Nós mulheres merecemos uma vida sem violências

(fevereiro de 2009, carnaval em recife)

diária querida,
tomei um tapa na cara.
não viajei pra recife pra apanhar. acho que nenhuma mulher vai a lugar algum, ou fica em qualquer canto, pra apanhar (não gosto de generalizações mas acho que essa cabe). vim pra cá pra descobrir o maior carnaval popular do mundo, pra conhecer mulheres especiais, pra registrar feministas negras num vídeo de memória, pra fazer as pazes com meu coração partido, pra entrar no mar y pedir uma benção de Iemanjá.
vim pra conhecer os afoxés, pra dançar ao som do batuque, pra conhecer rainhas y reis de maracatu. vim pra ficar 2 horas embaixo de chuva esperando a cerimônia da Noite dos Tambores Silenciosos, que começava à meia-noite y, quando começou, rapidamente comecei a bolar, tive que ser arrastada pra dentro de um lugarzinho, tive que fazer um esforço mental gigante pra resistir ao transe porque ali não era um lugar muito apropriado.
vim pra ver mulheres tocando atabaques, vim pra andar atrás da percussão pelas ruas lindas de olinda, apesar do tanto de sujeira deixada no chão por “foliões/ãs” – se tirar o sexismo y a sujeira do carnaval, ele sobrevive? -, com suas casinhas coloridas. até a casinha amarela que eu tinha imaginado pra morar com a lou eu vi! velhas pernambucanas nas janelas, nas portas dançando ao som do batuque, entrando no bloco y dançando pela rua… foi pra isso que eu vim.
vim pra ver uma pernambucana querendo dançar quando o cara queria que ela fosse embora. vim e vi ele empurrando ela. vi e fui empurrá-lo de volta, gritando com uma força que eu nem sabia que tinha e que, de novo, me lembrou luana (até quando?), quando ela vinha me contar que tinha dado um soco num macho escroto no ônibus que ficou falando merda pra ela. e eu ficava “eita, lou, como você arruma essa coragem? acho que eu não ia conseguir!”
mas eu consegui. gritei com ele, que tava empurrando a mulher negra que queria dançar. ele veio pra cima de mim. ele veio com tanta raiva que me deu mais raiva ainda. então gritei mais, empurrei ele de volta, falei o que consegui no meio do barulho dos afoxés, da chuva, da conversa de todas as pessoas que tavam ali também mas decidiram não se intrometer. ele veio pra cima de mim e me deu um tapa na cara.
um cara de uns 20 y poucos, que tava perto, foi pra cima dele, então a partir daí virou uma briga de machos. eu tremendo de raiva. mas a mulher negra dançando!, como queria, na chuva, com os afoxés. deve ter durado uns 3 minutos a cena toda, ela deve ter ficado dançando uns 2 minutos. não tem como medir quantos minutos de dança alegre y liberta de uma mulher valem o tapa na cara de outra. ainda mais depois de pensar que, chegando em casa, ela ia apanhar dele.
porque depois da dança curta ela entrou com ele no ônibus. eu fiquei ali meio pasmada com tudo, meio orgulhosa de mim mesma, completamente puta de raiva ouvindo os disparates que o pai do cara que comprou a minha briga dizia pra ele: pra que vocês foram se intrometer? ainda com muita raiva, gritei de volta que uma tia minha tinha apanhado até a morte justamente porque o segurança do estacionamento resolveu não se intrometer.
lembrei também da luíza, que conheci lá no margarida – o programa do HRAN que atende mulheres em situação de violência doméstica -, dizendo uma vez que ela tava no meio da rua quando o marido a alcançou y começou a espancá-la. ela ficou gritando desesperada por socorro, mas o máximo que recebeu foi um vizinho fechando a janela pra não ver a cena. a luíza é uma mulher de mais de 50 anos, pequena, magra, fala baixinho…
mas ela disse que, depois do que passou, nunca deixou de se intrometer em briga nenhuma. “eu posso até apanhar junto, mas parto pra cima”. obrigada, luíza. isso me deu uma força gigante num dia que tinha começado lindamente, numa manhã de praia, em que eu fiquei horas no mar conversando com Iemanjá, declarando pro universo meus desejos y planos, minhas disposições… uma manhã que terminou abençoada por uma chuva de Iansã, assim que saí do mar.
Eparrei, Oyá.
eu passei o dia inteiro meio poliana depois dessa chuva na praia. com o coração novo. finalmente respirando sem aperto. até dormi à tarde, coisa que nunca acontece, um sono pesado de 2 horas cheio de sonhos. o que rolou à noite não serviu pra manchar meu coração de mágoas, não de novo. nunca mais! mas serviu pra me ajudar a nunca esquecer: os homens criados nessa cultura serão sempre potenciais espancadores, estupradores, assassinos.
a misoginia é parte fundante dessa sociedade. foi a partir de misoginia y racismo que a febre do capitalismo fabril consolidou o patriarcado que já tinha se erguido na caça medieval às bruxas (pra localizar mais perto). foi a partir de separação entre cultura y natureza, colocando os machos brancos do lado da cultura (dominadora) y as mulheres pretas y demais pessoas não-brancas do lado da natureza (a ser dominada), que essa merda toda se estabeleceu. isso é um pouco do que me deixa mais amarga, mas também é o que me dá um gás fodido pra lutar todos os dias até que isso acabe.
ou pra que, pelo menos, a gente viva de forma inteira apesar y contra y desde isso. pra dançar na chuva o tempo que quisermos!

 
Por Tate Ann
Published in: on 28/02/2009 at 13:10  Deixe um comentário  

Atrás do Afoxé só não vai quem já morreu!

Por Tate em Cotidiana
27 Fevereiro 2009

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diária,

informações toscas, rápidas, devidas à falta de acesso estável à internet. vim pra pernambuco durante o carnaval, com um projeto externo de filmar feministas negras: um registro de quem somos, o que estamos fazendo, quais nossos sonhos, desejos y planos pra destruir o patriarcado, y um projeto íntimo de superar uma ferida emocional com relação à cidade que tínhamos escolhido, eu y a preta, na época em que éramos um casal, pra morar.

acontece que era CARNAVAL. eu, desinformada que sou, só descobri que olinda/recife têm o maior carnaval popular DO MUNDO quando cheguei aqui. que susto. de ruim: muita gente gringa – com suas disposições coloniais toscas – muita sujeira, muita pobreza, muito sexismo, racismo a dar com vara. de lindo: muita festa, muita música negra, muita gente preta na rua, muita afirmação racial combativa, positiva, ancestral, resistente, muitas mulheres na luta y na folia (ao mesmo tempo!).

meio que sem querer encontramos um centro de referência da mulher – márcia dangremon, no centro de olinda. foi na noite em que chegamos, haveria um show do paulinho da viola ali perto. paulinho da viola é o único macho desconhecido que admito gostar publicamente, apesar de ter sim músicas machistas, como descobri infelizmente ouvindo um disco da clementina de jesus que é da mãe de floriana – “ana amélia” anotado de caneta azul no vestido da clementina. assim ninguém dá balão nos discos dela.

o centro é, basicamente, de combate à violência contra mulheres. dirigido por uma mulher negra maravilhosa – será que posso citar nomes? como tem a ver com a prefeitura, não vou registrar -, com uma equipe mista de mulheres negras ou não-negras, algumas que me pareceram entendidas (as pessoas se referem às sapatonas assim, aqui), ele funciona 24 com assistência jurídica, educacional, social y psicológica a mulheres em situação de violência sexista (conjugal ou doméstica como foco principal, se entendi bem).

elas iam fazer, dali a 2 dias, um arrastão de carnaval pelo fim da violência contra mulheres. ganhei uma camiseta no ato, que foi uma caminhada pelas ladeiras da belíssima olinda com uma banda tocando marchinhas clássicas de carnaval. era lindo porque, no caminhar do ato, muitas mulheres iam se juntando ao bloco. o carnaval aqui é assim, os blocos saem pela rua y as pessoas vão colando.

num outro dia fui à praia, uma mais afastada que não tivesse tubarões. fiquei meio bolada com isso por estar menstruada, porque mesmo estando com minha copa de luna, sei lá, vai que vaza né? enfim, fomos a um lugar chamado pontal de maracaípe. onde o rio encontra o mar! pense num lugar lindo, diária! é lá.

só que, de novo, muita gente gringa, muito playboy, muita sujeira, muito crescimento urbano desordenado, capitalismo voraz, poluição exacerbada… gente, cadê as escolas populares de permacultura y bioconstrução? isso é urgente! mas não, o que se vê é uma casona amarelinha y roxa, aparentemente muito bonitazinha, mas que joga o esgoto ali direto no “rego”. rego, eu aprendi com duas lindas olindenses adeptas do xangô – lindas mesmo. uma delas é fotógrafa! se tiver tempo, peço umas fotos dela pra ilustrar esse capítulo -, é como se chama o esgoto que fica a céu aberto.

enfim, muitas pousadas, muita placa em inglês, tudo muito caro, uns passeios absurdos até o lugar em que ficam cavalos-marinhos (y éguas marinhas, por supuesto), porque aí pegam as/os cavalxs marinhxs num vidrão pra mostrar pro gringo. aí o gringo bate palma, tira foto, dá um tapa na bunda da mulher negra que tá com ele, e gera divisas pro nosso país. “o brasil está vazio na tarde de domingo, né. olha o sambão, aqui é o país do futebol”. y todas essas bobagens.

eu só tenho orgulho de ser brasileira quando vejo meu prato de arroz, feijão y farofa. farofa de cebola. arroz integral. feijão roxo (que outras pessoas chamam de carioca), mas pode ser preto também (que devia ser chamado de carioca, afinal, é típico no rio de janeiro), desde que temperado pela mãe Fátima. receita de vó antônia. nunca consegui aprender, mas é simples que só: alho, sal, óleo, pimenta do reino. o processo tem suas mandingas, mas não é nada de secreto. só que o meu não fica igual.

em recife tudo tem vaca (ou boi) morto: charque. feijão com charque. arroz com charque. farofa com charque. é chato comer vegetarianamente aqui, se você quer comprar pronto. mas os mercados são baratos. eu trouxe de casa um pacote de arroz cateto, outro de lentilha, porque vim decidida a fazer a desintoxicação macrotiótica. como não sou macrobiótica nem devo nada disso a ninguém, tenho comido umas besteiras de vez em quando, mas basicamente tenho comido arroz com coco (aproveitando que tenho tomado muita água de coco). tá massa, tá ótimo, é uma delícia.

a dona da casa em que estamos hospedadas, querida Sônia Brasil, acha que eu tô passando fome, que ando comendo mal. ela é muito, muito querida mesmo. recebeu a gente emergencialmente – a outra casa em que íamos ficar furou -, mas com muito carinho, solicitude, alegria, conversas maravilhosas, uma cama de colchão duro. ela também ficou meio passada quando me viu dormindo no chão. isso não dei conta de explicar pra ela, como rolou com a dieta.

tatu, quando você voltar, vamos fazer a desintoxicação juntas. não é aquele sofrimento que imaginamos. é massa, poxa. a gente adora arroz integral.

muitas saudades das amigas. esse relato tá todo desencontrado porque as meninas tão prontas pra gente ir pra praia. então tô escrevendo nas coxa… mas numa dessas noites recebi uma ligação, de brasília, de uma guria que precisava de ajuda pra um assunto de muita importância. entendi na hora o que era. com a cpi do aborto, tá muito mais difícil do que já era, porque até falar por telefone é perigoso. eu tava em recife, duas das minhas parceiras pra vida tão fugidas pela américa do sul, as outras também tão sem contatos. senti saudade de vocês, amadas. alice, flores, tatu, flá, danú, luana, porra. que me deram chão. abrigo, amor, ombro, cuidado, compartilha, dádiva, segurança, comunidade-feminista-24-h-por-dia-onde-veganismo-tem-a-ver-com-feminismo-y-vice-versa.

sempre sinto saudade da luana. mas às vezes sinto mais. quando é esse tipo de saudade junta, então, é aterrador.

tô com medo de muitas coisas. essa viagem tá sendo uma loucura em termos de ficar pensando muito comigo mesma sobre minhas escolhas, minhas rupturas, meus laços, os afetos perdidos, os afetos mantidos, os afetos desesperados, os planos, o que fazer pra me sustentar, o que fazer pra não sustentar modos de vida racistas, sexistas, especistas, exploratórios, que exaurem a vida íntima, a vida compartilhada, a vida sequer imaginada (gente, o fundo do mar é outro mundo! a floresta é um sonho! eu nem fui lá mas eu sei. eu sinto.), a vida mais limpa, digna, sustentável y linda pela qual a gente tanto luta.

tenho me sentido tão conectada comigo mesma que dá medo. queria poder falar sobre isso com vocês. queria ouvir como vocês tão se conectando. como vocês tão. queria ouvir a voz de vocês, abraçá-las, sorrir juntas. sentar na varanda enquanto vocês fumam y ficar rindo da meia de llama da lou, que tem estampada uma llama usando uma meia de llama que tem estampada uma llama usando uma…

tenho sonhado muito com vocês. inclusive com quem eu não queria mais sonhar, nem encontrar. tenho olhado horas pro mar. reafirmei minha promessa pra Iemanjá, então meu cabelo tá essa coisa enorme, louca, sem corte aqui. encontrei Iansã. foi cabuloso! duas horas de chuva torrencial! TORRENCIAL! água que não acabava, enchendo a rua como um rio. na noite dos afoxés. meu corpo entendeu. separado, assim, da mente. agora elxs tão com essa mania de separação. isso é que dá, 500 anos de patriarcado colonial racista anti-transe. então minha cabeça era eu mesma, mas meu corpo não. dançava com os afoxés!

eu entendi que isso é que é carnaval. depois, vendo de relance o desfile das escolas de samba do grupo A do rio de janeiro, eu senti pena. pena de quem perde o lastro. pena de quem não tá saindo na rua batendo tambor porque tem uma ligação com uma casa de santx. pena de quem não viu o encontro dos maracatus. também embaixo de chuva! rainhas y reis vestidxs com panos nobres, não é fantasia não, gente. é 209 anos de Maracatu Elefante, o Rei mesmo disse: isso que você tá vendo não é uma fantasia, eu sou Rei!

então você dança. como nunca imaginou que sabia! então você entende que você tá conectada porque é preta, porque ali é uma rua onde pessoas pretas como sua bisavó foram vendidas, escravizadas, assassinadas. agora a rua é lavada com duas horas de chuva. Eparrei, Oyá!. mas a memória disso ninguém apaga. nem quer apagar. porque carnaval é uma festa da gente preta se lembrar com festa de nunca esquecer o que chorou. y seguir cantando!

aí quando o paulinho da viola, noites antes, cantou “a razão porque trago um sorriso / e não corro / é que andei levando a vida / quase morto / quero fechar a ferida / quero estancar o sangue / e sepultar bem longe / o que restou da camisa / colorida que cobria / minha dor / meu amor eu não esqueço / não se esqueça por favor! / que eu voltarei depressa / tão logo a noite acabe / tão logo esse tempo passe / para beijar você”, eu chorei.

chorei por amar a lou. por estar aqui sem ela na minha vida. por estar aqui. por ser quem eu sou. uma mulher negra sapatão aprendendo mais coisa do que imaginava que podia. y que segue dançando

Published in: on 28/02/2009 at 13:08  Deixe um comentário  

Aniversário da Katita

katitaA personagem lésbica de quadrinhos  Katita vai completar 14 anos em março.

Para comemorar, serão sorteadas 14 pessoas que receberão gratuitamente o gibi Humor e Malícia.
Basta escrever para o e-mail promocional
katitaniver@bol.com.br e aguardar.
No dia 08 de março, haverá o sorteio e quem ganhar vai ser comunicada por e-mail para indicar onde quer receber o gibi pelo correio. Quem morar em São Paulo, pode optar por retirar pessoalmente, em uma livraria participante da promoção.

Published in: on 27/02/2009 at 15:39  Deixe um comentário  

Projeto obriga uso de linguagem inclusiva nas leis brasileiras

Para Sandra Rosado, a igualdade linguística é uma forma de combate à exclusão feminina.

Proposta apresentada pela deputada Sandra Rosado (PSB-RN) determina que as leis produzidas no País terão que usar os vocábulos “homem” e “mulher” sempre que o texto se referir a pessoas de ambos os sexos. O objetivo do Projeto de Lei Complementar (PLP) 438/08 é introduzir a linguagem inclusiva de gênero na legislação brasileira.

O projeto altera a Lei Complementar 95/98, que estabeleceu os procedimentos para a redação das leis brasileiras. Segundo Sandra Rosado, sua proposta garante a igualdade linguística entre homens e mulheres nos textos oficiais. “Isso é uma forma de combate à exclusão das mulheres”, disse.

Exemplo
Um exemplo de aplicação do PLP 438 é o artigo Art. 1.011 do Código Civil. O dispositivo determina que os administradores das sociedades devem pautar seu comportamento com o cuidado que “todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus próprios negócios”.

Se o projeto da parlamentar já fosse uma lei na época da votação do Código Civil, a redação traria “homem e mulher” no texto.

Tramitação
O projeto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois segue para votação em dois turnos no Plenário.

Fonte:
http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=131388

Published in: on 27/02/2009 at 15:36  Deixe um comentário  

Divulgando

Nova página sobre e para mulheres lésbicas e bissexuais:

 http://www.tudosobreelas.com.br

 

Vídeo contra a Proposta 8 na Califórnia. Esta Proposta sugere incluir na Constituição da Califórnia que o casamento só se realiza entre homem e mulher anulando, assim, todos os casamento homossexuais realizados anteriormente.

http://sindromedees tocolmo.com/ archives/ category/ gblts/
 
Flirck: http://www.flickr. com/photos/ couragecampaign/ sets/72157611501 972510/show/
Published in: on 27/02/2009 at 15:34  Deixe um comentário  

Bloco do Beijo Livre Carnaval 2009

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Published in: on 23/02/2009 at 12:44  Deixe um comentário  

Câmara terá procuradoria para apurar violência contra mulheres

http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=131310

Rodolfo Stuckert
O presidente Temer colocará em votação a PEC que garante participação das mulheres na Mesa Diretora.

Em reunião com a bancada feminina, o presidente Michel Temer ouviu as reivindicações apresentadas pelas parlamentares.

A Câmara vai criar uma procuradoria para receber e encaminhar aos órgãos responsáveis denúncias de violência e discriminação contra a mulher. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo presidente da Casa, Michel Temer, à bancada feminina, em uma reunião que discutiu uma pauta de reivindicações das deputadas. A nova instância foi uma promessa de Temer feita durante a campanha que o levou ao comando da Casa.

A Procuradoria Especial da Mulher será criada por meio de um projeto de resolução, que foi apresentado à bancada. Além de receber as denúncias, a procuradora poderá fiscalizar e acompanhar a execução das políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades de gênero e até promover campanhas antidiscriminatórias de âmbito nacional.

Atualmente, as mulheres são mais de 50% do eleitorado brasileiro, mas são representadas por apenas 45 deputadas, menos de 10% do total de parlamentares.

Emenda
Temer concordou também em colocar em votação, na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de março), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 590/06, que garante a participação das mulheres na Mesa Diretora e nas comissões temáticas das duas Casas do Congresso. A PEC é de autoria da deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e ainda precisa passar por uma comissão especial.

Para cumprir o prazo prometido, Temer terá que negociar com os partidos a rápida instalação da comissão especial. Ao chegar ao plenário, os partidos também vão ter que concordar com a quebra de alguns prazos regimentais.

Vinculação
Pelo projeto de resolução apresentado por Temer, a Procuradoria Especial da Mulher será vinculada diretamente ao gabinete da Presidência e o cargo será ocupado por uma deputada indicada pelo presidente.

Para a deputada Sandra Rosado (PSB-RN), coordenadora da bancada feminina, o novo espaço dará mais visibilidade ao trabalho das deputadas e reforçará o aparato estatal em defesa da mulher. “É um avanço”, disse.

As deputadas pediram ao presidente que a procuradoria tenha um espaço específico dentro das dependências da Câmara e que a indicação da procuradora seja feita em cima de uma lista encaminhada pela bancada. Temer ficou de examinar as duas propostas.

Presença
Na reunião de Temer com a bancada, foram discutidas as reivindicações das deputadas para ampliar a sua presença política nos diversos fóruns da casa. Temer concordou com alguns dos pontos apresentados pelas parlamentares, como o aumento da indicação de mulheres para as presidências das comissões especiais e nas relatorias de projetos importantes.

A bancada sugeriu que, a cada 10 projetos ou comissões criadas, uma fosse destinada para uma parlamentar. “O que nós temos presenciado hoje é que os homens têm ocupado quase que totalmente os espaços da Casa”, disse Sandra Rosado.

As parlamentares manifestaram preocupação quanto à possível instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Aborto, que, segundo elas, poderá criminalizar as mulheres sem apresentar a devida solução para o problema.

As deputadas reivindicaram ainda a institucionalização da bancada. Na prática, seria como criar um “partido das deputadas”, o que lhes garantiria um espaço na Casa, com regimento e assessoria. Sandra lembrou que alguns países já fizeram isso, como Moçambique.

Published in: on 20/02/2009 at 21:24  Deixe um comentário  

TJ libera pílula do dia seguinte em SP, (19/2/2009)

Do Estado.com.br

Lei municipal em Jundiaí proibia a distribuição de contraceptivo de emergência; medida é inconstitucional

Simone Iwasso e Emilio Sant’Anna

O Tribunal de Justiça do Estado derrubou a lei que proibia a distribuição do contraceptivo de emergência – a pílula do dia seguinte – em Jundiaí. Por 21 votos a 3, os desembargadores consideraram a medida inconstitucional, por contrariar política federal de saúde pública. Sancionada em março passado, a lei foi questionada pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo.

Nos últimos anos, pelo menos outras quatro leis do tipo foram derrubadas no tribunal, criadas em Pindamonhangaba, São José dos Campos, Jacareí e Cachoeira Paulista com apoio de grupos religiosos. Em Ilhabela uma lei restritiva está em vigor. Em Pirassununga até o DIU, anticoncepcional usado em larga escala desde o início dos anos 1970, foi vetado. Mesmo assim, continuamos distribuindo, diz o prefeito de Pirassununga, Ademir Lindo (PSDB), contrário à lei.

São políticas com influências de grupos religiosos que privam a mulher de um direito. Privam até a mulher que sofreu violência sexual de evitar gravidez indesejada, diz a médica Lena Perez, coordenadora da área da saúde da mulher do Ministério da Saúde. O contraceptivo de emergência não é para ser usado continuamente, mas é importante quando outros métodos falham. O uso evita que a mulher se arrisque em aborto ilegal.

A médica perdeu a conta das batalhas que o ministério enfrentou com medidas municipais. Porto Velho (RO), São José do Rio Preto (SP), Maringá (PR), Londrina (PR) e Joinville (SC) tiveram projetos semelhantes, que foram arquivados, retirados para revisão ou vetados. Taubaté (SP) já teve moção de repúdio contra a pílula na Câmara Municipal. Maringá (PR) só tem aprovação para uso em serviços públicos que atendem casos de violência sexual. No Recife, a Igreja tentou impedir seu uso no Estado.

Se observamos o histórico do uso do contraceptivo de emergência no Brasil, vamos perceber a influência da Igreja Católica na política de saúde reprodutiva por meio dos vereadores , diz a diretora executiva da ONG Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), Margareth Arilha. O contraceptivo de emergência não é abortivo pois age antes da concepção.

CONFUSÃO

No julgamento de ontem, a discussão em torno do que é a pílula do dia seguinte marcou boa parte das apresentações. O relator da ação, desembargador Renato Nallini, defendeu a lei de Jundiaí, afirmando que considera o produto abortivo, e por isso o município estaria defendendo o direito à vida. Ele foi seguido por outros dois votos e contrariado por 21.

Apresentamos estudos científicos que mostram que a pílula do dia seguinte não é considerada produto abortivo. É um contraceptivo que impede que haja a ovulação, afirma a advogada Heloísa Machado, que representou a ONG Conectas, que pediu para fazer parte do processo.

Para a presidente da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, Maria José Rosado, as leis municipais revelam uma onda conservadora. A Prefeitura de Jundiaí preferiu não comentar a decisão do tribunal, alegando que se tratava de lei sancionada pelo prefeito anterior.

COMO FUNCIONA

Composição: O princípio ativo da pílula é o levonorgestrel que impede o encontro do óvulo com o espermatozoide

Orientação: O contraceptivo de emergência é distribuído nos postos de saúde apenas com orientação médica

Casos: A indicação da pílula não pode substituir o uso de métodos contraceptivos regulares, sendo restrita a situações excepcionais, como falha desses métodos,
violência sexual ou no caso de a paciente relatar a prática de relações sexuais sem proteção prévia.

 

Seminário Mulher e Literatura

Colegas, 

A  página do Seminário Mulher & Literatura já está no ar, por isso convidamos todos a acessar www.unp.br/mulherel iteratura/.
Em breve poderão fazer as inscrições e contamos com a vossa presença em Natal nos dias 2, 3 e 4 de setembro. Agradecemos que  divulguem o evento que está aberto a profissionais e pesquisadores que se interessem pelas questões de gênero.
Cordialmente,
Conceição  Flores
Coordenadora doevento

Published in: on 20/02/2009 at 21:19  Deixe um comentário  

Relatório da reunião sobre a viabilidade do Senale ocorrer no DF

coracao

Boa madrugada, companheiras!

 

Na terça-feira, 10/02/09, realizou-se na Casa Roxa – Centro de Referência LGBTTT do DF, uma reunião com mulheres lésbicas e bissexuais a fim de decidirmos se havia viabilidade em organizarmos o Senale no DF.  Foi feita 5 dias antes uma ampla convocatória, direcionada não só à mulheres lésbicas e bissexuais autônomas, mas a todos os grupos LGBTTT mistos e apenas de mulheres da cidade, bem como ONG’s feministas que atuam aqui no DF, como a Rede Feminista de Saúde, o CFEMEA, a Agende, etc.

 

Cerca de 30 mulheres compareceram, todas tendo assinado uma ata que encontra-se em posse de Andréia Augusta (integrante da Coturno de Vênus). Apesar da ausência das parceiras que mais esperávamos (as com experiência de longa data em militância, dos grupos organizados LGBTTT da cidade – à exceção da própria Sapataria e de integrantes da Coturno de Vênus – e das que propuseram apoio via lista Senale ou em oficina no FSM-2009), nos surpreendeu a presença de várias mulheres autônomas e militantes de outros Movimentos Sociais (como partidários, da Educação e de Assembléia Popular) que haviam recebido a convocatória e se propuseram a refletir sobre a pauta proposta.

 

Mesmo assim, depois da explanação do que é um Senale, de sua importância e magnitude, a maior parte das mulheres se sentiu desestimulada e/ou desarticuladas para tamanho evento. E, as que ainda insistiram na viabilidade desta organização, souberam admitir que com poucas companheiras se disponibilizando ao propósito, poderia ocorrer o que já ocorreu em outros Senale’s: enfraquecimento do movimento do DF e até mesmo pessoal das organizadoras.

 

Portanto, decidiu-se, mesmo sabendo dos prós em se fazer o Senale neste momento no DF, por NÃO REALIZARMOS, AO MENOS ESTA EDIÇÃO, DO SENALE.

 

Concordamos, mesmo com a dificuldade de locomoção, que o grupo de Porto Velho, que se propôs a organizar e sediar nosso encontro, deve fazê-lo.

 

Nos colocamos á disposição para maiores esclarecimentos e para colaborar com Porto Velho nesta empreitada.

 

Att,

 

Ludmila Gaudad

Sapataria – Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais do DF

 

 

Published in: on 18/02/2009 at 19:49  Deixe um comentário