Secuestran y torturan a joven lesbiana en Paraguay

Publicado en 2 de mayo de 2010 en la portada EnSentidoContrario

La Coordinadora de Derechos Humanos de Paraguay (Codehupy) y el grupo por los derechos de las lesbianas Aireana, han denunciado de forma pública la persecución de la que fue víctima N. B. M. R. Según la denuncia, la joven del departamento de San Pedro y sobrina del comisario retirado Vidal Machado, fue brutalmente torturada por sus propios familiares, tras comunicarles a estos que era lesbiana y mudarse a la vivienda de su pareja sentimenta.

Tras mudarse, fue sacada a golpes por algunos familiares y personas allegadas y arrastrada hasta un vehículo, donde le taparon la boca, le apretaron el cuello y la golpearon, para luego trasladarla hasta la casa de sus padres en Villa del Rosario, departamento de San Pedro, de donde huyó con ayuda de un tío.

Según relatos de la propia víctima, la llevaron detenida contra su voluntad a la empresa Tapiti SA (propiedad de Vidal Machado), donde la torturaron psicológicamente y la despojaron de su celular, para luego mantenerla encerrada e incomunicada por nueve días en su casa paterna en San Pedro.

La joven a su llegada nuevamente a la capital del país, recurrió a Aireana en busca de ayuda. “Conversamos con la Secretaría de la Mujer y otras instancias, pero como se trata de una familia con influencias, ningún abogado quiso hacerse cargo del caso”, aseguró Judith Grenno, de la Fundación Aireana . Apuntó que tras varios procedimientos, lograron finalmente que la Coordinadora de Derechos Humanos tome el caso. El abogado Juan Martens representará a la víctima.

El ministerio de Interior paraguayo y la organización LGTB paraguaya Somosgay firmaron el pasado mes de marzo un convenio para la erradicación de la discriminación en las intituciones, a pesar de esto, este caso no entraría dentro de este convenio ya que el comisario Vidal Machado esta jubilado y no ostenta ya ningún cargo público.

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BBB10: Cultura de massa e sexualidade

Cultura de massa e sexualidade

Ao ser perguntado por um dos participantes do Big Brother Brasil sobre o que representavam os 77 milhões de votos da eliminação do programa de 23/02/2010 – em que estavam “no paredão” um gay, uma lésbica e um homem heterossexual machista – o jornalista Pedro Bial, apresentador da atração, respondeu: “Eu não sei”. O Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM) buscou conversar com diferentes pessoas – pesquisadores, militantes e telespectadores do programa – para entender como o programa mobilizou tão amplamente a sociedade nesse episódio que excedeu outras eliminações.

Na análise de muitos, o resultado – a saída de Angélica, a protagonista lésbica –reafirmou a vigência de valores conservadores acerca da sexualidade entre o público que assiste o programa da TV Globo. Certamente deu pano para a manga e rendeu diversas manifestações

A escolha dos participantes desta décima edição do BBB, iniciado em janeiro, por si só já apontou para uma intensa polarização entre visões de mundo, ao juntar um gay “mais feminino”, uma drag queen, uma jovem lésbica assumida, um homem heterossexual já conhecido do público como misógino e homofóbico, mulheres heterossexuais sensuais, uma intelectual que se afirmava discrepante do modelo hegemônico de beleza magra e um negro de cabelos afro-étnicos. A separação destes em “grupos” (“coloridos”, “sarados”, “belos” e “ligados”) de antemão prenunciava o tipo de polarização a ser estimulada. A nova lógica implementada cumpre o papel de estratégia para ampliar os índices de audiência, objetivo último de um produto midiático comercial.

Contudo, o “paredão”, formado pela tríade de elementos tão diversos, provocou polêmicas que captaram a imaginação do público e levantou diversas questões. Este paredão, que logo vai ser esquecido pelo de hoje à noite (02/03/2010), confrontou a possibilidade de permanência no jogo de uma mulher lésbica (eliminada com 55% dos votos) com a do jogador cuja personalidade vem expressando uma performance agressiva e ambiguamente discriminatória – veja-se a interdição de se conversar sobre certos assuntos no horário das refeições em troca do rapaz (chamado Dourado) se refrear na emissão de arrotos. A “pequena ética” do grupo, como afirmou Pedro Bial em uma de suas aparições, parece agradar a uma enorme variedade de fãs que resolveram dar um basta ao respeito à diversidade sexual. Dourado parece emergir como modelo do machão heterossexual, destemido, “autêntico”, que “não leva desaforo para casa”.

Em e-mails e telefonemas, o CLAM buscou entender o que parte da audiência entende ou o que se pode ler entre imagens, votos e falas:

Uma editora carioca, assídua telespectadora do programa, afirmou não ter visto qualquer manifestação de homofobia na decisão do público. Afinal, segundo ela, a votação do gay também “emparedado” foi muito baixa e a polarização mostrou que havia muita gente disposta a “detonar” a participação de Dourado. A telespectadora atribui o resultado final ao fato de Angélica ter se envolvido em fofocas de “leva e traz”, o que comprometeu sua popularidade.

Para muitas ativistas lésbicas, porém, o que está por trás da saída da moça é, sim, a lesbofobia. Segundo essas vozes, o problema da personagem foi demonstrar o desejo por outra mulher em pleno programa (outra participante), causando um incômodo no público, o qual tem sido mascarado por outras críticas a ela, como a chamar de “fofoqueira” ou “encrenqueira”. “Ela desafiou a virilidade masculina do homem brasileiro, ao tentar se ‘intrometer’ em uma relação heterossexual, expressando seu desejo pela namorada de um outro participante. Vivemos em uma sociedade androcêntrica e, por conseguinte, falocêntrica”, avalia Jandira Queiroz, assistente de projetos do Observatório de Sexualidade e Política (SPW).

Na análise de Jandira, a moça desafiou a heteronormatividade e o patriarcado, especialmente por encarnar um tipo de lésbica não masculinizada, mas extremamente feminina. “A lésbica bonita e feminina incomoda muito mais. O homem heterossexual ainda entende a lésbica masculinizada, sem entender como ela se construiu ou o quanto esta imagem foi construída como uma forma defensiva de se colocar no mundo”, alinhava a ativista Gilza Rodrigues, presidente do Grupo de Conscientização Homossexual Arco-Íris, entidade responsável pela Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, segunda maior do mundo em número de participantes.

Para muitas das pessoas ouvidas, o resultado era esperado, considerando o padrão brasileiro de uma sociedade repleta de preconceitos. “A maneira que a homossexualidade feminina veio sendo tratada no programa – referida através de estereótipos masculinos, com a clara intenção de ridicularizar a sua orientação sexual, reforçando as concepções tradicionais de gênero e sexualidade – denota o quanto a questão de gênero perpassa a orientação sexual na experiência cotidiana dos sujeitos.

Com base nessas premissas, sua exclusão do programa leva, sim, a que se possa pensá-la como produto da dominação simbólica. Sua eliminação reforça a idéia de que a mulher não pode impunemente violar as regras de seu estilo de gênero tradicional, tampouco a orientação heterossexual. As lésbicas, mais ainda do que as mulheres heterossexuais, ‘precisam saber o seu lugar’, parece ser a mensagem transmitida com a eliminação da moça”, analisa a historiadora e mestre em Política Social Rita Colaço, responsável pelo blog “Comer de Matula”, dirigido a lésbicas, gays, travestis e transexuais.

Porém, se a eliminação da participante lésbica era esperada, como explicar a permanência de alguém que se assume como “o machão da casa”, afirma que homens heterossexuais não contraem HIV e diz que homossexualidade é opção? Na opinião da psicóloga Vanessa Leite, pesquisadora do CLAM, o relativo sucesso do personagem se ancora na saudade de uma “masculinidade perdida”. “Não existem outros homens heterossexuais que se posicionem como ele no programa. Ele ocupa um lugar no imaginário social do “macho ideal”: autoritário, homofóbico e misógino”, diz ela.

“Ele é um exemplo do machismo no Brasil, mas é apenas a ponta de um iceberg que ainda associa os homossexuais à Aids e que trata a mulher como objeto. A suástica que ele carrega tatuada no corpo já demonstra o que ele pensa em relação à diversidade. Sua manutenção no programa sinaliza que, em parte, a sociedade comunga com as suas opiniões. Isso é preocupante, uma vez que pode vir a prejudicar o trabalho de visualização de direitos e de cidadania realizado por diversas organizações da sociedade civil brasileira”, afirma o ativista Cláudio Nascimento, Superintendente de Direitos Coletivos, Individuais e Difusos da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro.

Outras vozes fazem coro com Nascimento. “Por sua elevadíssima audiência, o programa pode tanto contribuir para o esclarecimento a respeito de visões preconceituosas e estigmatizadoras, quanto para contribuir justamente para o seu reforço, estimulando personalidades violentas e com dificuldades em se relacionar com a alteridade, como está parecendo ser o caso nesta versão do programa”, salienta Rita Colaço.

“Programas como o Big Brother Brasil, como qualquer cultura de massa, formam opinião, podendo trazer conseqüências tanto positivas quanto negativas. As discussões que são geradas pelas atitudes das pessoas podem tanto diminuir quanto reforçar preconceitos”, diz a jornalista Daniela Novais, que se define como lesbofeminista e atua como articuladora e mobilizadora política no LesBiBahia, articulação autonomista de lésbicas e mulheres bissexuais baianas que discute agenda política e demandas para o movimento em prol dos direitos das lésbicas.

Segundo o jornalista paulista João Marinho, administrador do blog “Gospel LGBT: homossexualidade sem preconceito”, o problema é que, “desde o começo, a emissora ‘marcou’ a sexualidade dos ‘coloridos’ como sua principal característica e diferencial de ‘grupo’. Os grupos da casa não foram formados naturalmente, foram ‘impostos’ pela produção por características que esta considerara como diferenciais. Por esse motivo, quaisquer outras características individuais dos participantes foi ‘mascarada’ – e parece que quase tudo que acontece com eles se remete àquele diferencial. No caso dos coloridos, a sexualidade. Com isso, a emissora gera polêmica e audiência, mas não é possível apontar que a homossexualidade tenha sido o motivador principal da eliminação da moça, especialmente num programa que já teve um homossexual como vencedor”.

O gay em questão foi o professor universitário Jean Wyllys, vencedor da quinta edição do programa. Porém, parece que gays discretos (como Jean) ou menos discretos e mais femininos (como dois dos atuais participantes, que demonstram bons índices de “aceitação” junto ao público) ganham mais facilmente a empatia do público, razão apontada por muitos como um dos motivos da vitória de Wyllys, que se “assumiu” dentro da casa. Por sua vez, João Marinho particularmente não vê como positiva a exposição dos homossexuais nesta edição em particular.

“Seria interessante se a emissora tivesse incluído participantes assumidos, mas não interferisse diretamente na formação dos grupos dentro da casa. Isso, sim, discutiria o preconceito de forma positiva. Não foi o que aconteceu. De certa forma, os ‘coloridos’ – e não apenas eles, mas todos os demais – foram ‘segregados’, ‘marcados’ por uma característica sua, e isso começou a pautar os diálogos, as manifestações de preconceito por parte de outros participantes, e a visão de que somos ‘seres à parte’. Por que uma pessoa não pode ser, por exemplo, ao mesmo tempo ‘sarada’ – um outro ‘grupo’ da casa – e ‘colorida’? Ao evidenciar a sexualidade como característica tão diferencial, talvez com a justificativa de trazer o diálogo, a emissora, na verdade, acaba por reforçar gays e lésbicas como pessoas ‘não-pertencentes’, excluídas de outros grupos por sua sexualidade. Isso é bem negativo”, conclui o jornalista.

Nessa busca de opiniões acerca dos participantes, o comentário da antropóloga Paula Lacerda centra-se na análise da dinâmica do programa – muito intensa – o que faz com que vários episódios façam, desfaçam e reconstruam a imagem dos candidatos: “No início do programa, Dourado compartilhou, com um outro participante, a encarnação do ‘forte e rude’. No entanto, só este último não foi estigmatizado e objeto de discriminação pelo grupo trancafiado na casa”, diz. Ela não entende por que Dourado encarne o signo pleno da discriminação contra a diversidade sexual dentro do BBB10. Para a antropóloga, a cena armada por outro participante depois que a namorada (aquela, por quem a participante lésbica se sentiu atraída) supostamente o chamou de gay (ou bissexual?) foi a grande homofobia desse programa. “Não bastasse a revolta desencadeada com a brincadeira, ele considerou um problema adicional o fato da namorada ter conversado sobre isso justamente com um dos colegas gays”.

Há um outro tipo de público que acompanha as vicissitudes do programa sem necessariamente assisti-lo: são os fãs dos blogs e comentários on line. Segundo a antropóloga e professora do Museu Nacional Adriana Vianna, o que parece estar havendo é a vitória da “tosquice” e uma reação das pessoas a não torcer pelos participantes “só” pela sua orientação sexual, antepondo-se ao que parece “politicamente correto”.

Não resta dúvida, as cenas de homofobia se inserem em muitos planos e cenas do programa e a magia dessa discriminação, tal e qual outras formas de preconceito, é fazer parecer que elas não são efeito de uma moralidade heteronormativa, mas sim de características dos indivíduos. Como a de Marcelo Dourado, que ressalta a máxima cavalheiresca de que ele não bate em mulher. A questão, assinala um fisioterapeuta gay, é que “ele não deveria bater em ninguém – nem homem, mulher, cachorrinho etc…”

IMS/UERJ – R. São Francisco Xavier, 524, 6º Andar, BL E-20550-013-Rio de Janeiro-RJ-Brasil-Tel:(21)2568-0599

1ª VISIBILÉS

Entrevista com Anita Costa Prado – Criadora da personagem lésbica Katita

Anita Costa Prado é paulistana, formada na área contábil pela Faculdade de Educação Campos Salles. Organizou para a Sociedade de Cultura Latina o livro Infância Desfavorecida e publicou Meandros da Inveja e Catarse de Cartomante. Criou a Katita em 1995; a personagem teve suas tiras publicadas no livro Katita, Tiras sem preconceito (Marca de Fantasia, 2006), obra responsável receber no 23º Prêmio Angelo Agostini os troféus de Melhor Escritora e Melhor Lançamento de 2006. Anita participou ainda de diversas antologias poéticas, obteve premiações em concursos literários e atua na elaboração de cartilhas institucionais e criação de personagens de Quadrinhos portadores de necessidades especiais.Biografia encaminhada pela escritora e com base na disponível no Bigorna.net

01 TdRQuem é Anita Costa Prado?

Anita Costa Prado: Em termos profissionais, uma professora de contabilidade que não atua na área, preferindo letras, ao invés de números. Em termos pessoais, uma vegetariana tímida, indignada com injustiças praticadas no cotidiano, defensora dos animais e com muitos defeitos. No que se refere a quadrinhos especificamente, uma roteirista de histórias variadas, embora sempre associada a personagem mais polêmica, .

02 TdR Com relação às HQs (o qual é nosso foco), quais histórias variadas são essas? Já sabia que escrevia sobre outros coisas, mas sempre vejo seu nome associado a Katita mesmo…

A.C.P. Fiz trabalhos com diversos desenhistas; tenho HQs antigas com o Tarcílio Dias Ferreira, como “O Céu dos Políticos”, uma crítica com pinceladas de terror. Fiz até uma HQ sobre reencarnação com o Laudo, só para exemplificar resumidamente pois foram trabalhos e parceiros variados. : Atualmente faço algo chamado RPQ (roteiro poético em quadrinhos). Poesias minhas são roteirizadas e o desenhista (geralmente Ronaldo Mendes) transforma em HQ. Nos últimos anos no entanto, pelo sucesso e polêmica da personagem, sou associada sempre a Katita. Já aceitei o que é inegável e dificilmente vai mudar: posso fazer mil HQs e criar mil personagens mas sempre serei lembrada como a pessoa que criou a Katita. Os outros trabalhos ficarão em plano secundário ou no circuito restrito dos fanzines.

03 TdR – Então vamos seguir a tendência contrária: vamos falar primeiro do não tão conhecido e depois abordamos a Katita! Esses seus roteiros RPQ, atualmente estão sendo publicados onde? Até hoje só foram desenhados pelo Ronaldo Mendes? Se não, quem mais? Desde quando os produz?  

A.C.P. Sou essencialmente escritora e poetisa; comecei a ter contato com desenhistas para ilustrarem meus trabalhos. Henry Jaepelt foi um desses contatos na época; faz um bom tempo. A ilustração de poesias valorizava o texto e com o passar do tempo houve uma junção que fez a ilustração se transformar em quadros, de acordo com a quadra poética. Assim, naturalmente foi nascendo o roteiro poético em quadrinhos. Além de fanzines impressos, o Zine Brasil e o site Bigorna divulgaram dois RPQs : Fome Fatal e Lá de Riba, ambos em parceria com o Ronaldo Mendes e em preto e branco. Agora, tenho a intenção de roteirizar a poesia Suástica Satânica com alguém que eu nunca tenha trabalhado e preferencialmente em cores digitalizadas, para divulgação na internet.

 

 

04 TdR Então acabou que sua “migração” para as HQs foi algo espontâneo e não calculado, certo? Mas, além de Katita, há mais trabalhos essencialmente em quadrinhos? Anita poetisa é publicada onde?

 

A.C.P.Exatamente. Foi algo natural. Fiz tiras com portadores de necessidades especiais com o , bem como algo de combate ao tabagismo; participo de salões de humor geralmente com desenhos do Ronaldo, além de HQs. antigas espalhadas em fanzines. Também fiz um roteiro de uma HQ para os personagens Roko-Loko e Adrina-Lina, do , publicada no álbum “Born To Be Wild“. Atualmente tem um desenhista desenvolvendo uma HQ mais longa, com temática adolescente mas ainda não vou citar o nome pois não sei se terá continuidade; ele não entrou mais em contato…

05 TdR Bacana! Dá para perceber que é uma pessoa engajada em lutas sociais. Já que é vegetariana e partidária dos Direitos dos Animais, já criou algo para contribuir com este ponto de vista? Katita é vegetariana?

A.C.P.Gosto de defender o que acredito e tento combater injustiças; a escrita é uma das minhas ferramentas. Sinto que preciso fazer muito mais do que faço. Elaborei o roteiro, ainda inacabado, de uma personagem cujo lema é : Ela não come animais, sua força vem dos vegetais. Quanto a Katita, no livro era não era vegetariana. Felizmente a garota evoluiu e no gibi já mostra claramente ser vegetariana. Iniciante, é bem verdade… :

06 TdR Então você mostra essa evolução da personagem? Existe uma diferença de abordagem da Katita em livro e em quadrinhos? Por que migrar?

A.C.P. Sim e quero continuar mostrando essas mudanças; quem sabe até na escolha da profissão. Marca de Fantasia
Decidi publicar um gibi de forma independente para ter um produto mais acessível em termos financeiros. Tentei contactar algumas editoras de médio e grande porte; como não obtive retorno satisfatório, arregacei as mangas e produzi de maneira alternativa. O livro e o gibi da Katita são de quadrinhos; a diferença é que o livro tem um acabamento gráfico excelente. As publicações da editora são caprichadas. As diferenças mais acentuadas no conteúdo, podem ser vistas no teor das tiras que no gibi são um pouco mais ousadas.
Atualmente a Katita é vista como uma garota que estuda pedagogia; posso futuramente mostrá-la em dúvida e optando quem sabe, pela educação física.

07 TdR E por que mudar de editora? A Marca não satisfez?

A.C.P – Pelo contrário; tive e tenho orgulho de ter sido publicada pela Marca de Fantasia. O lançamento da segunda edição ampliada do livro “Tiras Sem Preconceito“, em junho desse ano, é animador. É uma editora conceituada que lança edições de qualidade mas tem um alcance limitado as vendas via internet. Quando o livro foi lançado, recebi uma quantidade absurda de e-mails querendo saber onde poderiam comprar o gibi em sua cidade/estado mas a editora não tem pontos de venda nem distribuidora.. : Quando eu explicava que a venda era via internet/correio, mediante depósito bancário, a maioria desistia da compra pois buscava a facilidade de encontrar o gibi na banca da esquina.

08 TdR E isso foi resolvido como?

A.C.P. – Muitas vendas não foram efetuadas, ou seja, não foi resolvido. Aqui em São Paulo, vendo aqui e ali, além da Livraria HQ Mix que é meu melhor ponto de venda da capital. Fora da cidade, só em Atibaia, uma pousada GLS chamada Porto X, revende publicações e camisetas da Katita. As vendas então, continuam focadas na internet, como no site Bodega do Leo ou pelo meu e-mail. No site da editora Marca de Fantasia, a primeira tiragem do livro está esgotada e eu só tenho dois exemplares disponíveis. No mês de fevereiro, recebi uma quantidade de pedidos bem acima do normal, tanto do livro como gibi mas isso se deve a algumas matérias sobre a personagem que saíram na época. Divulgação é essencial. :

09 TdR Fora a questão de distribuição, quais as principais dificuldades (ou facilidades, se houver) que percebe hoje no mercado editorial de quadrinhos brasileiros?

A.C.P. – As dificuldades vão da tarefa de encontrar uma editora que aposte no trabalho e isso não se limita a publicação pois é só o primeiro passo. Deveria haver um suporte maior na divulgação. Eu particularmente, tenho contato com pessoas que sempre publicam uma nota, artigo ou uma entrevista em sites e jornais que alavancam as vendas mas muita gente é publicada e seu trabalho não acontece, por não ter sido trabalhado no sentido de propagar o lançamento. Por outro lado, percebo que a união está fortalecendo o mercado brasileiro de quadrinhos, sem que para isso seja necessário um vínculo com uma grande editora. Conquistar novos leitores é uma atitude a mais para fortalecer esse mercado; os leitores da Katita são em sua maioria, pessoas que não tem o hábito de ler quadrinhos mas podem ser tornar novos leitores a partir dela. :

10 TdR – Você tem a característica, como nos disse, de transitar por dois entre dois “mundos”, o dos quadrinhos e o da poesia. Quais as principais diferenças entre eles e como os co-relaciona?

A.C.P. Antes de citar as diferenças, vou dizer o que é igual: a dificuldade. Nos dois universos, existem reclamações no que se relaciona a publicação e distribuição. Na questão pessoal, poetas são sonhadores e geralmente tem na poesia uma das ligações com a literatura, apreciando também romances, contos e crônicas. Nos eventos poéticos, noto também uma forte ligação teatral e uma participação feminina expressiva. Nos quadrinhos, vejo muitos rapazes acanhados, tímidos e nem sempre abertos as outras formas de expressão artística. Quanto as mulheres, são minoria e pouco visíveis, embora exista um estilo de quadrinhos que atrai muitas garotas. Pesquisando gente que faz e que gosta de mangá, notei um número considerável de garotas. A ligação entre ambos é a sensibilidade: quem gosta de ler ou fazer quadrinhos é tão sensível quanto o poeta que coloca no papel o que tem dentro de si. :

11 TdR E quais são seus projetos para 2009 e além?

A.C.P. Em junho, começarei a divulgação da segunda edição do livro.
:
Finalmente conhecerei pessoalmente meu editor, pois no dia 13 de junho o Henrique estará na Ponto de Leitura, um local altamente democrático da prefeitura paulistana, onde as pessoas podem ler jornais, livros e quadrinhos gratuitamente e ocorrem palestras de autores. Até o final do ano quero lançar o novo gibi que já está pronto e com uma capa belíssima.
 

12 TdR – Você mencionou a Katita ser divulgada em uma pousada GLS. Como é o diálogo da personagem com esse público? E com o público hétero?

A.C.P. : Dentro do universo GLS, atualmente chamado de LGBT, existe um diálogo saudável e um respeito mas no início havia resistência por parte de algumas lésbicas que achavam a Katita com uma postura machista; outras criticavam o visual feminino e levemente sensual da personagem, mas isso foi superado. As garotas lésbicas modernas que gostam de assistir The L Word (seriado lésbico americano, sucesso também no Brasil) por exemplo, adoram o jeito da Katita e querem mais é que ela paquere e beije muuuuuito. A verdade é que nos últimos anos, a personagem vem cativando héteros, homos, homens e mulheres de forma semelhante e percebo isso nos pedidos que vão além das publicações. Querem camisetas, adesivos, sugerem bonecas da Katita e uma série de produtos, mas sou uma formiguinha e não consigo atender a todos os desejos. Vários homens héteros escrevem pedindo que a Katita tenha uma namorada fixa; parecem incomodados com o fato dela estar livre, leve e solta, fazendo suas investidas em garotas interessantes. Faço em pequena escala camisetas e adesivos e quem sabe um dia os fãs da personagem vão poder vê-la nas lojas de brinquedos, nos camelôs e em tudo quanto é canto.

13 TdR Então esse lance das investidas da Katita observei mesmo, aliás, isso é bastante presente na tira. Esse aspecto sexual da personagem (não da orientação, mas a frequência do tema) não acaba estigmatizando tanto a homossexualidade (como algo que leva as pessoas a só pensarem em sexo) quanto a personagem? O que acha disso?

A.C.P.As investidas são frequentes, propositalmente. Por outro lado, existem tiras da Katita com pilhas de livros, mostrando que ela gosta de estudar, outras tantas firmam o posicionamento da personagem contra o tabagismo e demais vícios; grande variedade também foca em atitudes e comentários contra todo tipo de preconceito (inclusive contra anões, como é frisado no personagem Naninho). Isso sem contar com várias alfinetadas com teor político. Em nenhuma tira a Katita é vista na cama com outra mulher, porém só o fato de estar passando suas cantadas juvenis, deixa algumas pessoas indignadas. Não se mostra a imagem de alguém que vive somente na busca vã pelo sexo, embora os retrógrados queiram associar homossexualidade a promiscuidade, mas isso é mais relacionado aos homens gays. As lésbicas tem fama de serem românticas e extremamente apegadas, com intuito veloz de morarem juntas; tem até uma piadinha muito conhecida que diz: Sabe o que uma lésbica diz no primeiro encontro? estou apaixonada por você. E sabe o que ela leva no segundo encontro? as malas.” Decididamente esse não é o perfil da Katita. (risos)

14 TdR Já chegou a pensar em um álbum com histórias longas da Katita? O que lhe impede de desenvolver algo assim?

A.C.P.Já pensei sim e inclusive fiz um ensaio sobre o assunto, com uma HQ publicada no fanzine Katita Gosta de Mulher. : No entanto, não é algo que me motiva muito pois gosto da Katita com sua sacada rápida, característica fundamental da tira.Histórias longas, bem como a Katita em uma animação são casos a se pensar já que são sugestões constantes dos leitores.

15 TdR Interessante! Bom Anita, acredito ser tudo por agora. Agradeço a entrevista e deixo o espaço aberto para que, caso ache necessário, comentar algo que seja relevante e tenha ficado de fora. Muito obrigado.

A.C.P.Eu é que agradeço pela oportunidade de exposição, Matheus. Para finalizar, quero simplesmente indicar dois sites voltados à comunidade LGBT, para que as pessoas conheçam melhor o universo do qual a Katita faz parte: :

www.dykerama.com / www.mixbrasil.com.br

Matheus Moura, no Blog  

Published in: on 17/04/2009 at 21:28  Comments (1)  
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Seminário no Centro-Oeste debate visibilidade lésbica

Por Sérgio Oliveira, do Mix Brasil

Com o intuito de discutir políticas públicas que beneficiam a comunida lésbica em Campo Grande, no próximo dia 28 será realizado o Seminário Intersetorial “Construindo a visibilidade das mulheres de Mato Grosso do Sul, promovido pelo Centro de Referência em Direitos Humanos, Prevenção e Combate à Homofobia (Centrho) em conjunto com a Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas).

O evento, abrigado no auditório da Casa da Cidadania, contará com a presença de representantes da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) e da Coordenadoria Especial de Políticas para a Mulher do Estado. O público em geral pode e deve participar.

As especifidades da mulher lésbica e bissexual é um dos assuntos que devem ser abordados no seminário.

Seminário Intersetorial
“Construindo a visibilidade das mulheres lésbicas de Mato Grosso do Sul”
Rua Marechal Cândido Mariano Rondon, 713 – Centro

Ódio, visibilidade e amor

humanPor Aline Freitas

Me incomoda quem possui respostas prontas, definições claras, definitivas. Me incomodam as fronteiras, quaisquer que sejam, as assustadoras alfândegas, quanto as identitárias, as dos corpos, as de quem se esforça a demarcar o lugar alheio com vias de garantir seu lugar, o lugar da normalidade. Essa normalidade fétida, essa normalidade fantasiosa, essa normalidade sanguinária.

Muito prazer, meu nome é Aline, e isto agora é tudo o que eu tenho a dizer a meu respeito. Se queres saber então quem sou não me tragas estes conceitos prontos trazidos dos livros rotos, que diz coisas em nome de uma tal ciência… Ou quem sabe na sua compaixão terá pena de mim. Como pode ser assim? Quanta discriminação! Oh! Sofre tanto! Oh! Esta sociedade injusta! Não te aceita, não é mesmo? Mas nem me conheces!! Eu só disse meu nome… Injusta é esta tua cegueira. Nela está toda a nojeira social!

Sim, eu declaro meu ódio. A vida me ensinou a dispará-lo a ter que declarar falsos amores. Disparo meu ódio para não alimentá-lo. E disparo a quem é incapaz de enxergar nossa semelhança. A quem diz aliar-se mas faz sectarizar-se. A quem só me quer como quer ou como pensa que eu sou. Para você, eu sou horrorosa, odiosa, terrível. Porque não finjo, declaro. Te odeio. Mas você é tão meiga! Oh! E inteligente! Isso é raro em uma pessoa como você! Mas nem com a lupa mais pesada e espessa tu serias capaz de me enxergar, não é mesmo? Vês apenas rótulos, letras.

Descarrego todo o ódio para que assim possa amar.

Amar profundamente. Apaixonada e desesperadamente. Amo a quem nada diz e apenas sorri, compartilhando seu segredo silencioso. Amo muito a quem muito diz e para cada palavra uma nova descoberta, um novo universo a me infestar. Amo a quem para mim reclama,
resmunga, e me faz abrir os olhos. Amo a quem me faz enxergar melhor com outros sentidos que não somente a visão. Amo quem tem defeitos. Amo quem é anormal. Amo quem foge das regras, quem ousa. Amo quem erra. E continua a errar tentando acertar.

Amo quem não cria barreiras, amo quem odeia rótulos, como eu. Amo quem pensa diferente de mim, a quem discorda de coisas que eu escrevo e não tem medo de discordar. Amo quem não espera que eu seja mais além do que sou. Tanto quanto amo quem acredita que sou mais além do que sou, sem deixar de entender que sou o quanto quero e posso. Amo quem não me impõe limites para aquilo que desconheces, quanto amo quem sabe que há limites para aquilo que me conheces.

Amo quem sabe que para me conhecer é preciso tempo e
convivência, que não há palavras, categorias ou rótulos que me definam, mesmo que eu mesma ás vezes acabe usando algum.

Amo a quem me vê como humana. Quanto amo o que há de humano em quem eu amo.

Published in: on 01/02/2009 at 02:44  Comments (1)  
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Supercake, la heroína lesbiana

Do portal Red Social de Contenidos

No es un pájaro, ni un avión, tampoco es Superman. ¡Es Supercake!, la primera superheroína lesbiana del mundo de los cómics, cuyas historia aparece en el magazine online argentino “BAG, llevá la vida que quieras”.

sk1Supercake es fruto de NextDoor, una productora de contenidos para público gay que nació en el 2007, bajo la idea de encontrar un medio para llegar a la gente, desde la diversidad de información, no sólo para el público homosexual.

Uno de sus atractivos productos es el comic Supercake que ya tiene 4 capítulos online (de los 26 que, en principio, hay pensados) y que alcanzó un gran éxito.

Según le contó la dueña de NeyxtDoor Fernanda Mel, a psicofxp.com, la idea de hacer Supercake fue lo primero que se le vino a su cabeza. “La esencia de nuestros productos tiene que ver con el humor y el formato del comic, nos permitía ser todo lo delirante que quisiéramos”, confesó Mel.

Ya el título es provocador. Como cualquier superhéroe tradicional, su nombre contiene la palabra Super, y la acompaña el seudónimo cake, o torta en español, nombre con el cual, en la jerga de la Argentina, se denomina a las lesbianas.

Sin dudas, encarar un proyecto de estas características es un gran desafío. Mel contó que “hace unos tres o cuatro años” comenzó a escribir la historia y que luego convocó al periodista Juan Martín Grazide para que le hiciera de coekiper. A su vez, detalló que armaron “la historia principal, desmenuzando al personaje desde su psicología, su infancia, su familia, sus comienzos como superheroína y su futuro.

“Era clarísimo que el personaje tenía que ser una mujer. Las mujeres gay tenemos muy poca cabida en el mundo de los medios gays y, en principio, me pareció interesante hacer algo desde mi lugar de gay, para mujeres gay y para quien quisiera leerlo”, dijo la propietaria de NeyxtDoor, sobre el por qué de la elección de una mujer como protagonista de un comic gay.

La historia de Supercake

sk16Marina es una chica como muchas, una chica de mucha plata que vive en el barrio de Belgrano (Buenos Aires), perteneciente a una familia wannabe, es decir de los que aparentan lo que no son o quieren parecerse a otros. Fue al colegio Saint Conchet’s, estudió publicidad y trabaja en una agencia de publicidad.

En 1958 su abuela Margarita, arqueóloga, viajó a Perú a hacer unas investigaciones y conoció a un Chamán que le dijo que ella iba a tener una nieta que nacería con una misión a cumplir en esta tierra. Le dio un collar y le aseguró que cuando su nieta tuviera relaciones sexuales con otra mujer, ese collar le daría los poderes que necesitaría para su vida como heroína.

Al regresar a su país, la abuela armó un grupo llamado La Resistencia, que estaba conformado por Mónica, una experta en computación, Gonzalo un ex Side, que manejaba la inteligencia del equipo, Juan Carlos, pareja de Gonzalo y mano derecha de la abuela. Su centro de operaciones estaba en la parte de atrás de la panadería que manejan la abuela y Juan Carlos.

Este grupo creó una cyborg, un androide llamado Carla con la intención que de enamorara a Marina y así, tuvieran relaciones sexuales, para que sus poderes se activaran en un ámbito secreto.

Una vez efectuado el acto sexual entre ellas, se manifestaron los poderes ocultos del collar y Marina se convirtió en la más grande superheroína gay de todos los tiempos: Supercake, luchando por el bien, la justicia y los abanderados del arcoíris (los colores que distinguen a la agrupación de homosexuales en la Argentina).

Toda historia tiene su villano y esta no es la excepción. La antagonista de Supercake es Madame Busheim, una malévola villana que fue congelada en la época de la Inquisición y volvió, con una pierna podrida ya que le quedó fuera del refrigerador.

Con el correr de los capítulos se va a ir conociendo más sobre sus orígenes y sobre la misión que le fue asignada.

Los personajes
Supercake
Su nombre civil es Marina. Marina se sintió varias veces atraída por mujeres, pero como la mayoría de las mortales no se hizo cargo.

Abuela Margarita
Es la cabecilla de la Resistencia. Aunque parece frágil, la abuela tiene un carácter muy fuerte, también cocina estupendamente y tiene debilidad por los té de hierbas exóticas. Amiga de toda la vida de Juan Carlos, junto a él fundan la Resistencia.

Mónica
Es el otro cerebro estratégico de la Resistencia, poseedora de una inteligencia brillante y un carácter horrible, tiene increíbles conocimientos en computación, telecomunicaciones, biónica, seguridad y móviles.

Estudió en la Universidad tecnológica de EEUU, trabajó para el gobierno en misiones secretas e incluso para la Logia, hasta que tomó consciencia y, como doble agente, le frustró varios planes. Fugitiva de la Logia, al ser descubierta, actuó varios años en la clandestinidad hasta conocer a Gonzalo que la incorpora a la Resistencia.

Gonzalo
Marine y guerrero por excelencia, trabajó en diversas agencias secretas hasta unirse a la Resistencia, a quienes conoce a través de su pareja Juan Carlos, quien lo sensibiliza y le da consciencia social. Es experto en todo estilo de lucha cuerpo a cuerpo, en armamento sofisticado y explosivos.

Juan Carlos
Nació en España y siempre se caracterizó por su sensibilidad social y su debilidad por los muchachos corpulentos. Aunque de joven soñaba con ser estrella de revista, su consciencia pudo más y finalmente estudió medicina y trabajó muchos años en médicos sin fronteras. Es la pareja de Gonzalo.

Germán
Es el mejor amigo de Marina desde el colegio. Superficial y despreocupado, le interesa más llamar la atención que cualquier buena causa, pero siempre puede más su cariño y lealtad por Marina, lo que lo hace involucrarse en diversas misiones.

DYKE-SE!

dyke-se

Published in: on 05/01/2009 at 13:47  Comments (3)  
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T.o.r.r.e. .d.e. .B.a.b.e.l. – Lembra?

Published in: on 18/12/2008 at 00:58  Deixe um comentário  
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Amiga GAY???

fantasticoO Fantástico – revista eletrônica semanal da Rede Globo – veiculou ontem matéria sobre a discriminação que algumas mulheres sofrem por terem amigas lésbicas. Mais uma vez, a Globo presta um desserviço denominando de gays as mulheres que amam, desejam e se relacionam afetivo-sexualmente com mulheres. A companheira Daniela Marques, da Sapataria, escreveu um comentário a respeito da matéria e enviou à produção. Leia abaixo.

Para assistir à matéria do Fantástico, clique aqui.

Em relação à matéria “Amiga Gay” vinculada no Fantástico no último domingo, considerações:

1. Se a matéria se tratava de mulheres lésbicas que têm amigas héteros, a chamada do quadro – assim como a intervenção de Patrícia Poeta – foi equívocada e deveria ser AMIGA LÉSBICA e não Amiga Gay e estas referências a “ser amiga de uma MULHER LÉSBICA”, não mulher gay. Primeiro pq mulheres que se relacionam com mulheres são lésbicas e não gays – termo utilizado a homens homossexuais; pra além disso, existe toda uma luta diária e constante em se reconhecer a mulher lésbica como uma sujeita-própria-de-sua-história-e-reconhecimento, a se contar o que foi a mobilização da mudança do nome da Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, realizada este ano com a presença e reconhecimento do presidente Lula, para Conferência Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.LÉSBICAS NÃO SÃO GAYS e vice-versa.

2. A imagem recortada da novela – “A senhora não é lésbica, não pode deixar que falem mal de você assim”, defende a personagem Mariana, filha de Catarina – pretendeu-se a quê? Porque o ficou pro meu entendimento e ao entendimento de amigas heteros e lésbicas que viram a matéria foi que o termo/o ser lésbica como uma desqualificação, uma ofensa… O QUE NÃO É!!! Esta edição foi um desserviço. Se não se é lésbica, não há problema em negar que seja, assim como não há problema em sê-lo. O fato do meu afeto ser voltado pra mulheres, tais como eu não me ofende, desqualifica ou deve ser desculpa pra eu ser discriminada, agredida ou coisa que o valha.

3.E o mais grave dos desserviços da matéria, a declaração: “Com certeza, é melhor fingir não ser. Se eu fosse homossexual, eu não daria na cara assim como a gente deu”, afirma Karina Pagani, atriz. Mulheres lésbicas namoram tal qual outras pessoas – sejam estas héteros ou homossexuais – namoram não na distância e na “sem-gracesa” das atrizes. Mas não houve nada mais grave do que falar que é melhor fingir não ser, argh………….Eu e mais milhões de mulheres,nobres guerreiras, damos a cara a tapa (às vezes, literalmente) diariamente – seja em espaços privados ou públicos – pra poder viver nossos amores com outras mulheres e para superar e combater o leviano julgamento de quem fala que meu afeto é errado, anormal, doente, munido de qualquer discurso preconceituoso e tacanho como o que foi declarado; eu não posso ser enclausurada numa caixa porque as pessoas se preocupam e se chocam mais com o beijo que eu dou na minha namorada, do que com a violência que mata Elóas Brasil afora e balas perdidas que nos atigem dia-a-dia. POUPEM-ME!

4. O Fantástico perdeu uma grande oportunidade de falar sobre o Projeto de Lei 122 que criminaliza a Homofobia e está em tramitação no Congresso, esbarrando no preconceito tacanho dos legisladores, que inventam 1001 desculpas pra não aplicar sanções mais rigídas a motivações de discriminação sexual, que chegam a gerar crimes de ódio, infelizmente recorrentes, pelo simples fato de ser lésbica, gay, travestis ou transexual. A aprovação deste é emergencial porque o meu afeto não pode ser motivo pra quererem me limar, me matar,me esconder; eu não posso correr risco de morte porque sou mulher, negra, lésbica. Aqui mesmo no Distrito Federal estamos a tempos esperando a regulamentação da Lei Maninha(Lei 2615) – para o qual o governador Arruda faz vista grossa – que prevê sanções a todo preconceito motivado por orientação sexual. A lei Maria da Penha, também, é uma lei inovadora que protege a mulher, inclusive prevendo proteção a possível violência doméstica entre casal de lésbicas. Então se é pra ser de utilidade pública, mobilizem e publicizem a vigência e emergência destas leis, mas não respaldem a intolerância, porque ela não foi tão despercebida assim…

A vinculação de qualquer matéria deve ser pensada, observada e cuidada e ainda mais numa questão que polemiza tanto, ainda…ninguém estabelece vínculos, amizades buscando saber da orientação de fulano ou ciclano,ou seja, ninguém apresenta currículos ou cartas de referência para estabelecer amizades e talvez por isso eu não consiga classificar minhas amigas lésbicas, minhas amigas héteros, meus amigos gays, minhas amigas bissexuais, etc…são todas e todos meus amig@s.