Intervenção no CEFTRU (Homofobia na UnB)

Caros/as,

Cerca de quatro semanas atrás recebi uma reclamação sobre o Centro Formação de Recursos Humanos em Transportes (Ceftru). Os/As estagiários de um dos órgãos da UnB costumavam/costumam lanchar na lanchonete do Ceftru, visto que essa lanchonete é a mais próxima do órgão que estes/as estagiam. Entre estes/as estagiários/as há casais que vivenciam a homossexualidade e a lesbianidade e como qualquer casal, se manifestam afetivamente um/uma com o/a outro/a, porém isso não agradou ao Ceftru, tanto que o Ceftru enviou um representante ao órgão dos/as estagiários/as em questão para reclamar à coordenadora desse órgão que seus/as estagiários/as estavam agindo de maneira indevida na lanchonete do Ceftru e, que desagradava as pessoas que trabalham nessa instituição, que aquele ambiente não era espaço para esse tipo de “coisa”. Agora cabe perguntar, se fossem casais heteros a conduta seria a mesma? Enfim, esses/as estagiários/as tiveram que ouvir isso de sua coordenadora. Só que nós estamos em uma Universidade que diz respeitar as diversidades, logo iremos agir.

 

Decidimos no grupo KLAUS fazer uma intervenção no Ceftru, não faremos nada demais, mas se atos tão mínimos ofendem o Ceftru, cremos que nossa ação será o suficiente para o momento.

 

A idéia é de nos encontrarmos em frente à faculdade de saúde da UnB na próxima terça-feira, 28 de abril, as 12h15 e seguirmos ao Ceftru, onde faremos um encontro. Nesse encontro falaremos sobre algum tema relacionado à diversidade, gostaríamos que o tema fosse a criação do PROGRAMA DE COMBATE A HOMOFOBIA NA UnB, porém ainda precisamos do retorno de outras pessoas que estão pensando o programa para que seja o tema escolhido, caso não seja esse, encontraremos outro tema sobre diversidade.

 

O diferencial nesse encontro é que estaremos trocando gestos afetivos com pessoas do mesmo sexo (como abraços, segurar nas mãos, acariciar, selinhos, quem estiver com o namorado/a beijar na boca, ou quem quiser beijar na boca mesmo que não sejam namorados/as se sintam a vontade, rs).

 

Queremos verificar a resposta do Ceftru ao nosso grupo para que, se for necessário, agirmos dentro do âmbito acadêmico exigindo respeito e tolerância desse órgão.

 

Convidamos a todas/os para nos ajudar nessa ação, independente de estarem ou não em grupos organizados. Essa ação deve ser de todas/os aquelas/es que se incomodam com esse tipo de preconceito.

 

Contamos com todos/as para realizar essa ação.

 

Ponto de encontro: Em frente à Faculdade de Saúde da UnB (de lá partiremos para a lanchonete do Ceftru)

Horário: 12h15
Data: 28 de Abril, terça-feira.

 

Vamos lutar pela transformação de nosso espaço

 

 

Pretendemos que esse encontro dure até aproximadamente 13h45.

 

Abraços,

 

KLAUS – DIVERSIDADES

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Published in: on 27/04/2009 at 02:05  Comments (5)  
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5 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Inicialmente, gostaria de postar um esclarecimento. Trabalho no Ceftru e, apesar de não ter estado no momento em que os fatos ocorreram, obtive informações sobre o ocorrido.

    Gostaria de esclarecer que, pelo que fui informado, a advertência não ocorreu por conta da orientação sexual das pessoas envolvidas, e sim uma norma de conduta no ambiente de trabalho. Aqui, não é permitido ações mais íntimas entre as pessoas que frequentam o centro. Os colaboradores são orientados a se restringir a relações adequadas a um ambiente de trabalho formal quando nas dependências do centro. Eu mesmo já fui advertido quando minha namorada trabalhava junto comigo aqui e, vez ou outra, andávamos de mãos dadas ou nos beijávamos em público. Portanto, não foi uma ação homofóbica, mas sim, uma advertência sobre a incompatibilidade do comportamento e as normas do ambiente de trabalho.

    Vale para todos nós!

    • Olá, Marcos!
      Obrigada por frequentar o nosso blog e sinta-se sempre à vontade para apontar suas considerações acerca de nossos posts.

      Pois bem, a primeira coisa que temos que nos questionar é se tal conduta de “proibição ao namoro” ou a trocas afetivas estavam prescritos no estatuto do órgão. Afinal, faz parte de uma política da Universidade de Brasília um posicionamento de respeito e tolerância à diversidade, sendo assim permeado de um compromisso ético-político com as causas relacionadas e visa o estabelecimento de esforços para a concretização dos Direitos Humanos aos grupos sociais, logo, se de fato for o posicionamento da CEFTRU de deixar que pessoas Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros expressem-se de forma limitada, tanto individualmente quanto com amigos(as) ou namorados(as), este órgão fere um comportamento institucional maior, isto é, da própria UnB.

      Cabe uma pergunta essencial: Haveria o mesmo trajeto de ações ali verificadas caso fossem um casal heterossexual que trocasse carícias afetivas? Mesmo sendo namorados ou apenas amigos(as)?

      Por conta do entendimento que nenhum órgão que é sediado dentro de uma Universidade Federal pode ir contra os princípios da própria Universidade, foi sim realizado o Ato no Ceftru, organizado pelo Klaus, que é um grupo universitário organizado politicamente e sediado dentro da UnB, portanto, com o devido reconhecimento institucional.

      Do ato ficou decido formular uma Carta descrevendo o ocorrido e cobrando por ações efetivas que mudem o quadro apresentado, ou seja, sendo vislumbradas atitudes da reitoria para que esses contextos não mais se repitam e que seja esse processo iniciado por uma postura ativa da reitoria com esse caso em especial na CEFTRU. Esta Carta encontrar-se-á em anexo a um memorando a ser encaminhado via Assessoria de diversidade e apoio aos cotistas – ADAC, uma vez que este órgão presta-se a assuntos de diversidade.

      Att,

      Ludmila Gaudad

      • Bem Ludmila,

        posso afirmar que a advertência seria dada a qualquer casal (quer hetero ou não). Como comentei, sou hetero e já fui advertido. Entendo que a troca de carícias afetivas é incompatível com o ambiente de trabalho. Desconheço qualquer empresa ou órgão público que permita que seus funcionários fiquem trocando carícias no ambiente de trabalho.

        Portanto, o caso não se configura enquanto ação discriminatória, mas apenas uma ação normativa quanto a forma de conduta em ambientes profissionais, que trata igualmente as pessoas independentemente de sua orientação sexual.

        Gostaria de deixar claro que não fui responsável, tampouco presenciei o ocorrido. Estou apenas manifestando um pensamento motivado pela percepção que a interpretação dada à advertência foi equivocada, uma vez que já fui advertido em situação semelhante, mas compreendi as motivações que levaram à advertência.

        Cordialmente,
        Marcos

      • Caro Marcos,

        estamos falando da lanchonete de uma Universidade, não apenas de um órgão público qualquer. E, ainda, pessoas que não trabalham no Ceftru frequentam esta lanchonete.

        Fora isso, precisamos ter mais cuidado com alguns relativismos. Moramos no país que mais assassina homossexuais por homofobia no mundo! Não para dizer apenas que as normas existem independente de orientação sexual…

        Att

  2. Também trabalho no Ceftru, e a 6 anos.

    Como ele citou, casais héteros também são instados a manterem certa postura no centro. A idéia é haver um ambiente profissional. Inclusive não há contratação de parentes justamente para evitar-se disse-me-disse.

    Tem pelo menos 3 ou 4 casais por lá e nenhum fica de namoro ao longo do dia. A recomendação é estendida a todos.

    Ao longo da história do centro houve pessoas de opção homossexual e isto nunca nem restringiu seu acesso nem mesmo ascensão na distribuição de atividades.

    Interessante a luta deste blog, mas vale a pena maior averiguação dos fatos.


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