

Quando o assunto é preconceito por ser ou parecer homossexual, os casos são ainda mais freqüentes: 63% dos alunos dizem que já viram discriminação. Dos estudantes do ensino médio, 4,3% já sentiram na pele a discriminação. Maurício* foi um deles. Tanto ouviu que um dia não agüentou tanta zombaria. Durante a apresentação de dança na feira cultural do Centro de Ensino Médio 3 de Ceilândia, duas semanas atrás, até tentou abstrair os xingamentos que ouvia, os gritos de veado e baitola. Mas, quando acabou a música, desmaiou. “Ele já estava nervoso. Com o povo zoando, ficou mais ainda. Aí desceu do palco, foi andando até o fim do auditório e caiu”, descreve um aluno da 7ª série. O episódio ainda é comentado entre os estudantes. Maurício, segundo a turma, é homossexual assumido.

Os que gostam de ser os “malandrões” do colégio são os que mais zoam os colegas. Para sustentarem o status, costumam atingir os mais fracos, os negros, os gordos, os mais pobres, os baixinhos. Agridem com palavras, comentários, risadas. “O pessoal fica mangando de mim direto, me chamando de ‘limpador de aquário’, essas coisas. Mas deixo quieto. Um dia ou outro eles vão cair na real”, diz um garoto de 14 anos, 1,51m de altura, aluno da 8ª série do Centro de Ensino Fundamental 4 de Ceilândia. Na cidade em que mora e estuda, os xingamentos já foram ouvidos por 42% dos estudantes. Isso porque Ceilândia está longe de estar entre as piores. De acordo com a pesquisa, em Brazlândia e Santa Maria, metade dos estudantes costumam sofrer violência desse tipo. 

 

Pesquisa mostra intolerância entre estudantes da rede pública de ensino
Pesquisa mostra intolerância entre estudantes da rede pública de ensino

Boletim da Articulação Mulher e Mídia

Clique para ver o boletim ampliado

Clique para ver o boletim ampliado

Bíblia e sexualidades