Países em conflito delegam poder político a mulheres

do site maismulheresnopoderbrasil.com.br

Tzipi Livni, ministra do Exterior de Israel, está prestes a se tornar a mais nova mulher designada para o cargo de primeira-ministra no mundo. Livni é do partido de centro Kadima e será mais um exemplo de mulher à frente de um país em conflito, na região do Oriente Médio, onde desavenças seculares entre judeus e palestinos não chegam a uma solução. A ministra acredita que a sobrevivência de Israel está associada à criação de um Estado palestino e espera melhorar as condições de vida dos palestinos que vivem na região da Cisjordânia, ocupada por tropas israelenses.

Se a política “é a arte, é o meio de administrar o conflito”, como define a cientista política, doutora em Ciências Políticas pelo Iuperj, Helena da Motta Salles, a tarefa de fazer política tem sido delegada cada vez mais às mulheres em vários países. Apesar da pouca participação em termos percentuais nos parlamentos e no executivo, é visível a crescente participação de mulheres na política de países em conflitos ou recém saídos deles, muitas vezes como primeiras-ministras ou presidentes.

Segundo Motta, a política, a administração do conflito “é o que viabiliza a vida coletiva, dado que os homens não vivem isolados uns dos outros, e as pessoas são muito diferentes em todos os sentidos”. Segundo a cientista política, um político habilidoso, com capacidade de negociação, evita que seja usada a coerção física do Estado, e aí entra a questão da mulher, que tem um bom desempenho na política por sua capacidade de negociar, ouvir o outro, colocar-se no lugar desse outro e encaminhar a saída para um impasse.

Hoje, além de Israel, países com passado recente de guerra civil têm mulheres como chefes de governo. É o caso de Moçambique (Luisa Diogo) e Haiti (Michele Pierre-Louis), nações onde a guerra abalou a economia, as instituições políticas, a infra-estrutura e a sociedade, causando mortes, miséria e violência generalizada, sendo que, no Haiti, missão militar da ONU monitora a situação ainda beligerante.

Dentre os países com mulheres presidentes, tem destaque por histórico de conflitos a Libéria (Ellen Johnson Sirleaf), país devastado por 14 anos de guerra civil, que deixou 250 mil mortos e 1 milhão de refugiados, entre 1989 e 2003.

Quanto à presença no parlamento, curiosamente, o país que tem o maior percentual de mulheres, segundo a União Interparlamentar (UIP), é Ruanda, na África, com 48,8% de representação feminina na Câmara Única ou Baixa e 34,6% na Câmara Alta ou Senado. O país viveu um verdadeiro genocídio há pouco mais de uma década, levando à morte quase 1 milhão de pessoas. Outros países em situação parecida também estão bem colocados no ranking de mulheres no parlamento: Timor Leste (24º, com 29,2% de mulheres na Câmara Baixa), Afeganistão (29º, 27,7% na Câmara Baixa e 21,6% no Senado) e Iraque (35º, 25,5% na Câmara Baixa), num total de 188 nações analisadas.

Além disso, pode-se verificar que, na história recente do século XX, outras mulheres governaram regiões em ebulição política e social, como Bangladesh (Begum Jaleda Zia, 1991-1996 e 2001-2006) e Paquistão (Benazir Bhutto, 1988-1990 e 1993-1996), esta última assassinada em 2007, quando estava em campanha para a presidência do país.

Reconhecendo a importância das mulheres na construção da paz, o Conselho de Segurança da ONU, aprovou, em 2000, a Resolução 1325. O documento recomenda aos Estados Membros que assegurem uma representação cada vez maior de mulheres em todos os níveis de tomada de decisão nas instituições nacionais, regionais e internacionais, bem como nos mecanismos destinados à prevenção, gestão e resolução de conflitos.

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