A infantaria antiaborto

CARTA CAPITAL | SEU PAÍS 06/08/2011

DESDE O FIM da ditadura, a pauta antiaborto nunca esteve tão forte no Congresso. Ao todo, há 30 projetos de lei que, entre outras medidas, pedem a inclusão do aborto no rol de crimes hediondos, o endurecimento das penas aplicadas às mulheres que interrompem a gravidez ou aos profissionais de saúde que as auxiliem, bem como a oferta de pensão à mãe que abdicar do direito de abortar em caso de estupro ou o reconhecimento da vida desde a concepção, o que, em tese, inviabiliza as pesquisas com células-troco embrionárias,liberadas pelo Supremo Tribunal Federal em 2008.

Na outra ponta, apenas um projeto prevê uma legislação mais branda. Apresentado em 2004, ele admite o aborto em caso de anomalia fetal, tema sobre o qual o STF deve se pronunciar antes do Legislativo. Nenhuma proposta prevê o abortamento sem restrições dentro de determinado tempo gestacional, como ocorre nos Estados Unidos e na maioria dos países da Europa Ocidental.

 

Além disso, após a conturbada eleição de 2010, o governo federal decidiu retirar-se de qualquer discussão sobre mudanças no marco regulatório “A sociedade brasileira não amadureceu o debate sobre o tema e não faz sentido propor mudanças na lei a favor da descriminalização do aborto. Tampouco vamos compartilhar de qualquer agenda que proponha endurecimento de penas ou reforce a lógica punitiva”, diz o secretário nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães. “Nosso foco é investir no planejamento familiar e orientar a rede pública a oferecer atendimento humanizado às mulheres que abortaram, independentemente de a prática ter sido legal ou não.”

Diante do avanço da agenda conservadora, pesquisadores e movimentos feministas organizam um abaixo-assinado contra o que chamam de “retrocesso em matéria de direitos sexuais e reprodutivos”. Questionam, sobretudo, a tentativa de acrescentar ao artigo 5° do texto constitucional a expressão “desde a concepção” na parte que trata da inviolabilidade do direito à vida. A iniciativa, avaliam, “pode criar barreiras desnecessárias para o acesso à contracepção e à anticoncepção de emergência.”

A medida está contemplada no projeto do Estatuto do Nascituro, que prevê a possibilidade de o Poder Executivo conceder pensão à mãe que mantenha a gravidez decorrente de estupro até que o filho complete 21 anos. O texto, relatado pela deputada Solange Almeida (PMDB-RJ) na Comissão de Seguridade, encontra-se agora na banca de Finanças. “A sociedade está dizendo que não aceita o aborto”, observou a relatora.

 

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro preparou, porém, um parecer contrário ao projeto para apresentar ao Congresso em breve. “A proposta atropela princípios ético-jurídicos e legitima a violência contra a mulher, ao se propor que ela seja “paga” pelo Estado para ter um filho gerado por estupro”, diz Maíra Fernandes, presidente da comissão de bioética da OAB-RJ.

De acordo com Sônia Corrêa, pesquisadora associada da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, as iniciativas não são novas. Em 1988, grupos conservadores haviam tentado, em vão, incluir no texto da Constituição a “inviolabilidade do direito à vida desde a concepção”. Em1995, a bancada religiosa apresentou proposta de emenda constitucional para, outra vez, tentar criminalizar o aborto em qualquer circunstância. A PEC foi rejeitada em abril de 1996, com 351 votos contra e 33 a favor. Em 2003, o ex-deputado Severino Cavalcanti fez nova proposta com teor semelhante, arquivada em 2007. “Parlamentar escatólicos, evangélicos e espíritas se unem nessa pauta e, a cada legislatura, reapresentam projetos outrora rejeitados”.

Entre 2004 e 2005, o presidente Lula encampou o debate com a formação de uma comissão tripartite, com representantes do Executivo, do Legislativo e da sociedade civil. O comitê propôs uma legislação que permitia o aborto até os três primeiros meses de gestação. Desgastado com as denúncias do mensalão, o governo recuou na hora de apresentar o texto ao Congresso. Coube à deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) bancar a proposta na forma de projeto substitutivo, que acabou arquivado.

“A lei pretende inibir o aborto, mas isso não ocorre na prática. Trata-se de uma política criminal inócua.A mulher interrompe a gravidez de qualquer jeito, em clínicas clandestinas ou sozinha. Isso expõe a mãe a riscos desnecessários, sobretudo as mais pobres”, comenta o advogado Pedro Abramovay, secretário nacional de Justiça à época em que o projeto foi apresentado.

Todos os anos, o Sistema Único de Saúde interna mais de 200 mil mulheres para realizar curetagens ou tratar complicações decorrentes de abortos, boa parte deles, senão a maioria, por procedimentos não autorizados pela lei. Os abortos mal-sucedidos matam 3,4 mulheres para cada 100 mil nascidos vivos e são uma das cinco principais causas de morte materna do País. Além disso, estudo da Universidade de Brasília (UnB), divulgado em 2010, revela que uma em cada cinco brasileiras já abortou na vida. Dentre elas, 29% têm mais de 30 anos, 64% são casadas e 81% têm filhos.

“Até quando vamos fingir que esse problema de saúde pública não existe?”, pergunta a advogada Beatriz Galli, integrante do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher. “Hoje, em Mato Grosso do Sul, continuam a ocorrer mais de mil processos contra mulheres que realizaram abortos desde o estouro de uma clínica clandestina em 2007, todas ela perseguidas após a polícia violar o sigilo dos prontuários médicos.”

A persistência dessa lógica punitiva, avalia Galli, representa um descumprimento de acordos assumidos pelo Brasil, como as diretrizes aprovadas pelas Nações Unidas nas Conferências do Cairo (1994) e de Pequim (1995), nas quais os países assumiram o compromisso de encarar o aborto como tema de saúde pública e de rever as leis punitivas. Hoje, 61% da população mundial vive em nações que preveem o aborto sem restrições até certo período da gestação, segundo o Center for Reproductive Law and Police.

Com o crescimento da bancada religiosa no Congresso – que aumentou sua representação em mais de 50% nas últimas eleições -, a perspectiva de legalização do aborto está distante.”A Frente Parlamentar em Defesa da Vida está inundando a Câmara de projetos retrógrados para evitar qualquer ampliação do debate. A verdade é que os deputados mais progressistas se sentem até acuados, porque somos rotulados como assassinos por muitos colegas”, reclama o deputado Dr. Rosinha (PT-PR). “Sou cristão e contra o aborto. Mas não faço legislação para mim.

“A esperança, agora, é com o avanço desse debate nos demais países da América Latina. A Cidade do México liberou o aborto recentemente. A Argentina está prestes a votar uma legislação mais permissiva. Espero que o Brasil siga o exemplo dos países vizinhos e pare de criminalizar as mulheres”, avalia Maria José Rosado, da ONG Católicas pelo Direito de Decidir.

Série de Medidas para combater as DSTs/Aids

Do Correio Braziliense

Uma série de ações foram adaptadas à realidade do Distrito Federal para diminuir a transmissão do vírus HIV e aumentar a conscientização entre gays e travestis. O Plano Distrital de Enfrentamento da Epidemia de AIDS e outras DSTS será apresentado à equipe técnica do Ministério da Saúde às 8h de hoje, no auditório do Hospital Dia – Unidade Mista de Saúde da Regional Sul, EQS 508/509. Dentre as medidas está a realização de cursos e oficinas de sensibilização, construção de um sistema de denúncias contra a violência aos direitos humanos e produção de material impresso, para nortear as ações de combate às DSTS/AIDS.

1º Seminário Internacional Política de saúde e a epidemia da Aids. Determinantes sociais no Brasil e África do Sul

CONVITE:
1º Seminário Internacional Política de saúde e a epidemia da Aids. Determinantes sociais no Brasil e África do Sul – 17 de junho de 2009 – Anfiteatro do CCSA- UFPE. Realização: CNPQ/ DSS – UFPE/ Universidade de Cape Town – UCT/ Fórum de Mulheres de Pernambuco/ Articulação Aids de Pernambuco/ Rede Feminista de Saúde/ Gestos Soropositividade, Comunicação & Gênero.

Para avançar no conhecimento sobre essa questão no Brasil e na África do Sul, parte-se dos determinantes econômicos, políticos e sociais, procurando entender como são construídas respostas para uma epidemia como a Aids, e como se configuram as políticas de saúde nos dois países que, segundo nossa perspectiva, acabam por reforçar as desigualdades economicas, de gênero e de raça.

Importa discutir, na perspectiva dos/as pesquisadores envolvidos/as as determinações econômicas, políticas, sociais e éticas da epidemia de Aids, para além dos aspectos clínicos.

Uma epidemia como a Aids expõe a exploração e a opressão, decorrentes das relações capitalistas, no que se refere à cura ou a vivência com HIV que depende, em grande medida, da indústria farmacêutica. Revela, também, a manutenção da exploração e da opressão, decorrentes das relações patriarcais, na medida que a prevenção é associada à normatização e controle da sexualidade, pela igreja, pelo Estado ou pelas famílias.

O seminário articula universidade e movimentos sociais no enfrentamento à Aids, e em defesa do direito à saúde.

Esperamos contar com apresença de vocês!

Abraços

Solange Rocha

msolgrocha@gmail.com

skype: msolangegrocha

Published in: on 30/05/2009 at 10:56  Deixe um comentário  
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AIDS e o tratado Lula-Ratzinger

Jornal Zero Hora, Porto Alegre, 13/04/2009, p. 14.

Roberto Arriada Lorea
Juiz de Direito-Doutor em Antropologia Social (UFRGS)

A recente viagem do papa ao continente africano suscitou a indignação da comunidade internacional. Em um continente devastado pela epidemia da AIDS, Ratzinger orientou os fiéis a não utilizarem o preservativo. Sua atitude foi classificada como irresponsável pelo Ministério da Saúde da Alemanha.

Felizmente, no “maior país católico do mundo”, a política do Ministério da Saúde está centrada na prevenção da transmissão do HIV por meio do uso do preservativo. Nas últimas décadas, consolidou-se uma cultura orientada para o sexo seguro e prazeroso, sem discriminação quanto às distintas práticas sexuais. Sob o comando de diferentes governos, consolidaram-se políticas públicas cuja eficácia transformou o Programa Nacional de AIDS em referência internacional para a prevenção e tratamento da epidemia.

As políticas públicas baseadas no sexo seguro contrariam a orientação do papa, mas contam com a maciça aprovação dos católicos brasileiros. Segundo pesquisas de opinião realizadas pelo IBOPE, a maioria (97%) da população católica brasileira aprova o uso do preservativo. De resto, em sociedades democráticas não cabe ao Estado fomentar doutrinas religiosas, o que torna irrelevante o fato de o papa aprovar ou não o uso do preservativo.

Está cientificamente demonstrado que o preservativo é eficaz no combate ao HIV. Nesse contexto, torna-se louvável a iniciativa de disponibilizar preservativos nas escolas públicas brasileiras, visando conter a expansão da AIDS entre adolescentes, a exemplo do que já acontece na rede pública de ensino de outros países.

Contudo, no Congresso Nacional tramita uma ameaça de retrocesso que precisa ser rechaçada de forma contundente. Trata-se de um tratado internacional que, entre outras violações à laicidade do Estado, impõe a catequese de Ratzinger na escola pública, contrariando a Ciência e afrontando a cultura brasileira do sexo seguro. Conseqüentemente, por razões de saúde pública, deve ser rejeitada a Concordata. Caso contrário, o Ministério da Saúde abastecerá as escolas públicas com máquinas que disponibilizarão preservativos para estudantes religiosamente doutrinados a não utilizarem preservativos, conduzindo-os a práticas sexuais inseguras que os tornarão mais vulneráveis à contaminação pelo HIV.

Ativistas dizem que Papa está equivocado ao falar que preservativos agravam epidemia da Aids

Ratzinger, o Papa equivocado19/03/2009 – 13h45

Um dos dogmas da Igreja Católica prega que o Papa é infalível. Ou seja, que o pontífice nunca se engana. Alguns ativistas do movimento de luta contra a Aids no Brasil discordaram, na manhã desta quinta-feira (19/03), explicitamente desse preceito. Para eles, o Papa Bento XVI errou ao dizer que a camisinha agrava a epidemia provocada pelo vírus HIV. “A Aids é uma tragédia que não pode ser resolvida apenas com dinheiro, que não pode ser resolvida com a distribuição de preservativos, que inclusive agrava os problemas”, declarou o pontífice na última terça-feira (17/03), no início da sua viagem pela África, o continente mais afetado pela Aids (saiba mais). “É uma declaração bem equivocada”, avaliou Rodrigo de Souza Pinheiro, presidente do Fórum de ONG/Aids de São Paulo. Na opinião de Marco Aurélio Silva, integrante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+), o Papa, ex-cardeal Joseph Ratzinger, está “totalmente equivocado.”

Embora tenham manifestado indignação com as palavras do Papa Bento XVI, nem todos os ativistas do movimento de combate ao HIV se surpreenderam com a fala do pontífice. “É o posicionamento da Igreja Católica. Mais uma vez é um posicionamento equivocado”, disse Rodrigo de Souza Pinheiro. “A gente não podia esperar outra coisa deles”, acrescentou o presidente do Fórum Paulista de ONG/Aids.

“É um desserviço”, considera Marta McBritton, presidente do Instituto Cultural Barong. “Cientificamente não há dúvida sobre a eficácia do preservativo”, ponderou.< Para ela, a “terrível” declaração do Papa merece “uma reação imediata”. Marta disse que o momento pede uma manifestação de repúdio e chegou a sugerir um protesto na frente da Catedral da Sé de São Paulo. No ato, os ativistas iriam distribuir camisinhas.

“A gente vê com preocupação isso”, admite Marco Aurélio Silva, referindo-se à fala do Papa. Ele também entende que o Vaticano se afasta cada vez mais do cidadão comum. O ativista acredita que mesmo entre aqueles que se consideram católicos, há muita gente que não segue a orientação papal de não utilizar a camisinha em relações sexuais.

“O Papa está fazendo o papel dele em relação à doutrina pragmática da Igreja Católica. No Brasil, a fala dele não representou nenhum impacto, porque desde que surgiu a Aids sempre falamos abertamente sobre o uso de preservativos”, diz Sônia Correia, pesquisadora associada da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids. “Se fizermos uma pesquisa, vamos comprovar que o brasileiro considera absurda a posição do Papa”, continua Sônia. “Mas nos países em que não há um discurso aberto sobre uso da camisinha isso deve representar um impacto maior.”

Alessandra Nilo, ex-presidente da ONG Gestos (Soropositividade, Comunicação & Gênero) se diz preocupada com o que chama de falta de responsabilidade do Papa. “Fico pensando o que essa fala pode causar na vida das pessoas que não têm informações e são católicas dogmáticas como ele.”

Ela conta que na África há grupos organizando manifestações contra as declarações do Papa. “Ele está andando de costas para o progresso da ciência e para a própria sociedade. Hoje existem organizações cristãs que apoiam e incentivam o uso do preservativo.”

Alessandra chama a atenção para o fato de a declaração ter sido feita pelo Papa logo após a excomunhão dos médicos que fizeram o aborto da menina de nove anos, estuprada pelo padrasto e que ficou grávida de gêmeos no Brasil. “Isso mostra que a igreja fecha os olhos para a sociedade.”

Léo Nogueira

Saiu nova revista da IPAS – Saúde Sexual e Reprodutiva

Já está disponível na web a nova edição da Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva de Ipas Brasil. Acesse a edição completa CLICANDO AQUI.

Abaixo você encontrará o Editorial com links para algumas seções da revista. Para ter acesso as publicações anteriores, acesse “Revista Eletrônica” no site do Ipas Brasil no endereço: http://www.ipas.org.br

Editorial

O caso da menina de 9 anos de Alagoinha, em Pernambuco, teve grande repercussão mundial na mídia nacional e internacional, pela sua dramaticidade, já que tratava-se de uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto que estava grávida de gêmeos. O Ipas Brasil colaborou na divulgação de dados sobre a violência sexual e sobre o impacto da ilegalidade do aborto na saúde das mulheres nas cidades de Recife e Petrolina, conforme consta no Dossiê elaborado por Ipas Brasil, Curumim e Cfemea. Ipas também divulgou a pesquisa qualitativa com 20 mulheres que passaram pela experiência do aborto previsto em lei que foi conduzida no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, onde 43% dos atendimentos diários se referem a meninas com menos de 12 anos que engravidaram depois do estupro.

Expressamos neste número da Revista a nossa admiração pela coragem e determinação dos profissionais de saúde do CISAM, Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, em especial ao Professor Carlos Calado, Reitor da Universidade de Pernambuco (UPE); que cumpriram com os seus deveres ético profissionais e garantiram a aplicação da lei protegendo os direitos humanos da menina de Alagoinha. Divulgamos AQUI a carta de solidariedade da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) para coleta de assinaturas em apoio e solidariedade aos profissionais desse serviço.

Na ocasião do Dia Internacional da Mulher, no âmbito internacional, Ipas apresenta uma prévia do documentário “Not Yet Rain “ou “Ainda não é chuva” através de um site promocional com trailer (em inglês). O documentário, que tem previsão para ser lançado no próximo mês, fala sobre a situação reprodutiva das mullheres na Etiópia por meio das vozes e entrevistas com as mulheres daquele país. O documentário mostra que, apesar da mudança legislativa que ampliou o acesso ao aborto seguro no país, na prática, o acesso das mulheres aos serviços de saúde ainda é insuficiente. Além disso, mais ações poderiam ser feitas para melhorar a formação e o treinamento de profissionais de saúde.

Esperamos que a data gere outras iniciativas que estimulem novos debates para novas conquistas, em especial para a saúde e para os direitos sexuais e reprodutivos da mulher brasileira. Para isso, contamos, ainda, com a sua participação e divulgação do site da campanha “Criminalizar o aborto resolve? Vai pensando ai” no http://www.vaipensandoai.com.br. A emissora de televisão Rede Record, também merece destaque por exibir o video de responsabilidade social a favor do direito da mulher decidir pelo seu corpo (disponível também no YouTube).

Ainda como referência ao Dia Internacional da Mulher, é com orgulho que informamos a homenagem de reconhecimento para a Diretora Leila Adesse na ocasião dos 25 anos do PAISM (Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher), durante o Seminário Nacional da Mulher e Cairo+15, em Brasília. Agradecemos a homenagem entregue pelo Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e esperamos continuar contribuindo com a melhoria da saúde reprodutiva da mulher brasileira. Em especial, fortalecendo a atuação dos profissionais das áreas da Saúde e do Direito na atenção em saúde e na garantia dos direitos humanos das mulheres no Brasil e na região.

Muito obrigada
Leila Adesse
IPAS BRASIL

Para a edição completa – Março 2009, clique aqui.

A camisa que o Papa veste

Saiu no Jornal da Tarde (SP), no domingo (29/03).

Maria Cristina Pimenta
DOUTORA EM SAÚDE COLETIVA E COORDENADORA GERAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA INTERDISCIPLINAR DE AIDS (ABIA)

A recente declaração do papa Bento XVI de que a promoção do uso e a distribuição de preservativos não contribuem para o controle da epidemia de HIV/aids, mas, sim, para o seu crescimento, não tem embasamento científico.

Existem inúmeros estudos no Brasil e no mundo sobre a eficácia dos preservativos na prevenção das doenças sexualmente transmitidas (DSTs), inclusive na Organização Mundial da Saúde (OMS) e no Programa das Nações Unidas (PNUD). Todos comprovam cientificamente que o uso do preservativo é o método mais eficaz para impedir a transmissão do vírus durante uma relação sexual, bem como demonstram os resultados positivos da aplicação de estratégias de prevenção que promovem o uso da camisinha.

Os estudos clínicos das “novas tecnologias preventivas” – como a vacina anti-HIV, os microbicidas e as terapias de profilaxia pré-exposição – ainda estão em andamento e não são conclusivos. Enquanto isso, o uso correto e consistente do preservativo permanece como método principal de prevenção da transmissão do HIV e de outras DSTs como, por exemplo, a sífilis e a hepatite B.

Os dados do Ministério da Saúde mostram que temos hoje aproximadamente 630 mil pessoas infectadas pelo HIV no País e que 200 mil estão em tratamento. Caso o Brasil não tivesse adotado uma política de prevenção e assistência integral que incluísse a promoção do uso e acesso gratuito ao preservativo durante as últimas décadas, teríamos hoje, de acordo com as estimativas realizadas por especialistas do Banco Mundial no início dos anos 90, duas vezes mais o número de infectados. A estimativa era de que no ano 2000 o Brasil tivesse aproximadamente 1 milhão e 200 mil pessoas infectadas.

Claro que a promoção do uso da camisinha não deve ser uma ação isolada, mas combinada com informação sobre formas de redução de risco de infecção, promoção à saúde, serviços de diagnóstico e tratamento e ações de combate ao estigma e à discriminação de pessoas que vivem com HIV e aids.

A camisinha sempre deve estar presente nas ações preventivas, já que sabemos que existem outras formas de transmissão do HIV, mas que a principal forma é a via sexual.

Assim, não podemos aceitar que em pleno século 21 ainda existam posições ideológicas e barreiras religiosas que dificultem e impeçam as políticas de saúde pública consistentes e com dados cientificamente comprovados, como o uso do preservativo. São essas posições que contribuem para o crescimento desenfreado da epidemia e para a morte de milhões de pessoas. É lamentável que a Igreja Católica não tenha evoluído com a historia e a ciência do povo a que pertence.

Foto de Ratzinger usada para estampar camisinhas

Do Estado de São Paulo, 25/3/2009

O Pontíficie rejeitou o uso da camisinha para combater a Aids em declarações dadas durante sua recente viagem à África

bento xvi

Em Paris, uma empresa fabricou preservativos cujas embalagens trazem impressa a imagem do papa Bento XVI e a frase “eu disse não!”. Os produtos foram confeccionados para criticar a postura do Pontífice de rejeitar o uso da camisinha para combater a Aids em declarações dadas durante sua recente viagem à África.

No último dia 17, em vista a Yaoundé, Bento XVI afirmou que a doença não pode ser combatida somente com dinheiro – apesar de ter destacado que os investimentos para lutar contra a Aids são necessários -, nem “com a distribuição de preservativos, que, ao contrário, aumentam o problema”.

Com Agências internacionais

SAÚDE EM REDE – Rebrip lança campanha contra a Aids

Postado por Jandira Queiroz

O Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI) da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip) lançou ontem (1/12) uma campanha de mobilização em defesa do acesso universal aos medicamentos utilizados no tratamento da Aids. As informações estão no site www.saudeemrede.org.br, onde é possível preencher um formulário e enviar mensagem para os principais tomadores de decisão política do país neste assunto. Veja abaixo o que é a idéia da campanha. Aproveite e clique na imagem para participar!!

A Rede do Circo Garante a Vida do Trapezista.
Seu Acesso a Rede pode Garantir a Vida de Muitos.

mica_trapezistaRespeitável Público

O Brasil é um dos poucos países do mundo que possui um programa de acesso universal e gratuito a medicamentos para todas as pessoas que vivem com HIV/AIDS. Porém, devido a abusos do sistema de patentes este programa pode estar com seus dias contados, afetando o direito à saúde e à vida de milhares de pessoas. Um medicamento patenteado pode chegara R$ 30 mil por paciente por ano. Se esse cenário for mantido não serão apenas as pessoas vivendo com HIV/AIDS que serão afetadas, mas todo o sistema público de saúde!
Você não pode ficar parado diante deste espetáculo de interesses financeiros.

Entre nessa rede conosco e ajude a salvar a rede que garante milhares de vidas.

A moda na luta contra o HIV

Informado por Carlos Tufvesson em 26/11/2008

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Aconteceu hoje no Palácio da Guanabara, a coletiva da Campanha “A Moda na Luta Contra O HIV”
A campanha, criada há 7 anos pelo estilista Carlos Tufvesson, em função do dia 1° de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a AIDS – que este ano completa 20 anos de existência – tem o intuito de dar auxiliar na visibilidade da campanha de prevenção a AIDS e DSTs. Em seu discurso, Carlos ressaltou: “Queremos informar de maneira clara e sem dogmas, como cabe em casos de saúde pública, que a cura não existe e a única maneira tecnicamente comprovada de se evitar o contágio, seja por HIV ou outra doença sexualmente transmissível, é pelo uso do preservativo. A desinformação e a contra informação, são grandes responsáveis pela contaminação de uma pessoa. A volta do crescimento nos índices de contágio, antes estabilizados, é um sinal da importância da visibilidade em uma campanha de prevenção. Não existe um grupo de risco e sim um comportamento de risco. É preocupante o crescimento nos índices de contágio especialmente nos jovens, mulheres heterossexuais e nos cidadãos da terceira idade – tema da campanha do Ministério da Saúde deste ano.”

radical-chicA apresentadora Angélica e as atrizes Lavinia Vlasack e Cristiane Torloni posaram para a campanha que tem a Radical Chic feita especialmente por Miguel Paiva para a campanha.

No ato, o Governador Sérgio Cabral abraçou a campanha e assinou um convênio para o repasse de uma verba de R$ 30.000,00 por mês, destinada a Sociedade Viva Cazuza que vinha passando por dificuldades financeiras.

A coletiva contou com a presença do prefeito eleito Eduardo Paes afirmando o seu compromisso com a campanha em seu governo, o secretário de Saúde Sérgio Côrtes declarou a importância da participação do segmento da moda como pulverizador de informação sobre a prevenção para a doença, e ressaltou que outras campanhas como esta devem ser apoiadas pelo governo.

Participaram do ato o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) a Dep Cida Diogo (PT-RJ), Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, presidente da FIRJAN patrocinadora da campanha, além de personalidades do mundo da moda como Oskar Metsavaht, Maria Oiticica, Regina Coelho entre outros.

As grifes participantes em 2008 são: Antonio Bernardo , Basthianna, Bianca Marques , Blue Man, Carlos Tufvesson, Casual Street, Dautore, Espaço Fashion, Farm, Lee Loo, Lenny, Limits, Manufact Mara Mac , Maria Bonita Extra, Maria Oiticica , Mixed, Natan, Osklen, Redley, Regis Coelho, Reserva, Teodora, Via Flores e Wöllner