Audiência Pública sobre a Conferência Nacional e Distrital de Comunicação

do portal da Câmara Legislativa, Brasília — DF

Clique na imagem para saber como participar

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Dep. Érika Kokay convoca Audiencia Pública para encaminhar Conferência Distrital e Nacional.

Pela primeira vez no Brasil, uma Conferência Nacional de Comunicação vai ser realizada. Durante os dias 1 a 3 de dezembro, em Brasília, toda a sociedade civil terá a oportunidade de formular propostas para o conjunto das políticas de comunicação, numa tentativa de democratizar um dos setores mais monopolizados do País.

No entanto, precisamos garantir que a etapa distrital seja realizada. Estamos mobilizados em torno da Comissão Distrital Pró Conferência de Comunicação e contamos com você na Audiência Pública sobre a Conferência, hoje (23 de junho de 2009), às 19h, na Câmara Legislativa.

Junte-se a nós nesta luta pela Democratização da Comunicação!

O quê: Audiência Pública sobre a Conferência Nacional e Distrital de Comunicação

Quando: 23 de junho, às 19h.

Onde: Câmara Legislativa do DF: SAIN Parque Rural. Por trás do supermercado Extra do fim da Asa Norte.

Contato: Comissão Distrital Pró-Conferência de Comunicação – Mayrá Lima: 61-96846534

MAIS: O QUE A CONFERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO TEM A VER COM VOCÊ?

O que a Conferência de Comunicação tem a ver com você? Quando assistimos televisão ou ouvimos o rádio não sabemos que qualquer canal só pode veicular determinado conteúdo porque tem uma concessão pública. Mas o que significa ser uma concessão pública? Significa que os canais de televisão e rádio pertencem ao povo brasileiro e que para que uma empresa queira explorá-lo comercialmente precisa de autorização do estado, que é quem toma conta dos bens coletivos do povo. Em outras concessões públicas, como transporte coletivo, por exemplo, todo o serviço prestado é voltado ao interesse do cidadão e quando ele não funciona todo mundo pode reclamar para que o serviço mude! No caso das TVs comerciais, como Globo, SBT, Record, Band e Rede TV , que de acordo com a lei deveriam veicular principalmente conteúdos educativos, culturais, artísticos e informativos, isso simplesmente não acontece! Eles fazem o que querem com a programação televisiva e o cidadão não tem a chance nem de avaliar, nem de reclamar para que as coisas mudem. Além disso, há uma śerie de irregularidades cometidas por esses canais, que muitas vezes violam direitos humanos e a própria lei que regulamenta seu funcionamento. A Conferência traz a chance da sociedade dizer como devem funcionar essas concessões públicas.

Outra questão importante: você tem internet em casa? Na escola? No Telecentro? Num mundo em que cada dia mais a informação é parte fundamental da vida, a internet torna-se um recurso de primeira necessidade. Ter acesso à informação e se comunicar são direitos da cidadã e do cidadão. É dever do Estado garantir que todo mundo possa acessar e produzir conteúdos para se informar e se comunicar. Como garantir esse acesso? Como garantir condições para que os cidadãos possam distribuir os conteúdos que produzem? Esses também são debates que passam pela Conferência.

O futuro também já chegou. É celular que toca música, é computador que passa filme, é televisão que vai virar computador. Nesse encontro de tecnologias, que chamamos de convergência, ninguém sabe ao certo de que forma podemos utilizar todas essas inovações a serviço de cidadãs e cidadãos, garantindo o acesso universal ao conhecimento, e à produção de conteúdo. Como organizar todo o caminho que vai da produção de conteúdo, passando pela forma como ele será distribuído e recebido é outro tema sobre o qual os participantes da I Conferência Nacional de Comunicação.

E isso é apenas uma pequena amostra do que será discutido na I Conferência Nacional de Comunicação. A imagem da mulher na mídia, o controle social sobre o que é veiculado, direitos de resposta, legislação, práticas, participação…

Portanto, a I Conferência Nacional de Comunicação é um momento em que toda a sociedade se reúne para definir as diretrizes e ações que o poder público (prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, ministros, presidente, juízes, promotores, etc) deve ter como prioridade no setor de Comunicação. É um momento muito especial de participação popular na definição das políticas públicas. Por isso é fundamental se inteirar e participar de todas as atividades relacionadas à Conferência na sua cidade. Procure a Comissão Estadual de onde você mora e participe!

CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE A I CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO!

Orçamento Mulher

Do site Orçamento Mulher

Estudo do CFEMEA mostra a ineficácia do PLDO 2010 na garantia dos direitos das mulheres

A análise aponta que instrumentos na LDO dão maior flexibilidade para gastos orçamentários, mas pouca garantia de priorização de recursos para os direitos humanos e a igualdade de gênero. Aponta também que a crise financeira está refletida nas disposições no Projeto de Lei, que mantém a rigidez da política fiscal definida nos anos anteriores.

orcamentoO Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010 (PLDO 2010) foi discutido, na última quarta-feira (13), em audiência pública pelo ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo. Na ocasião, parlamentares cumprimentaram o governo por mostrar sua “sensibilidade social” no Projeto de Lei. Entretanto, a análise do CFEMEA (clique aqui para ler o estudo) mostra que, pelo contrário, existem poucos dispositivos nesse sentido, e quase nenhum é cumprido.

Desta forma, utilizando como referenciais a metodologia do Orçamento Mulher1 e o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, a análise buscou avaliar em que medida o PLDO 2010 promove os objetivos do governo de superar as desigualdades sociais, de gênero e étnico-raciais. Infelizmente, as constatações são de que o Projeto não traz muitas garantias nesse sentido.

O estudo mostra quanto o atual cenário de crise está refletido nas disposições no PLDO para 2010, que mantém a rigidez da política fiscal definida nos anos anteriores. O aumento do gasto público, que foi uma das saídas do governo para enfrentar a crise, tem vindo na forma de incentivos fiscais e financeiros aos setores industrial e bancário, e não na forma de políticas públicas sociais de qualidade e universais, que promovam a igualdade de gênero e étnico-racial.

Outra constatação na análise do PLDO é relativa à taxa SELIC. O Anexo de Riscos Fiscais aponta que uma redução de 1% dessa taxa de juros reduziria os pagamentos da dívida e seus encargos em aproximadamente 0,04% do PIB – liberando cerca de R$ 135 bilhões. Mas não há qualquer garantia de que esse recurso vai ser utilizado para a promoção dos direitos humanos.

O CFEMEA entende que as medidas de combate à crise, bem como a redução da taxa SELIC e da dívida pública devem representar ganhos para a população na forma de políticas públicas essenciais para a autonomia e qualidade de vida; e mais ainda, que a Lei de Diretrizes Orçamentárias deve refletir os objetivos e compromissos assumidos pelo Governo com a redução das desigualdades e promoção da justiça social.

Para isso, é preciso que a LDO, que atualmente só contempla metas fiscais, disponha também de metas sociais para a redução das desigualdades. Embora tenha sido proposto pelo CFEMEA e aprovado pelo Congresso Nacional em 2009, o Anexo de Metas Sociais foi vetado pelo presidente Lula.

Desta forma, o único instrumento previsto no PLDO 2010 para avaliar qualitativamente as políticas públicas do governo federal é o Anexo de Metas e Prioridades. Para 2010 ele indica 110 ações que devem ser priorizadas no orçamento. Dessas ações, 65 fazem parte do Orçamento Mulher, um número pequeno, considerando-se que o Orçamento Mulher contempla quase 650 ações.

Além de ser insuficiente para representar e garantir o atendimento às demandas das mulheres, o Anexo de Metas e Prioridades não tem tido efetividade. Levantamento realizado pelo CFEMEA revela que esse anexo vem sendo descumprido nos últimos anos: em 2009, por exemplo, foram 114 ações do Anexo de Metas e Prioridades que ficaram sem nenhum recurso no orçamento. E não foi a primeira vez que isso ocorreu. Verificou-se, por exemplo, que não foi possível fazer a Capacitação de Mulheres Gestoras nos Setores Produtivos Rural e Urbano em 2007, ou cumprir a ação de Apoio a Serviços Especializados no Atendimento às Mulheres em Situação de Violência em 2008, ou ainda executar a ação de Atenção à Saúde da População Negra, nem em 2008, nem em 20092.

Muito longe da “sensibilidade social” que lhe foi atribuída, o PLDO se constitui, atualmente, num instrumento que só funciona para a política econômica do governo. O Executivo propõe a lei para não cumpri-la, o Legislativo aprova a lei e não a fiscaliza, e a cidadania, os direitos da população ficam entregues à disposição e boa vontade dos governantes. É por essa razão que o CFEMEA entende como fundamental o debate e o monitoramento sobre o PLDO 2010, tanto pelos poderes públicos como pela própria sociedade civil.

(1) O Orçamento Mulher é uma metodologia desenvolvida em 2002 para o acompanhamento do orçamento público federal sob as perspectivas de gênero e étnico-racial. Contempla uma seleção de 86 programas do Planejamento Governamental (PPA 2008-2011) do Governo Federal que são mais estratégicos para a promoção dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero e étnico-racial. O acompanhamento dos recursos alocados e executados nesses programas pode ser feito pelo site http://www.senado.gov.br/siga, acessando-se os links Orçamentos Temáticos e em seguida Orçamento Mulher.

(2) O levantamento referido deu origem a uma denúncia do CFEMEA ao Ministério Público Federal (MPF) em relação aos desrespeitos à Lei de Diretrizes Orçamentárias, para que se possa cobrar do poder público seus deveres na promoção dos direitos humanos e da igualdade de gênero.

Published in: on 22/05/2009 at 15:01  Deixe um comentário  
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CONVITE

SIMPÓSIO INTERNACIONAL
NÃO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Combater o tráfico internacional e a exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes.
Prevenir a AIDS nos países de língua portuguesa.

        
A FDIM – Federação Democrática Internacional de Mulheres com o apoio da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres da Presidência da República do Brasil – SEPM, Ministério de Relações Exteriores – MRE, Fundo de Populações das Nações Unidas – UNFPA e do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo – APEOESP está realizando o Simpósio Internacional Não à Violência contra a Mulher. Combater o tráfico internacional e a exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes. Prevenir a Aids nos países de língua portuguesa.
O Simpósio Internacional acontecerá na cidade de São Paulo, na Casa do Professor (APEOESP) Rua Bento Freitas, 71, nos dias 02 e 03 de Fevereiro de 2008.
Vimos convidar V.Sa. para participar da Sessão de Abertura do Simpósio no dia 02 de fevereiro, às 14hs e dos painéis que serão realizados no dia 03 de Fevereiro conforme programação anexa.
A realização deste Simpósio Internacional cumpre as deliberações para a solidariedade internacional aos países de Língua Portuguesa que definimos durante o primeiro seminário da FDIM sobre os PALOPS realizado em Brasília em 2006 como também durante o Comitê de Direção da FDIM realizado em junho de 2008, em Bruxelas, na Bélgica, na sede do Parlamento Europeu.
Além da representação já confirmada dos países da CPLP – Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Timor Leste -, teremos a representação das vices presidentes da FDIM de Angola, Palestina, Índia, Chipre e Argentina.
Queremos contar com sua importante presença!
Um grande abraço

Márcia Campos – Presidenta FDIM
Solicitamos confirmação de presença ou através deste email ou:
(11) 5083 7508 ou (11) 9832 7410 com Lenice Antunez

Published in: on 29/01/2009 at 02:14  Deixe um comentário  
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Vereadora transexual toma posse vestida de rosa

Do portal CEN Brasil.

leo-kretSALVADOR – Vereadora do Partido Republicano, a transexual Léo Kret do Brasil tomou posse na Câmara da capital baiana cumprindo a promessa que havia feito aos seus eleitores: ir vestida de roupas da cor rosa.

– Essa é uma homenagem minha para a cidade de Salvador. Quero mostrar a todos que sou transexual e respeitada – afirmou. O modelo escolhido foi um terninho e sapato bico. – Estou chique, hem? É preciso estar elegante em um dia tão importante como esse.

Léo Kret revelou que uma das prioridades durante o governo será dada para comunidade Gay de Salvador.

– Fui eleita pelo povo e vou lutar pelos LGBTs. Tenho um compromisso especial com quem tanto me apoiou para que eu pudesse chegar à Câmara de Vereadores e desempenhar minhas funções. Quero acabar com a homofobia e o preconceito – disse.

Durante a campanha, a vereadora afirmou ter sofrido atos de discriminação social, por mais que se sinta respeitada dentro de seu novo ambiente de trabalho.

– Na campanha sofri muito. O preconceito infelizmente ainda existe. Aqui dentro não vejo isso. As pessoas me olham com seriedade.

Batizada como Alessandro Sousa Santos, a vereadora luta ainda para oficializar a mudança de nome.

– Minha identidade social é feminina. Não vejo porque não assinar como Leo Kret do Brasil.

Fonte : JB Online

Biblioteca em Presídio Feminino

Revolução sem armas

Leitura de romances e poemas em presídio feminino muda rotina de ócio e conflitos e dá asas ao sonho

Marcelo Abreu, Da equipe do Correio
Fotos: Iano Andrade/CB/D.A Press

O pátio de banho de sol que era chamado de ponto cego passou a ser o local preferido de leitura das detentas: descoberta de um novo mundo

Iano Andrade/CB/D.A Press

Era ali que as presas se escondiam e arquitetavam mais um de seus crimes. O nome do lugar? “Ponto cego”, ao lado do pátio, onde elas tomam banho de sol. Hoje, é ali que se mostram. Se deixam ver, se reconhecem e, mesmo com as grades, os enormes cadeados e o eco que transborda, sentem-se mais livres do que nunca. O que era condenação virou libertação. Sonho, perspectiva, alguma chance. A saída. Essa é a realidade do Presídio Feminino da Coméia de Brasília, entre o Gama e Santa Maria. O sonho de um agente de polícia foi ouvido por uma voluntária. A voluntária chamou parceiros, convidou a comunidade. Contou a história para a diretora da cadeia, que se encantou com a idéia e espalhou a boa notícia entre os funcionários. Quarenta e três dias depois, tudo virou realidade.

No “ponto cego” do presídio, em setembro, foi inaugurada a Biblioteca Maria da Penha. Presas lêem, discutem literatura, se emocionam com histórias de amor. E se percebem gente em meio a livros e rumos nunca antes pensados. Enxergam horizontes muito além das grades azuis e dos muros altos com arames mortais. Há três semanas, a imagem do presídio mudou radicalmente. Na hora do banho de sol, presas sentadas nos bancos de concreto, no chão, em cada pedaço de cimento. E o silêncio, antes impensável, grita todos os dias. Nas mãos, livros. Nos olhos, o brilho da descoberta. Na cabeça sem fronteiras, a melhor das viagens: a liberdade.

“Quando eu tô lendo, parece que entro na história. Me sinto parte dela”, diz a detenta Juliane de Souza Vinghote, de 30 anos, 5ª série, presa há 14 meses por tráfico. “Li muito até os 14 anos. Depois, nunca mais li nada, me desinteressei por tudo. Aqui recomecei. Desde que a biblioteca foi inaugurada, já li oito livros”. Juliane prefere os de auto-ajuda. “O que mudou na minha vida? Vejo a superação das pessoas. Aí, digo a mim mesma: ‘eu também posso mudar’. Mudou a minha maneira de ver o mundo, agora posso acreditar num recomeço. Quem lê, muda até o pensamento”, responde a moça.

O acervo da biblioteca conta hoje com cerca de 3 mil livros. As estantes estão cheias. Tudo é doação. E a procura é constante. Quem toma conta da biblioteca é a detenta Maria Luzeni Soares, mineira de 40 anos, presa por estelionato. Advogada criminal, Maria Luzeni viu sua vida mudar com a prisão. “Nunca me imaginei do outro lado. E aqui dentro vi que sou igual a elas. Foi a maior lição da minha vida”, ela constata.

Hora do banho de sol. Uma a uma elas descem para o pátio. Vencem cadeados, corredores, escadas. Pelo portão com grades, as presas escolhem os livros que gostariam de pegar emprestado. Algumas vão atrás de informação com Maria Luzeni, que ali virou uma espécie de psicóloga e bibliotecária da prisão. Há detentas que pedem para ela ler um pedaço de um poema. Um trecho de um romance.

Às vezes, ficam na ponta dos pés para poder ver e ouvi-la melhor. “Algumas se emocionam só em ouvir. Chegam a chorar”, conta, também comovida. Há ainda aquelas que voltam e contam a história que leram para a advogada presa. Querem compartilhar o novo mundo. Em um mês, 1.309 livros foram emprestados. Cada uma pode ficar até cinco dias com o mesmo livro. Informações sobre saída das obras e data de devolução, nome da usuária, tudo é registrado numa folha de papel por Maria Luzeni. Ali, detentas deixam de ser detentas. Viram apenas leitoras. Hoje, 400 mulheres estão trancafiadas. Oitenta por cento delas foram condenadas por tráfico. E a maioria é muito jovem, mal deixou a adolescência.

Silêncio
Os livros fizeram uma verdadeira revolução sem armas na Coméia. A poesia de Drummond encheu o lugar de esperança. Numa das celas, encostada na grade, uma moça de apenas 18 anos, sentada no chão frio, lê O vôo da gaivota. Foi a forma que encontrou para ser livre. A moça, depois que foi presa, não falou mais. Emudeceu. Prefere livros à fala. Usa a escrita para se comunicar. Tem sido acompanhada por uma psicóloga do presídio. E lê muito, todos os dias.

Alessandra Rodrigues, de 21 anos, seis meses presa, virou fã de romances. “Li cinco. Isso é o que me ajuda a viver aqui dentro”, ela diz. Andréia dos Santos, 22, encantou-se pela poesia. “Ocupa a mente, distrai o pensamento. A gente nem sente que tá aqui dentro.” Maria Júnia Barbosa, 20, longos cabelos negros, cara de menina, presa por tráfico, aventurou-se pelos livros de suspense. Mas tem gostado mesmo é do romance. Está quase terminando A marca de uma lágrima. “Eu me imagino dentro daquela história”, diz a moça que parou os estudos na 6ª série. E faz uma mea-culpa: “Se eu tivesse estudado mais, talvez não tivesse entrado nisso”.

O vôlei, o futebol e a queimada tiveram que dar um tempo. Agora, no banho de sol, as presas só desejam livros. “Depois da biblioteca, eu só quero ler”, admite Simone Sales, 22, há 17 meses na prisão. Crime? Tráfico. Lucimar Araújo Lopes, 38, cabelos compridos e pintados de loiros, ensino médio completo, dois filhos adolescentes, é a campeã de leitura. Já leu pelo menos 30 livros. Adora temas espíritas e devora Paulo Coelho. “Cada livro é uma viagem. Aqui dentro somos pássaros com asas mutiladas”, filosofa a moça, presa há 4 anos. E reflete sobre o poder da leitura: “Quem lê fala melhor, escreve melhor e deixa a timidez de lado”.

A vice-campeã de livros emprestados é Maria Lúcia dos Santos Silva, 32, cinco filhos, 14 meses presa. Leu 20 obras em um mês de funcionamento do novo espaço. “Poesia e espiritismo são o que mais pego”, ela diz. E conta, com olhar perdido, a história do último livro que leu: “Um pai rejeita o filho só porque ele nasceu sem braços. Chorei muito”. Depois de um momento de silêncio, Maria Lúcia diz, como se prometesse a ela mesma: “Vou reconstruir meu lar, juntar minha família”.

Trabalho de gente
O começo dessa história fala do sonho de um agente penitenciário em fazer do “ponto cego” uma biblioteca. Pois bem. Daniel Antônio Faria contou o desejo para Carmen Gamacho, 63, voluntária do Projeto Casa do Saber, de iniciativa privada, que tem como objetivo montar bibliotecas em todos os cantos do DF. Carmen foi ao presídio. Falou da vontade de ajudar. A diretora, Suzana de Pennafort Caldas, 44, recém-chegada à Coméia, aceitou o desafio. Convocou os servidores para abraçarem o projeto. Sinal verde. Carmen correu atrás de patrocinadores. Levou a presidente da Associação dos Bibliotecários do DF, Iza Antunes, 69 anos, 47 de profissão. Estava formada a corrente que mudaria a vida daquelas mulheres trancafiadas.

A rede de Postos Gasol, patrocinadora do projeto, doou o mobiliário. A comunidade, livros. Brasília inteira participou. O que era apenas sonho foi, aos poucos, virando realidade. E finalmente chegou o dia da inauguração. Teve festa. Abriram-se as grades do presídio. Pelo menos para o pensamento. Suzana, a diretora visionária, logo constatou: “Mudou o comportamento delas, a rotina. Até as brigas diminuíram”. Ivone Torres Lima, 58, chefe do Núcleo de Ensino, comemora: “O presídio hoje é uma outra realidade”. Antes, apenas 70 presas estudavam. Agora, são 215. Carmen, cheia de emoção, fala em liberdade. “Nem as grades as mantêm mais presas”. Iza, a bibliotecária, está surpresa: “Confesso que jamais pensei que fosse fazer esse sucesso”.

E as presas, protagonistas dessa história? Há um mês não fazem outra coisa: só viajam, cercadas de grades, cadeados, muros altos e homens armados em guaritas. É a viagem do pensamento, a melhor transformação. E, se transforma, é capaz de libertar. No Presídio Feminino da Coméia aconteceu, há um mês, uma grande revolução. Muros e grades caíram. Os agentes penitenciários, anestesiados, não tiveram tempo de usar armas para conter tamanha rebelião. E as sirenes nem tocaram.

SEM GRADES
A Biblioteca Maria da Penha aceita doação de livros. Quem puder ajudar pode deixá-los em qualquer posto da Rede Gasol

Pesquisa mostra que mulheres têm pouco espaço no cenário eleitoral

por Michelle Amaral da Silva

De acordo com estudo, participação feminina será menor do que o estipulado por lei. De acordo com especialistas, falta de incentivo e investimentos, além de uma política conservadora machistas, são as causas da ausência da mulher no cenário político
 
do Brasil de Fato, 09/09/2008

Michelle Amaral,
da Redação

Mesmo representando a maioria do eleitorado brasileiro- cerca de 51% dos 130 milhões de eleitores- as mulheres têm baixa participação no cenário político brasileiro: apenas 21,33% dos candidatos às próximas eleições são do sexo feminino. Os dados foram apresentados em um estudo feito pela Secretaria Especial de Política para as Mulheres (SEPM), que também revela que nenhum partido cumpriu a cota mínima de 30% de mulheres no total de candidaturas para as câmaras municipais, exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nas candidaturas à prefeitura, todos os Estados da federação também apresentaram índices baixos de participação feminina. Apenas em Porto Alegre (RS), a cota foi superada (50%), onde há quatro candidatos de cada sexo concorrendo à prefeitura.

Para especialistas, o baixo nível de participação das mulheres na política brasileira é resultado de questões culturais e sócio-econômicas, tais como a idéia de que o papel da mulher é ser cuidadora do lar, marido e filhos. Ainda que trabalhe fora ou realize outras atividades, ela deve se dedicar aos trabalhos domésticos.

Visão machista e conservadora
De acordo com Sônia Malheiros Miguel, subsecretária de Articulação Institucional da SEPM, apesar da mulher ter assumindo papéis de visibilidade nas áreas da educação e do trabalho, existe a cultura de que o espaço político não é legítimo para ela. Para Sônia, trata-se de uma “visão machista e conservadora da sociedade brasileira”, em que o meio público é reservado ao homem, enquanto a mulher deve ficar em casa.

Esta mesma opinião é compartilhada pela cientista política e consultora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), Patrícia Rangel, que acredita que o sistema eleitoral brasileiro é excludente, não somente para as mulheres, como também para as minorias. Ela afirma que a baixa participação feminina não se deve a falta de vontade das mulheres, mas sim por causa das barreiras impostas pelo sistema político-eleitoral brasileiro. “Trata-se de um sistema branco e masculino”, afirma Rangel.

Outro aspecto tido como preponderante na baixa participação da mulher na política é a falta de investimento em políticas de incentivos, tanto por parte do governo quanto dos partidos. Sônia Malheiros explica na retórica se chama as mulheres à política, mas, na prática, há somente investimentos para candidaturas masculinas.

“Nos últimos anos, a eleição passou a ser disputada por quem tem mais dinheiro, não são mais as idéias que contam. Nesse jogo, as mulheres dificilmente ganham”, observa Laisy Morière, secretária nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT).

Desigualdades persistentes
O cenário político é um espaço significativo de decisão e, historicamente, foi e é dominado pelo homens. A primeira eleitora, não só do Brasil como da América Latina, foi Celina Guimarães Vianna, que teve seu nome incluído na lista de eleitores do Rio Grande do Norte, em 1927. Contudo, o direito ao voto só foi conquistado por todas as mulheres em 24 de fevereiro de 1932, quando foi promulgado o Código Eleitoral que igualava a mulher aos homens: o eleitor era descrito no código como “o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo…”.

Historicamente, a mulher alcançou espaços de maior visibilidade na sociedade brasileira. A conquista do direito ao voto, o ingresso ao mercado de trabalho e o acesso aos estudos são passos importantes na afirmação de igualdade entre homens e mulheres. Contudo, a visão conservadora de mundo de que o espaço público é naturalmente dos homens e à mulher é reservado o espaço da casa, ainda persiste em nossa sociedade, de acordo com Sônia Malheiros.

“No trabalho, ocupamos todos os espaços. Já temos maior escolaridade do que os homens”, conta Maria Amélia Teles, da organização não-governamental União de Mulheres do Município de São Paulo. Mas, apesar dessas conquistas, ela ressalta que a igualdade plena entre gêneros não foi alcançada. “A desigualdade nas relações de gênero ainda prevalece em todos espaços e instituições. Nossos salários continuam menores. Isto afeta diretamente as relações de poder. Ainda somos menos empoderadas do que os homens”, lamenta.

Mudança de mentalidade
Apesar disso, Maria Amélia aponta que não se pode negar que, entre muitos, a igualdade de direitos entre mulheres e homens já é reconhecida, e que cada vez mais a mulher tem conseguido que se façam leis e políticas públicas para a defesa de direitos iguais. Porém, “a mudança de mentalidade se faz lentamente e mais: os homens (nem todos) não querem perder seus privilégios”, pondera.

Para a feminista, a sub-representação da mulher é fruto do nosso sistema capitalista, que lucra com a desigualdade de gênero. Ela afirma que as mulheres são sobrecarregadas de tarefas, que em maior parte não trazem custos ao sistema. “As mulheres fazem muitos trabalhos inteiramente gratuitos como as tarefas domésticas, os cuidados com crianças, idosos e doentes. Somos nós que realizamos 2/3 do trabalho mundial e grande parte deste trabalho não custa nada para os capitalistas”, analisa Maria Amélia “As mulheres ainda são as cuidadoras da família, fica difícil sair de casa para participar. O Estado e a sociedade precisam assumir os cuidados com a família. A divisão sexual do trabalho doméstico está no campo privado, enquanto não houver uma intervenção nesse processo a mulher continuará em casa”, enfatiza Laisy Moriére.

Tripla jornada
Como resultado, a mulher que conquista espaço no mercado de trabalho tem de realizar uma dupla jornada. “A mulher é responsável pelo cuidado do lar e, se trabalha, ela acaba fazendo uma jornada dupla de trabalho, no serviço e depois em casa”, esclarece Patrícia Rangel, que acredita que, ao se engajar na política implica, a mulher é submetida a uma jornada tripla de trabalho.

Para garantir uma plena participação das mulheres, é necessário que se mude a lógica do sistema político, econômico e social, acredita Maria Amélia. “A política tal qual está concebida está distante da vida da maioria das mulheres. Quem vai se responsabilizar pelas crianças se as reuniões dos partidos políticos terminam tarde da noite?”, questiona.

Os abusos, como o fato de que no Brasil a cada 15 segundos uma mulher é espancada por seu companheiro ou ex, também são barreiras à realização de política por parte das mulheres. “Há necessidade de se fazer uma inversão da agenda política, priorizando as questões das mulheres. Assim se garante mais eqüidade na família, na comunidade, no trabalho e na política. Assim as mulheres poderão disputar espaços políticos de maneira mais justa, mais equilibrada, sem tanto desgaste” enfatiza Maria Amélia.

Vamos mudar a nossa imagem nos meios de comunicação!

Vamos mudar a nossa imagem nos meios de comunicação!
Vamos mudar a nossa imagem nos meios de comunicação!

Oficina “Mulher e mídia: participação e controle social”

A Sapataria – Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bisseuxais do DF e as mulheres do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social convidam os coletivos de mulheres, as organizações feministas e as mulheres de movimentos sociais do Distrito Federal para a oficina Mulher e mídia: participação e controle social, que acontecerá no dia 9 de agosto.

Nesse espaço, vamos conversar sobre a forma como os meios de comunicação nos tratam e discutir ações que podemos fazer para mudar esta situação.

Esta oficina faz parte dos eventos do Mês da Visibilidade Lésbica e também será uma atividade de preparação e mobilização para o Seminário Nacional da Articulação e Mídia, que acontecerá em São Paulo, entre os dias 21 e 24 de agosto.

No mesmo dia, pela tarde, a Sapataria e o Projeto Lacuna convidam para a Oficina de Vídeo-Ativismo, onde vamos aprender um pouco sobre como fazer vídeos que questionem a imagem das mulheres na mídia, dando voz ativa às mulheres e outros segmentos discriminados da sociedade.

A partir das 17h, serão exibidos alguns vídeos-ativistas realizados por mulheres ou que tratem das questões de gênero, sexualidade e mulheres.

Confira a programação abaixo. Esperamos você!

 

9 DE AGOSTO

Auditório do Espaço Magela: W3 Sul, quadra 505, Bloco A, loja 27 – entrada pela W2

Oficina “Mulher e mídia: participação e controle social”

Horário: 9h às 13h

 

Oficina de Vídeo-Ativismo

Horário: 14h às 17h

 

Mostra de Vídeos Ativistas

Horário: 17h às 18h

 

 

Para mais informações contactar:

Jandira Queiroz – 8455 6913 ou 8186-0668

Lidia Neves – 9973 9533

Marcy Picanço – 9979-70 59

 

 

FICHA DE INSCRIÇÃO

(envie para sapatariadf@gmail.com preferencialmente até o dia 7 de agosto)

 

Nome:

Entidade:

Telefone: Celular:

E-mail:

 

Vou participar da:

( ) Oficina “Mulher e mídia: participação e controle social” – 9h às 13h

( ) Oficina de Vídeo-Ativismo – 14h às 17h

( ) Mostra de Vídeos Ativistas – 17h às 18h