Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher

Do site das Católicas pelo Direito de Decidir

Muitas mulheres, a maioria pobres, morrem todos os anos no Brasil vítimas de seqüelas de abortamento inseguro. Além de implementar políticas públicas de saúde que garantam atendimento digno a essas mulheres, é necessário legalizar o aborto no Brasil. Somente com o aborto legalizado essas mulheres poderão recorrer a serviços públicos, gratuitos e seguros, garantindo a elas o direito à saúde e à vida. Leia a seguir editorial de Católicas pelo Direito de Decidir sobre o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher

28 DE MAIO – DIA INTERNACIONAL DE AÇÃO PELA SAÚDE DA MULHER

O dia 28 de maio foi instituído como o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher no IV Encontro Internacional da Mulher e Saúde (1984, Holanda). Na oportunidade, a realização do Tribunal Internacional de Denúncia e Violação dos Direitos Reprodutivos revelou que a questão da mortalidade materna era um grave problema de saúde pública em quase todo o mundo.

Na região latino-americana e caribenha, a data de 28 de maio foi referendada como dia de luta contra a mortalidade materna no V Encontro Internacional Mulher e Saúde (1987, São José da Costa Rica). O dia 28 de maio passou a ser um dia de mobilização para a formação de Campanhas contra a Mortalidade Materna (com temáticas diferentes a cada ano) e de Comitês de Prevenção da Mortalidade Materna, na estrutura dos governos.

No dia 28 de maio de 1988, com o objetivo de denunciar os altos índices de morbidade e mortalidade materna, principalmente nos países menos desenvolvidos, a ; Rede Mundial de Mulheres pelos Direitos Reprodutivos e a Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe deram início a Campanha Mundial pela Saúde da Mulher e de Combate à Morbimortalidade Materna.

Segundo a OMS, entre 115 mil e 204 mil mulheres morrem anualmente em países pobres, devido a abortos mal feitos. O aborto inseguro é uma realidade na região, onde se estima que cerca de uma em cada 4 mortes maternas se deve a complicações do aborto. Em países onde o aborto é permitido por lei, as mulheres têm 275 vezes mais chances de sobreviver do que nas nações onde a prática é proibida.

Desde 1996, o Dia Internacional de Ação pela Saúde das Mulheres é pautado pela defesa do pleno exercício dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos das mulheres. Essa data foi referendada também pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dia de ação pelos direitos sexuais e pelos direitos reprodutivos das mulheres.

No Brasil, o Ministério da Saúde definiu o dia 28 de maio, como o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Em 2003, através da Portaria nº 652/GM do gestor federal, foi instituída a Comissão Nacional de Mortalidade Materna. Essa comissão é responsável por identificar problemas regionais e elaborar estratégias para solucioná-los. Em 2004, foi estabelecido o Pacto Nacional pela redução da morte materna e neonatal, do qual 25 estados brasileiros são signatários.

A despeito das ações tomadas pelo governo brasileiro, a real magnitude da mortalidade materna ainda é desconhecida. O Ministério da Saúde estima que ocorram mais de 3.000 óbitos de gestantes e puérperas por ano. A razão entre a mortalidade materna e o número de bebês nascidos vivos ainda é alta, cerca de 66 mães morrem a cada 100.000 bebês. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera como elevados os índices acima de 20 óbitos maternos por 100 mil nascidos.

Entre as causas dessa taxa elevada de morta lidade materna está o aborto ilegal, inseguro, feito sem as mínimas condições técnicas e de higiene. A despeito da interdição legal e da punição religiosa (para a religião católica, a penalidade é a excomunhão), a realização do aborto inseguro continua ocorrendo cotidianamente no país.

O aborto clandestino é o quarto maior responsável por morte materna no Brasil. Estima-se que sejam realizados anualmente, cerca de 1,5 milhão de abortos ilegais no país, dos quais perto de 400 mil terminam em internação e um número grande, não estimado, em morte. As regiões Norte e Nordeste são as que apresentam os maiores índices.

Para reduzirmos esses índices de mortalidade materna é necessário que Políticas de Saúde, voltadas para atender os direitos sexuais e os direitos reprodutivos das mulheres, sejam verdadeiramente implementadas no Sistema Único de Saúde (SUS). É necessário que as políticas de saúde deixem de ser letras da lei para ser tornarem verdadeiramente direitos das mulheres. É necessário que direitos se expressem pelo acesso universal e irrestrito da população a profissionais qualificados, medicamentos e insumos. É necessário que o aborto seja legalizado, para ser realizado com segurança nos hospitais públicos, deixando assim de vitimar milhares de mulheres, a maioria pobres, todos os anos em nosso país.

Católicas pelo Direito de Decidir

Modelo brasileira que veste 48 e trabalha nos EUA defende moda GG em SP

Fluvia Lacerda chegou à capital paulista nesta terça-feira (28). Brasileira trabalha como modelo ‘plus size’ há quatro anos. Claudia Silveira Do G1, em São Paulo A modelo Fluvia Lacerda, de 28 anos, sempre foi gordinha, nunca considerou o seu excesso de peso um problema e, por isso, jamais fez regime. Ela também não imaginou que o seu manequim 48 seria fundamental para que fosse descoberta por uma ‘olheira’ e conquistasse o sucesso profissional como modelo. Fluvia é uma modelo “plus size” da agência Elite nos Estados Unidos, ou seja, ela trabalha profissionalmente e estrela catálogos de marcas que produzem peças tamanho G e GG. “Aqui no Brasil, esse segmento de modelos praticamente não existe. Lá fora, muitas agências têm modelos tamanho 48 porque há demanda das marcas”, afirma. É justamente sobre essa demanda que Fluvia tenta chamar a atenção das grifes nacionais. “O dinheiro de uma mulher gorda aqui não vale nada porque ela não encontra muitas opções de roupas bonitas, elegantes e com bom acabamento”, dispara. “As roupas para gordinhas no Brasil são geralmente malfeitas ou parecem um saco de batatas”, completa. Antes de ir morar no exterior, Fluvia conta que nunca tinha pensado que poderia ser uma gordinha fashion. “Até porque nunca encontrei algo legal que servisse em mim”. Mas, apesar de achar que a moda brasileira está longe de atender à demanda das mulheres vaidosas e acima do peso, Fluvia reconhece que a situação está melhorando. “Mas os empresários precisam reconhecer que há uma demanda muito grande. Moda para gordinhas é uma mina de ouro”, diz a modelo, citando como exemplo um dia em que decidiu comprar biquíni durante férias no Brasil e descobriu que o tamanho GG tinha sido o primeiro a esgotar nas lojas. “Se há essa ditadura da magreza e os biquínis maiores se esgotam rapidamente, alguma coisa está errada”, afirma. Convite Como nunca tinha pensado em ser modelo, Fluvia achou estranho quando, há quase quatro anos, uma mulher aproximou-se dela durante uma viagem de trem nos EUA e perguntou sem meias palavras qual número ela vestia. “Tomei um susto na hora e fiquei meio desconfiada”, relembra. A mulher, que trabalhava em uma revista “plus size”, afirmou que Fluvia tinha uma rosto exótico e poderia se dar muito bem na carreira de modelo. Depois de ponderar com a família, Fluvia decidiu procurar a agência e, em pouco mais de um mês, já assinava o seu primeiro contrato. Logo, ela largou o emprego como babá para lidar com moda e flashes. Desde então, a modelo já fotografou para revistas internacionais e contabiliza uma centena de campanhas de moda. Seu trabalho mais recente é como capa do primeiro calendário das modelos “plus size”, nos Estados Unidos. Saúde no prato Apesar de ter o emprego dos sonhos de toda modelo – poder comer de tudo sem medo de engordar –, Fluvia conta que segue uma dieta bastante equilibrada, em que os alimentos com conservantes não têm vez. “Não conto calorias e não curto mais comer fast food”, diz Fluvia também está cortando a carne vermelha do cardápio e só come arroz, massa e pães integrais. “Desde que mudei alguns hábitos, meu sono ficou mais tranqüilo, meu cabelo ficou mais bonito e até minha unha mais forte”. Como toda modelo, a preocupação com a imagem faz parte do dia-a-dia. Fluvia frequenta a academia cinco vezes na semana, faz ginástica localizada, ioga e aulas de spinning, além de ter a bicicleta como meio de transporte. “Vou para a academia não para emagrecer, mas para enrijecer os músculos e ganhar massa muscular”, afirma. Depois de saber que Fluvia malha, anda de bicicleta e só come comida saudável, fica difícil entender porque ela continua vestindo 48. “Eu sempre fui assim, esse é o meu biótipo. Minha família é toda cheinha como eu”, conta a modelo, que mantém a mesma numeração de roupa há anos, vai ao médico todo ano para fazer checkup e mantém todas as taxas regularizadas.

Published in: on 01/05/2009 at 18:02  Deixe um comentário  
Tags: , , ,

Vírus HPV contamina 25% das jovens

Uma em cada quatro adolescentes sexualmente ativas está contaminada pelo HPV, vírus transmitido na relação sexual que pode causar câncer de colo de útero, segundo estudo da Fundação Oswaldo Cruz. A pesquisa indica que a infecção foi detectada em meninas que tinham iniciado a vida sexual apenas um ano antes da análise. Quando chegam a cinco anos de atividade sexual, a porcentagem de infectadas sobre para 40%.

“Os adolescentes estão iniciando sua vida sexual muito cedo, sem proteção e com uma grande variedade de parceiros. Como a doença demora a se manifestar, o infectado continua a ter relações, multiplicando os casos”, explica o patologista Hélio Magarinos.

Vacina
Estima-se que aproximadamente 3% das mulheres infectadas pelo vírus podem desenvolver câncer de colo uterino. A doença que pode causar infertilidade e até mesmo levar à morte. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o mal é responsável por cerca de 4 mil vítimas por ano no país. Mulheres com até 26 anos podem tomar a vacina contra o HPV, disponível apenas na rede particular de saúde. “Mas o mais completo meio de prevenção é o uso da camisinha e os exames periódicos para detectar a contaminação”, diz Magarinos.

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz detectou que, entre os exames feitos em mulheres adultas (com mais de 20 anos), 5,6% revelaram alguma alteração no colo do útero. Já entre as adolescentes (de 10 a 19 anos), esse percentual chegou a 9%.

Fonte: http://www2. correiobrazilien se.com.br/ cbonline/ brasil/pri_ bra_185.htm

 

Published in: on 12/04/2009 at 22:21  Deixe um comentário  
Tags: , , ,

A moda na luta contra o HIV

Informado por Carlos Tufvesson em 26/11/2008

clip_image002

Aconteceu hoje no Palácio da Guanabara, a coletiva da Campanha “A Moda na Luta Contra O HIV”
A campanha, criada há 7 anos pelo estilista Carlos Tufvesson, em função do dia 1° de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a AIDS – que este ano completa 20 anos de existência – tem o intuito de dar auxiliar na visibilidade da campanha de prevenção a AIDS e DSTs. Em seu discurso, Carlos ressaltou: “Queremos informar de maneira clara e sem dogmas, como cabe em casos de saúde pública, que a cura não existe e a única maneira tecnicamente comprovada de se evitar o contágio, seja por HIV ou outra doença sexualmente transmissível, é pelo uso do preservativo. A desinformação e a contra informação, são grandes responsáveis pela contaminação de uma pessoa. A volta do crescimento nos índices de contágio, antes estabilizados, é um sinal da importância da visibilidade em uma campanha de prevenção. Não existe um grupo de risco e sim um comportamento de risco. É preocupante o crescimento nos índices de contágio especialmente nos jovens, mulheres heterossexuais e nos cidadãos da terceira idade – tema da campanha do Ministério da Saúde deste ano.”

radical-chicA apresentadora Angélica e as atrizes Lavinia Vlasack e Cristiane Torloni posaram para a campanha que tem a Radical Chic feita especialmente por Miguel Paiva para a campanha.

No ato, o Governador Sérgio Cabral abraçou a campanha e assinou um convênio para o repasse de uma verba de R$ 30.000,00 por mês, destinada a Sociedade Viva Cazuza que vinha passando por dificuldades financeiras.

A coletiva contou com a presença do prefeito eleito Eduardo Paes afirmando o seu compromisso com a campanha em seu governo, o secretário de Saúde Sérgio Côrtes declarou a importância da participação do segmento da moda como pulverizador de informação sobre a prevenção para a doença, e ressaltou que outras campanhas como esta devem ser apoiadas pelo governo.

Participaram do ato o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) a Dep Cida Diogo (PT-RJ), Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, presidente da FIRJAN patrocinadora da campanha, além de personalidades do mundo da moda como Oskar Metsavaht, Maria Oiticica, Regina Coelho entre outros.

As grifes participantes em 2008 são: Antonio Bernardo , Basthianna, Bianca Marques , Blue Man, Carlos Tufvesson, Casual Street, Dautore, Espaço Fashion, Farm, Lee Loo, Lenny, Limits, Manufact Mara Mac , Maria Bonita Extra, Maria Oiticica , Mixed, Natan, Osklen, Redley, Regis Coelho, Reserva, Teodora, Via Flores e Wöllner

Quanto é 700 bilhões de dólares?

postado por Jandira Queiroz

MAIS MULHERES NO PODER, URGENTE!!!!!

O JB Online de hoje, bem como todos os jornais, blogs e meios decomunicaão do planeta, noticiaram a aprovação pela Câmara dos Deputados americana do pacote de ajuda de 700 bilhões de dólares como ajuda ao sistema financeiro de Wall Street.

“A Câmara de Representantes do Estados Unidos aprovou, em votação nesta sexta-feira, o pacote de US$ 700 bilhões de resgate do sistema financeiro do país. A lei proposta pelo governo George W. Bush já tinha sido aprovada no Senado americano na última quarta-feira, mas com algumas alterações.

O pacote de ajuda ao mercado financeiro tem como ponto principal a liberação de US$ 700 bilhões em parcelas para a compra de papéis “podres” em poder de bancos e outras empresas em dificuldades financeiras, além do aumento do limite de depósitos bancários garantidos pelo governo – que passa de US$ 100 mil para US$ 250 mil.”

O blog de Duncan Green, da Oxfam, traz algumas informações inquietantes sobre “o valor de 700 bilhões de dólares”. Fiz uma livre tradução, só para que possamos ter um pouco da dimensão do que significa essa decisão dos Republicanos norte-americanos.

Os argumentos para a medida que evitará um colapso sistêmico nas finanças norte americanas são claramente genuínos e persuasivos, mas os argumentos que clamam por ajuda para impedir que uma criança morra a cada 3 segundos, ou que uma mulher morra por complicações no parto a cada minuto também o são. Colocando os 700 bilhões de dólares aprovados para ajudar Wall Street em perspectiva, esse valor:

  • Quita a dívida acumulada de 49 dos países mais pobres do mundO (US$ 375 bilhões), duas vezes.
  • É quase 5 vezes o valor de ajuda humanitária anual necessário para alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio para pobreza, saúde, educação etc (US$ 150 bilhões por ano)
  • É aproximadamente 7 vezes o valor da ajuda dada hoje pelos países desenvolvidos para erradicaçao da pobreza (US$ 104 bilhões em 2007)
  • É suficiente para erradicar toda a pobreza do mundo por mais de 2 anos (o PNUD calcula que custaria US$ 300 bilhões para colocar toda a população mundial acima da linha de 1 dólar por dia)

Por outro lado, é:

  • Apenas um quarto do custo da guerra do Iraque (US$ 3 trilhões, de acordo com os cálculos de Joseph Stiglitz)
  • Metade dos custos globais anuais com gastos militares (US$ 1339 bilhões)

E aí, você que vota no próximo domingo, é ou não é hora de colocar mais mulheres no poder???

O que está sendo feito da Aids?

do blog da Lucinha Araújo

Tenho visto, com grande preocupação, que o espaço que a Aids ocupa, não só na imprensa, mas também na conscientização das pessoas de um modo geral, cada vez menor. Se nas décadas de 80 e 90 a imprensa não cansava de falar sobre ela e era normal ver pessoas discutindo em grupos de amigos sobre a importância da educação sexual, prevenção, o medo da infecção pelo HIV hoje o panorama é bastante diferente. Parece que saiu de moda, que a Aids não mais existe, ou pelo menos não é um problema suficiente para que as pessoas dediquem a ela mais do que um simples comentário, na maioria das vezes de descaso e despreocupação. Um dos sintomas da banalização da Aids está na diminuição de verbas, da diminuição da capacidade de atendimento específico em hospitais públicos, que já foram referência, como o Gaffrée Guinle e o Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, isso só aqui no Rio de Janeiro. Essa percepção também é responsável pela diminuição e esvaziamento das ONG’s/Aids, inclusive a Sociedade Viva Cazuza, que sobrevivem com grande dificuldade e com a persistência, quase heróica, de algumas pessoas compromissadas com a causa. Os novos antiretrovirais que eram aprovados com grande rapidez pelo Programa Nacional de DST/Aids, agora aguardam empoeirados nas prateleiras da Anvisa, começamos a ver faltar medicamentos nos postos de saúde e hospitais públicos, assim como kits de exames. O resultado dessa banalização é o aumento de novos casos, principalmente entre jovens, que não vivenciaram o início da Aids e acreditam que caso venham a se infectar basta tomar um remedinho.

Fiocruz consegue produzir remédio para Aids

“Essa é uma resposta para comentários de que o Brasil não tinha condições de produzir o remédio (…) mesmo se ele (o preço do anti-retroviral nacional) for um pouco superior, a estratégia é importante. Reforça a indústria nacional, dá independência ao País”

José Gomes Temporão
Ministro da Saúde

O Estado de S. Paulo
17/SETEMBRO/08

Fiocruz consegue produzir Efavirenz

Um ano e 4 meses após a quebra de patente, pedido de registro do anti-retroviral foi encaminhado ontem à Anvisa

Lígia Formenti, BRASÍLIA

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conseguiu uma vitória científica aguardada há tempos por representantes da comunidade internacional e pelo governo brasileiro: a produção do genérico do anti-retroviral EFAVIRENZ. É o primeiro medicamento antiAids fabricado no País após a quebra de patente.

Ontem, a Fiocruz protocolou na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o pedido do registro da versão genérica do remédio, cuja patente foi quebrada em maio de 2007. A expectativa é de que o Programa Nacional de DST-AIDS incorpore a versão nacional do medicamento tão logo os primeiros lotes estejam disponíveis, no primeiro semestre de 2009. O EFAVIRENZ é um dos 17 remédios que compõem o coquetel – as drogas associadas inibem a reprodução do HIV no sangue.

“Esta é uma resposta para comentários de que o Brasil não tinha condições de produzir o remédio”, afirmou ao Estado o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. A fabricação do EFAVIRENZ pela Fiocruz estava prevista para meados deste ano. Mas problemas no preparo da matéria-prima provocaram um atraso no cronograma. Na semana passada, com a aprovação de testes de biodisponibilidade e bioequivalência – essenciais para a fabricação do genérico – o processo para o registro do medicamento foi iniciado.

Antes da quebra de patente, o País gastava cerca de R$ 90 milhões com a compra do remédio, usado por 77 mil pacientes. Com a aquisição do genérico produzido na Índia, a economia superou os R$ 25 milhões anuais.

Agora, a agilidade da produção vai depender da análise do pedido de registro, sob responsabilidade da Anvisa. Como é de interesse público, o processo terá prioridade na avaliação. Os estoques do genérico indiano do EFAVIRENZ duram até meados de 2009. A idéia é que, terminado o estoque, a Fiocruz possa abastecer toda a demanda nacional como produto fabricado no País.

Temporão ainda não fala de preços. Mas garante que o genérico do EFAVIRENZ terá um custo “competitivo” com o medicamento que hoje é importado da Índia. “Mesmo que (o preço) seja um pouco superior, a estratégia é importante. Reforça a indústria nacional, dá independência ao País”, justificou o ministro. O preço do medicamento da Fiocruz, disse Temporão, “será infinitamente menor do que o remédio de marca”, produzido pela Merck.

O ministro acredita ainda que a produção do remédio traz boas perspectivas para a indústria nacional. “É uma aposta na parceria público-privada que deu certo.” O remédio é feito em conjunto com três laboratórios nacionais: Cristália, Nortec e Globequímica. As empresas ficaram encarregadas de produzir a matéria-prima e a Fiocruz, o produto final. “O Brasil é outro”, resumiu. Na avaliação do ministro, no cenário internacional, o País deixa de ser considerado um comprador para iniciar outro tipo de relação. “A de parcerias, produção em conjunto. Queremos que empresas venham aqui desenvolver produtos.”

NÚMEROS

R$ 90 milhões foi o valor gasto pelo Ministério da Saúde, em 2007, para a compra do EFAVIRENZ para cerca de 77 mil pacientes

US$ 1,56 a unidade era o valor cobrado pela Merck, fabricante do medicamento, enquanto o País reclamava que fosse cobrado valor igual ao da Tailândia: US$ 0,65

184 mil brasileiros recebem o coquetel gratuitamente pelo Ministério da Saúde

R$ 25 milhões anuais foram economizados pelo governo brasileiro com a aquisição do genérico produzido na Índia

Se você tem interesse em discutir e saber mais sobre acesso a medicamentos, Programa Nacional DST/Aids, tratamento universal para pessoas positivas e outros temas relacionados, o Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI) da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip) abriu uma lista de discussões. Veja o banner abaixo.

Visibilidade lésbica, uma bandeira que faz muito sentido

do site da Rede Feminista de Saúde

Aquarela de Ludmila Nuit

Aquarela de Ludmila Nuit

O dia nacional da visibilidade lésbica, 29 de agosto, foi instituído em 1996, em referência ao I SENALE – Seminário Nacional de Lésbicas, ocorrido no Rio de Janeiro. Em 2003, no V SENALE realizado em São Paulo, as lésbicas decidiram realizar atividades em todo o País em comemoração ao dia da visibilidade. Desde então, ano a ano, crescem em número e qualidade as ações pela visibilidade lésbica. Neste ano de 2008, as manifestações acontecem em todas as regiões, através de seminários, shows, caminhadas e muita afirmação das mulheres lésbicas enquanto sujeito político lésbica.

O direito de existir, de ser o que somos é o primeiro dos direitos para a garantia de uma vida saudável. Cresce a organização lésbica junto com a luta por políticas públicas que garantam igualdade e dignidade para esta população.

Nas Conferências nacionais de políticas, seja a específica para mulheres, de saúde, ou mesmo da I Conferência Nacional LGBT, a presença e o protagonismo das lésbicas já é um fato reconhecido, tanto por militantes dos diversos movimentos, como por gestor@s public@s, a Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, por exemplo.
Mas por que uma data específica para a Visibilidade Lésbica?

Para convocar toda a sociedade brasileira o poder público para respeitar nossos direitos humanos. Exigimos respeito, dignidade e liberdade!

Para nós da Liga Brasileira de Lésbicas, o dia nacional da visibilidade lésbica representa resistência ao machismo, ao patriarcado e sua expressão mais nociva – a heterossexualidade como norma.

A Visibilidade Lésbica é uma forma de dizer não à censura e ao cerceamento sobre nossos desejos e afetos. Nesse sentido, construímos durante todo o ano inúmeras atividades de cunho educativo e político com mulheres lésbicas e bissexuais para seu fortalecimento na condição de sujeitos políticos, como também realizamos atividades de sensibilização da sociedade como oficinas, palestras, audiências públicas e outras ações para que desconstrua seus preconceitos.

Atuamos também na construção de diretrizes para políticas públicas afirmativas do direito à livre expressão sexual, realizamos ações públicas como as Caminhadas Lésbicas e participação nas Paradas LGBT’s.

Então, para nós, Visibilidade Lésbica é todo dia quando dizemos NÃO à heterossexualidade obrigatória na família, no trabalho, na sociedade, na militância, nos espaços de lazer. O Estado não pode impor invisibilidade e, conseqüentemente, negação de nossos direitos civis, sociais, econômicos, culturais, trabalhistas. Lutamos por cidadania plena e pela implementação do Estado Laico de fato!

Liga Brasileira de Lésbicas
ligabrasileiradelesbicas@uol.com.br