HOMOFOBIA NA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO: parte II

O Estado de São Paulo resolveu dar hoje, quase 20 dias depois do ocorrido, uma matéira na página A19. A Sapataria já havia divulgado denúncia da estudante da USP Iara Vianna na semana seguinte ao lamentável episódio, que aconteceu no dia 10 de outubro.

Gays vão à polícia contra discriminação em festa na USP

O caso já repercute na Cidade Universitária e para sexta-feira alunos da FFLCH marcaram um beijaço

William Glauber, de O Estado de S. Paulo

Robson Fernandjes/AE

Foto: Robson Fernandjes/AE

SÃO PAULO – Um episódio de intolerância à orientação sexual na Universidade de São Paulo (USP) virou caso de polícia nesta terça-feira, 28. Os estudantes de Letras José Eduardo Góes, de 18 anos, e Jarbas Rezende Lima, de 25, registraram na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) um boletim de ocorrência contra o Centro Acadêmico de Veterinária por constrangimento ilegal e lesão corporal. Os rapazes foram expulsos de uma festa da entidade porque se beijavam.

O caso repercute no câmpus e para sexta-feira alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) marcaram um beijaço. Nas comunidades de Letras e Veterinária, no Orkut, há listas de discussão sobre a polêmica, em tom de protesto e chacota.

No dia 10 de outubro, durante um “happy hour”, como os alunos se referem à festa agitada por funk, quando meninos e meninas sobem em palcos para dançar e também se beijar, o DJ interrompeu o som por volta de 1h30, as luzes foram acessas e o casal gay, repreendido. “O DJ ficou apontando. Acredito que um casal heterossexual não teria sido tão exposto e agredido”, afirma Lima. “Em segundos, um cara nos arrancou de lá.” A balada foi encerrada.

Os rapazes estavam acompanhados de mais quatro amigos heterossexuais. O bate-boca continuou do lado de fora. “A maioria dos alunos apoiou o DJ, que também é presidente do CA”, conta Góes. “Ele disse que pararia a festa se fossem um homem e uma mulher. Sempre vi rapazes beijarem meninas. Fomos ameaçados de processo por atentado ao pudor.” Góes afirma não ter havido excesso.

A Guarda Universitária foi chamada, mas, segundo os estudantes, os funcionários disseram que nada poderiam fazer. Góes e Lima, com o BO, afirmam que vão solicitar audiência na reitoria para questionar a conduta dos profissionais no trato com o público gay. A reitoria e a direção da Faculdade de Veterinária foram procuradas, mas, por causa do feriado do Dia do Servidor, não foram localizadas.

A direção do Centro Acadêmico Moacyr Rossi Nilsson informa que a festa foi interrompida porque os garotos exageraram no beijo. A entidade rebate a acusação de homofobia e diz que há estudantes homossexuais que freqüentam a entidade e nunca foram discriminados. Na semana passada, o CA procurou os rapazes para resolver o “mal-entendido”, mas não foi possível acertar um horário.

O estudante de doutorado em Literatura e membro do Corsa, uma ONG LGBT, Dário Neto, lamenta o episódio. Ele acompanhou os rapazes na Decradi. “O inquérito policial agora vai avaliar o caso. Com o BO, vamos solicitar uma comissão processante na Secretaria de Justiça, com base na Lei 10.948”, explica. A lei, estadual, pune administrativamente casos de homofobia.

O assessor de Defesa e Cidadania da Secretaria de Justiça, Dimitri Sales, explica que a entidade pode ser punida até com multa.

“O Estado tem poder de polícia. Quando virar processo, ouviremos as partes. A secretaria forma um juízo e aplica sanção ou isenta”, afirma. Em relação ao caso da USP, ele afirma que a homofobia é estrutural no País. “O preconceito está em todos os lugares, até em espaço de produção do conhecimento. A homofobia precisa ser combatida.”

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. oi! parabéns pela matéria. foi uma das poucas fontes de informação sobre o caso que encontrei na net. só uma coisa eu achei que faltou: a matéria não tem datas – diz hoje e sexta feira, e eu que já não estou mais ligada à comunidade da usp, nem a comunidades gay, fico sem saber onde e quando dar o meu apoio comparecendo ao beijaço…

  2. è complicado, preconceito “ainda” é frequente, por isso que demorou para regulamentar um lei especifica para agressões de homofobia


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