Saiu nova revista da IPAS – Saúde Sexual e Reprodutiva

Já está disponível na web a nova edição da Revista de Saúde Sexual e Reprodutiva de Ipas Brasil. Acesse a edição completa CLICANDO AQUI.

Abaixo você encontrará o Editorial com links para algumas seções da revista. Para ter acesso as publicações anteriores, acesse “Revista Eletrônica” no site do Ipas Brasil no endereço: http://www.ipas.org.br

Editorial

O caso da menina de 9 anos de Alagoinha, em Pernambuco, teve grande repercussão mundial na mídia nacional e internacional, pela sua dramaticidade, já que tratava-se de uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto que estava grávida de gêmeos. O Ipas Brasil colaborou na divulgação de dados sobre a violência sexual e sobre o impacto da ilegalidade do aborto na saúde das mulheres nas cidades de Recife e Petrolina, conforme consta no Dossiê elaborado por Ipas Brasil, Curumim e Cfemea. Ipas também divulgou a pesquisa qualitativa com 20 mulheres que passaram pela experiência do aborto previsto em lei que foi conduzida no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, onde 43% dos atendimentos diários se referem a meninas com menos de 12 anos que engravidaram depois do estupro.

Expressamos neste número da Revista a nossa admiração pela coragem e determinação dos profissionais de saúde do CISAM, Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, em especial ao Professor Carlos Calado, Reitor da Universidade de Pernambuco (UPE); que cumpriram com os seus deveres ético profissionais e garantiram a aplicação da lei protegendo os direitos humanos da menina de Alagoinha. Divulgamos AQUI a carta de solidariedade da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) para coleta de assinaturas em apoio e solidariedade aos profissionais desse serviço.

Na ocasião do Dia Internacional da Mulher, no âmbito internacional, Ipas apresenta uma prévia do documentário “Not Yet Rain “ou “Ainda não é chuva” através de um site promocional com trailer (em inglês). O documentário, que tem previsão para ser lançado no próximo mês, fala sobre a situação reprodutiva das mullheres na Etiópia por meio das vozes e entrevistas com as mulheres daquele país. O documentário mostra que, apesar da mudança legislativa que ampliou o acesso ao aborto seguro no país, na prática, o acesso das mulheres aos serviços de saúde ainda é insuficiente. Além disso, mais ações poderiam ser feitas para melhorar a formação e o treinamento de profissionais de saúde.

Esperamos que a data gere outras iniciativas que estimulem novos debates para novas conquistas, em especial para a saúde e para os direitos sexuais e reprodutivos da mulher brasileira. Para isso, contamos, ainda, com a sua participação e divulgação do site da campanha “Criminalizar o aborto resolve? Vai pensando ai” no http://www.vaipensandoai.com.br. A emissora de televisão Rede Record, também merece destaque por exibir o video de responsabilidade social a favor do direito da mulher decidir pelo seu corpo (disponível também no YouTube).

Ainda como referência ao Dia Internacional da Mulher, é com orgulho que informamos a homenagem de reconhecimento para a Diretora Leila Adesse na ocasião dos 25 anos do PAISM (Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher), durante o Seminário Nacional da Mulher e Cairo+15, em Brasília. Agradecemos a homenagem entregue pelo Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e esperamos continuar contribuindo com a melhoria da saúde reprodutiva da mulher brasileira. Em especial, fortalecendo a atuação dos profissionais das áreas da Saúde e do Direito na atenção em saúde e na garantia dos direitos humanos das mulheres no Brasil e na região.

Muito obrigada
Leila Adesse
IPAS BRASIL

Para a edição completa – Março 2009, clique aqui.

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A camisa que o Papa veste

Saiu no Jornal da Tarde (SP), no domingo (29/03).

Maria Cristina Pimenta
DOUTORA EM SAÚDE COLETIVA E COORDENADORA GERAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA INTERDISCIPLINAR DE AIDS (ABIA)

A recente declaração do papa Bento XVI de que a promoção do uso e a distribuição de preservativos não contribuem para o controle da epidemia de HIV/aids, mas, sim, para o seu crescimento, não tem embasamento científico.

Existem inúmeros estudos no Brasil e no mundo sobre a eficácia dos preservativos na prevenção das doenças sexualmente transmitidas (DSTs), inclusive na Organização Mundial da Saúde (OMS) e no Programa das Nações Unidas (PNUD). Todos comprovam cientificamente que o uso do preservativo é o método mais eficaz para impedir a transmissão do vírus durante uma relação sexual, bem como demonstram os resultados positivos da aplicação de estratégias de prevenção que promovem o uso da camisinha.

Os estudos clínicos das “novas tecnologias preventivas” – como a vacina anti-HIV, os microbicidas e as terapias de profilaxia pré-exposição – ainda estão em andamento e não são conclusivos. Enquanto isso, o uso correto e consistente do preservativo permanece como método principal de prevenção da transmissão do HIV e de outras DSTs como, por exemplo, a sífilis e a hepatite B.

Os dados do Ministério da Saúde mostram que temos hoje aproximadamente 630 mil pessoas infectadas pelo HIV no País e que 200 mil estão em tratamento. Caso o Brasil não tivesse adotado uma política de prevenção e assistência integral que incluísse a promoção do uso e acesso gratuito ao preservativo durante as últimas décadas, teríamos hoje, de acordo com as estimativas realizadas por especialistas do Banco Mundial no início dos anos 90, duas vezes mais o número de infectados. A estimativa era de que no ano 2000 o Brasil tivesse aproximadamente 1 milhão e 200 mil pessoas infectadas.

Claro que a promoção do uso da camisinha não deve ser uma ação isolada, mas combinada com informação sobre formas de redução de risco de infecção, promoção à saúde, serviços de diagnóstico e tratamento e ações de combate ao estigma e à discriminação de pessoas que vivem com HIV e aids.

A camisinha sempre deve estar presente nas ações preventivas, já que sabemos que existem outras formas de transmissão do HIV, mas que a principal forma é a via sexual.

Assim, não podemos aceitar que em pleno século 21 ainda existam posições ideológicas e barreiras religiosas que dificultem e impeçam as políticas de saúde pública consistentes e com dados cientificamente comprovados, como o uso do preservativo. São essas posições que contribuem para o crescimento desenfreado da epidemia e para a morte de milhões de pessoas. É lamentável que a Igreja Católica não tenha evoluído com a historia e a ciência do povo a que pertence.

Foto de Ratzinger usada para estampar camisinhas

Do Estado de São Paulo, 25/3/2009

O Pontíficie rejeitou o uso da camisinha para combater a Aids em declarações dadas durante sua recente viagem à África

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Em Paris, uma empresa fabricou preservativos cujas embalagens trazem impressa a imagem do papa Bento XVI e a frase “eu disse não!”. Os produtos foram confeccionados para criticar a postura do Pontífice de rejeitar o uso da camisinha para combater a Aids em declarações dadas durante sua recente viagem à África.

No último dia 17, em vista a Yaoundé, Bento XVI afirmou que a doença não pode ser combatida somente com dinheiro – apesar de ter destacado que os investimentos para lutar contra a Aids são necessários -, nem “com a distribuição de preservativos, que, ao contrário, aumentam o problema”.

Com Agências internacionais

A moda na luta contra o HIV

Informado por Carlos Tufvesson em 26/11/2008

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Aconteceu hoje no Palácio da Guanabara, a coletiva da Campanha “A Moda na Luta Contra O HIV”
A campanha, criada há 7 anos pelo estilista Carlos Tufvesson, em função do dia 1° de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a AIDS – que este ano completa 20 anos de existência – tem o intuito de dar auxiliar na visibilidade da campanha de prevenção a AIDS e DSTs. Em seu discurso, Carlos ressaltou: “Queremos informar de maneira clara e sem dogmas, como cabe em casos de saúde pública, que a cura não existe e a única maneira tecnicamente comprovada de se evitar o contágio, seja por HIV ou outra doença sexualmente transmissível, é pelo uso do preservativo. A desinformação e a contra informação, são grandes responsáveis pela contaminação de uma pessoa. A volta do crescimento nos índices de contágio, antes estabilizados, é um sinal da importância da visibilidade em uma campanha de prevenção. Não existe um grupo de risco e sim um comportamento de risco. É preocupante o crescimento nos índices de contágio especialmente nos jovens, mulheres heterossexuais e nos cidadãos da terceira idade – tema da campanha do Ministério da Saúde deste ano.”

radical-chicA apresentadora Angélica e as atrizes Lavinia Vlasack e Cristiane Torloni posaram para a campanha que tem a Radical Chic feita especialmente por Miguel Paiva para a campanha.

No ato, o Governador Sérgio Cabral abraçou a campanha e assinou um convênio para o repasse de uma verba de R$ 30.000,00 por mês, destinada a Sociedade Viva Cazuza que vinha passando por dificuldades financeiras.

A coletiva contou com a presença do prefeito eleito Eduardo Paes afirmando o seu compromisso com a campanha em seu governo, o secretário de Saúde Sérgio Côrtes declarou a importância da participação do segmento da moda como pulverizador de informação sobre a prevenção para a doença, e ressaltou que outras campanhas como esta devem ser apoiadas pelo governo.

Participaram do ato o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) a Dep Cida Diogo (PT-RJ), Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, presidente da FIRJAN patrocinadora da campanha, além de personalidades do mundo da moda como Oskar Metsavaht, Maria Oiticica, Regina Coelho entre outros.

As grifes participantes em 2008 são: Antonio Bernardo , Basthianna, Bianca Marques , Blue Man, Carlos Tufvesson, Casual Street, Dautore, Espaço Fashion, Farm, Lee Loo, Lenny, Limits, Manufact Mara Mac , Maria Bonita Extra, Maria Oiticica , Mixed, Natan, Osklen, Redley, Regis Coelho, Reserva, Teodora, Via Flores e Wöllner

O que está sendo feito da Aids?

do blog da Lucinha Araújo

Tenho visto, com grande preocupação, que o espaço que a Aids ocupa, não só na imprensa, mas também na conscientização das pessoas de um modo geral, cada vez menor. Se nas décadas de 80 e 90 a imprensa não cansava de falar sobre ela e era normal ver pessoas discutindo em grupos de amigos sobre a importância da educação sexual, prevenção, o medo da infecção pelo HIV hoje o panorama é bastante diferente. Parece que saiu de moda, que a Aids não mais existe, ou pelo menos não é um problema suficiente para que as pessoas dediquem a ela mais do que um simples comentário, na maioria das vezes de descaso e despreocupação. Um dos sintomas da banalização da Aids está na diminuição de verbas, da diminuição da capacidade de atendimento específico em hospitais públicos, que já foram referência, como o Gaffrée Guinle e o Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, isso só aqui no Rio de Janeiro. Essa percepção também é responsável pela diminuição e esvaziamento das ONG’s/Aids, inclusive a Sociedade Viva Cazuza, que sobrevivem com grande dificuldade e com a persistência, quase heróica, de algumas pessoas compromissadas com a causa. Os novos antiretrovirais que eram aprovados com grande rapidez pelo Programa Nacional de DST/Aids, agora aguardam empoeirados nas prateleiras da Anvisa, começamos a ver faltar medicamentos nos postos de saúde e hospitais públicos, assim como kits de exames. O resultado dessa banalização é o aumento de novos casos, principalmente entre jovens, que não vivenciaram o início da Aids e acreditam que caso venham a se infectar basta tomar um remedinho.

AIDS: Qual sua atitude?