BBB10: Cultura de massa e sexualidade

Cultura de massa e sexualidade

Ao ser perguntado por um dos participantes do Big Brother Brasil sobre o que representavam os 77 milhões de votos da eliminação do programa de 23/02/2010 – em que estavam “no paredão” um gay, uma lésbica e um homem heterossexual machista – o jornalista Pedro Bial, apresentador da atração, respondeu: “Eu não sei”. O Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM) buscou conversar com diferentes pessoas – pesquisadores, militantes e telespectadores do programa – para entender como o programa mobilizou tão amplamente a sociedade nesse episódio que excedeu outras eliminações.

Na análise de muitos, o resultado – a saída de Angélica, a protagonista lésbica –reafirmou a vigência de valores conservadores acerca da sexualidade entre o público que assiste o programa da TV Globo. Certamente deu pano para a manga e rendeu diversas manifestações

A escolha dos participantes desta décima edição do BBB, iniciado em janeiro, por si só já apontou para uma intensa polarização entre visões de mundo, ao juntar um gay “mais feminino”, uma drag queen, uma jovem lésbica assumida, um homem heterossexual já conhecido do público como misógino e homofóbico, mulheres heterossexuais sensuais, uma intelectual que se afirmava discrepante do modelo hegemônico de beleza magra e um negro de cabelos afro-étnicos. A separação destes em “grupos” (“coloridos”, “sarados”, “belos” e “ligados”) de antemão prenunciava o tipo de polarização a ser estimulada. A nova lógica implementada cumpre o papel de estratégia para ampliar os índices de audiência, objetivo último de um produto midiático comercial.

Contudo, o “paredão”, formado pela tríade de elementos tão diversos, provocou polêmicas que captaram a imaginação do público e levantou diversas questões. Este paredão, que logo vai ser esquecido pelo de hoje à noite (02/03/2010), confrontou a possibilidade de permanência no jogo de uma mulher lésbica (eliminada com 55% dos votos) com a do jogador cuja personalidade vem expressando uma performance agressiva e ambiguamente discriminatória – veja-se a interdição de se conversar sobre certos assuntos no horário das refeições em troca do rapaz (chamado Dourado) se refrear na emissão de arrotos. A “pequena ética” do grupo, como afirmou Pedro Bial em uma de suas aparições, parece agradar a uma enorme variedade de fãs que resolveram dar um basta ao respeito à diversidade sexual. Dourado parece emergir como modelo do machão heterossexual, destemido, “autêntico”, que “não leva desaforo para casa”.

Em e-mails e telefonemas, o CLAM buscou entender o que parte da audiência entende ou o que se pode ler entre imagens, votos e falas:

Uma editora carioca, assídua telespectadora do programa, afirmou não ter visto qualquer manifestação de homofobia na decisão do público. Afinal, segundo ela, a votação do gay também “emparedado” foi muito baixa e a polarização mostrou que havia muita gente disposta a “detonar” a participação de Dourado. A telespectadora atribui o resultado final ao fato de Angélica ter se envolvido em fofocas de “leva e traz”, o que comprometeu sua popularidade.

Para muitas ativistas lésbicas, porém, o que está por trás da saída da moça é, sim, a lesbofobia. Segundo essas vozes, o problema da personagem foi demonstrar o desejo por outra mulher em pleno programa (outra participante), causando um incômodo no público, o qual tem sido mascarado por outras críticas a ela, como a chamar de “fofoqueira” ou “encrenqueira”. “Ela desafiou a virilidade masculina do homem brasileiro, ao tentar se ‘intrometer’ em uma relação heterossexual, expressando seu desejo pela namorada de um outro participante. Vivemos em uma sociedade androcêntrica e, por conseguinte, falocêntrica”, avalia Jandira Queiroz, assistente de projetos do Observatório de Sexualidade e Política (SPW).

Na análise de Jandira, a moça desafiou a heteronormatividade e o patriarcado, especialmente por encarnar um tipo de lésbica não masculinizada, mas extremamente feminina. “A lésbica bonita e feminina incomoda muito mais. O homem heterossexual ainda entende a lésbica masculinizada, sem entender como ela se construiu ou o quanto esta imagem foi construída como uma forma defensiva de se colocar no mundo”, alinhava a ativista Gilza Rodrigues, presidente do Grupo de Conscientização Homossexual Arco-Íris, entidade responsável pela Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, segunda maior do mundo em número de participantes.

Para muitas das pessoas ouvidas, o resultado era esperado, considerando o padrão brasileiro de uma sociedade repleta de preconceitos. “A maneira que a homossexualidade feminina veio sendo tratada no programa – referida através de estereótipos masculinos, com a clara intenção de ridicularizar a sua orientação sexual, reforçando as concepções tradicionais de gênero e sexualidade – denota o quanto a questão de gênero perpassa a orientação sexual na experiência cotidiana dos sujeitos.

Com base nessas premissas, sua exclusão do programa leva, sim, a que se possa pensá-la como produto da dominação simbólica. Sua eliminação reforça a idéia de que a mulher não pode impunemente violar as regras de seu estilo de gênero tradicional, tampouco a orientação heterossexual. As lésbicas, mais ainda do que as mulheres heterossexuais, ‘precisam saber o seu lugar’, parece ser a mensagem transmitida com a eliminação da moça”, analisa a historiadora e mestre em Política Social Rita Colaço, responsável pelo blog “Comer de Matula”, dirigido a lésbicas, gays, travestis e transexuais.

Porém, se a eliminação da participante lésbica era esperada, como explicar a permanência de alguém que se assume como “o machão da casa”, afirma que homens heterossexuais não contraem HIV e diz que homossexualidade é opção? Na opinião da psicóloga Vanessa Leite, pesquisadora do CLAM, o relativo sucesso do personagem se ancora na saudade de uma “masculinidade perdida”. “Não existem outros homens heterossexuais que se posicionem como ele no programa. Ele ocupa um lugar no imaginário social do “macho ideal”: autoritário, homofóbico e misógino”, diz ela.

“Ele é um exemplo do machismo no Brasil, mas é apenas a ponta de um iceberg que ainda associa os homossexuais à Aids e que trata a mulher como objeto. A suástica que ele carrega tatuada no corpo já demonstra o que ele pensa em relação à diversidade. Sua manutenção no programa sinaliza que, em parte, a sociedade comunga com as suas opiniões. Isso é preocupante, uma vez que pode vir a prejudicar o trabalho de visualização de direitos e de cidadania realizado por diversas organizações da sociedade civil brasileira”, afirma o ativista Cláudio Nascimento, Superintendente de Direitos Coletivos, Individuais e Difusos da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro.

Outras vozes fazem coro com Nascimento. “Por sua elevadíssima audiência, o programa pode tanto contribuir para o esclarecimento a respeito de visões preconceituosas e estigmatizadoras, quanto para contribuir justamente para o seu reforço, estimulando personalidades violentas e com dificuldades em se relacionar com a alteridade, como está parecendo ser o caso nesta versão do programa”, salienta Rita Colaço.

“Programas como o Big Brother Brasil, como qualquer cultura de massa, formam opinião, podendo trazer conseqüências tanto positivas quanto negativas. As discussões que são geradas pelas atitudes das pessoas podem tanto diminuir quanto reforçar preconceitos”, diz a jornalista Daniela Novais, que se define como lesbofeminista e atua como articuladora e mobilizadora política no LesBiBahia, articulação autonomista de lésbicas e mulheres bissexuais baianas que discute agenda política e demandas para o movimento em prol dos direitos das lésbicas.

Segundo o jornalista paulista João Marinho, administrador do blog “Gospel LGBT: homossexualidade sem preconceito”, o problema é que, “desde o começo, a emissora ‘marcou’ a sexualidade dos ‘coloridos’ como sua principal característica e diferencial de ‘grupo’. Os grupos da casa não foram formados naturalmente, foram ‘impostos’ pela produção por características que esta considerara como diferenciais. Por esse motivo, quaisquer outras características individuais dos participantes foi ‘mascarada’ – e parece que quase tudo que acontece com eles se remete àquele diferencial. No caso dos coloridos, a sexualidade. Com isso, a emissora gera polêmica e audiência, mas não é possível apontar que a homossexualidade tenha sido o motivador principal da eliminação da moça, especialmente num programa que já teve um homossexual como vencedor”.

O gay em questão foi o professor universitário Jean Wyllys, vencedor da quinta edição do programa. Porém, parece que gays discretos (como Jean) ou menos discretos e mais femininos (como dois dos atuais participantes, que demonstram bons índices de “aceitação” junto ao público) ganham mais facilmente a empatia do público, razão apontada por muitos como um dos motivos da vitória de Wyllys, que se “assumiu” dentro da casa. Por sua vez, João Marinho particularmente não vê como positiva a exposição dos homossexuais nesta edição em particular.

“Seria interessante se a emissora tivesse incluído participantes assumidos, mas não interferisse diretamente na formação dos grupos dentro da casa. Isso, sim, discutiria o preconceito de forma positiva. Não foi o que aconteceu. De certa forma, os ‘coloridos’ – e não apenas eles, mas todos os demais – foram ‘segregados’, ‘marcados’ por uma característica sua, e isso começou a pautar os diálogos, as manifestações de preconceito por parte de outros participantes, e a visão de que somos ‘seres à parte’. Por que uma pessoa não pode ser, por exemplo, ao mesmo tempo ‘sarada’ – um outro ‘grupo’ da casa – e ‘colorida’? Ao evidenciar a sexualidade como característica tão diferencial, talvez com a justificativa de trazer o diálogo, a emissora, na verdade, acaba por reforçar gays e lésbicas como pessoas ‘não-pertencentes’, excluídas de outros grupos por sua sexualidade. Isso é bem negativo”, conclui o jornalista.

Nessa busca de opiniões acerca dos participantes, o comentário da antropóloga Paula Lacerda centra-se na análise da dinâmica do programa – muito intensa – o que faz com que vários episódios façam, desfaçam e reconstruam a imagem dos candidatos: “No início do programa, Dourado compartilhou, com um outro participante, a encarnação do ‘forte e rude’. No entanto, só este último não foi estigmatizado e objeto de discriminação pelo grupo trancafiado na casa”, diz. Ela não entende por que Dourado encarne o signo pleno da discriminação contra a diversidade sexual dentro do BBB10. Para a antropóloga, a cena armada por outro participante depois que a namorada (aquela, por quem a participante lésbica se sentiu atraída) supostamente o chamou de gay (ou bissexual?) foi a grande homofobia desse programa. “Não bastasse a revolta desencadeada com a brincadeira, ele considerou um problema adicional o fato da namorada ter conversado sobre isso justamente com um dos colegas gays”.

Há um outro tipo de público que acompanha as vicissitudes do programa sem necessariamente assisti-lo: são os fãs dos blogs e comentários on line. Segundo a antropóloga e professora do Museu Nacional Adriana Vianna, o que parece estar havendo é a vitória da “tosquice” e uma reação das pessoas a não torcer pelos participantes “só” pela sua orientação sexual, antepondo-se ao que parece “politicamente correto”.

Não resta dúvida, as cenas de homofobia se inserem em muitos planos e cenas do programa e a magia dessa discriminação, tal e qual outras formas de preconceito, é fazer parecer que elas não são efeito de uma moralidade heteronormativa, mas sim de características dos indivíduos. Como a de Marcelo Dourado, que ressalta a máxima cavalheiresca de que ele não bate em mulher. A questão, assinala um fisioterapeuta gay, é que “ele não deveria bater em ninguém – nem homem, mulher, cachorrinho etc…”

IMS/UERJ – R. São Francisco Xavier, 524, 6º Andar, BL E-20550-013-Rio de Janeiro-RJ-Brasil-Tel:(21)2568-0599

Audiência Pública sobre a Conferência Nacional e Distrital de Comunicação

do portal da Câmara Legislativa, Brasília — DF

Clique na imagem para saber como participar

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Dep. Érika Kokay convoca Audiencia Pública para encaminhar Conferência Distrital e Nacional.

Pela primeira vez no Brasil, uma Conferência Nacional de Comunicação vai ser realizada. Durante os dias 1 a 3 de dezembro, em Brasília, toda a sociedade civil terá a oportunidade de formular propostas para o conjunto das políticas de comunicação, numa tentativa de democratizar um dos setores mais monopolizados do País.

No entanto, precisamos garantir que a etapa distrital seja realizada. Estamos mobilizados em torno da Comissão Distrital Pró Conferência de Comunicação e contamos com você na Audiência Pública sobre a Conferência, hoje (23 de junho de 2009), às 19h, na Câmara Legislativa.

Junte-se a nós nesta luta pela Democratização da Comunicação!

O quê: Audiência Pública sobre a Conferência Nacional e Distrital de Comunicação

Quando: 23 de junho, às 19h.

Onde: Câmara Legislativa do DF: SAIN Parque Rural. Por trás do supermercado Extra do fim da Asa Norte.

Contato: Comissão Distrital Pró-Conferência de Comunicação – Mayrá Lima: 61-96846534

MAIS: O QUE A CONFERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO TEM A VER COM VOCÊ?

O que a Conferência de Comunicação tem a ver com você? Quando assistimos televisão ou ouvimos o rádio não sabemos que qualquer canal só pode veicular determinado conteúdo porque tem uma concessão pública. Mas o que significa ser uma concessão pública? Significa que os canais de televisão e rádio pertencem ao povo brasileiro e que para que uma empresa queira explorá-lo comercialmente precisa de autorização do estado, que é quem toma conta dos bens coletivos do povo. Em outras concessões públicas, como transporte coletivo, por exemplo, todo o serviço prestado é voltado ao interesse do cidadão e quando ele não funciona todo mundo pode reclamar para que o serviço mude! No caso das TVs comerciais, como Globo, SBT, Record, Band e Rede TV , que de acordo com a lei deveriam veicular principalmente conteúdos educativos, culturais, artísticos e informativos, isso simplesmente não acontece! Eles fazem o que querem com a programação televisiva e o cidadão não tem a chance nem de avaliar, nem de reclamar para que as coisas mudem. Além disso, há uma śerie de irregularidades cometidas por esses canais, que muitas vezes violam direitos humanos e a própria lei que regulamenta seu funcionamento. A Conferência traz a chance da sociedade dizer como devem funcionar essas concessões públicas.

Outra questão importante: você tem internet em casa? Na escola? No Telecentro? Num mundo em que cada dia mais a informação é parte fundamental da vida, a internet torna-se um recurso de primeira necessidade. Ter acesso à informação e se comunicar são direitos da cidadã e do cidadão. É dever do Estado garantir que todo mundo possa acessar e produzir conteúdos para se informar e se comunicar. Como garantir esse acesso? Como garantir condições para que os cidadãos possam distribuir os conteúdos que produzem? Esses também são debates que passam pela Conferência.

O futuro também já chegou. É celular que toca música, é computador que passa filme, é televisão que vai virar computador. Nesse encontro de tecnologias, que chamamos de convergência, ninguém sabe ao certo de que forma podemos utilizar todas essas inovações a serviço de cidadãs e cidadãos, garantindo o acesso universal ao conhecimento, e à produção de conteúdo. Como organizar todo o caminho que vai da produção de conteúdo, passando pela forma como ele será distribuído e recebido é outro tema sobre o qual os participantes da I Conferência Nacional de Comunicação.

E isso é apenas uma pequena amostra do que será discutido na I Conferência Nacional de Comunicação. A imagem da mulher na mídia, o controle social sobre o que é veiculado, direitos de resposta, legislação, práticas, participação…

Portanto, a I Conferência Nacional de Comunicação é um momento em que toda a sociedade se reúne para definir as diretrizes e ações que o poder público (prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, ministros, presidente, juízes, promotores, etc) deve ter como prioridade no setor de Comunicação. É um momento muito especial de participação popular na definição das políticas públicas. Por isso é fundamental se inteirar e participar de todas as atividades relacionadas à Conferência na sua cidade. Procure a Comissão Estadual de onde você mora e participe!

CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS SOBRE A I CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO!

Medo de quê?

Esse vídeo mostra, sem o uso de palavras, como se forma a homofobia a partir da ignorância a respeito das homossexualidades. Alguns servidores como youtube e google tentaram tirá-lo do ar, mas conseguimos ainda encontrar este postado.

Agradecemos a colaboração e pesquisa de Alexandra Martins.

Parte I

Parte II

Published in: on 21/01/2009 at 12:47  Comments (1)  
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Vestido Novo

PARTE 1

PARTE 2

Do “El País” de Espanha.

El segundo cortometraje de Sergi Pérez transciende la etiqueta de corto rosa y va directo al corazón. Al corazón de todos los que en algún momento se han sentido diferentes y han sufrido por ello. Vestido nuevo es la historia de Mario, un niño que el día de Carnaval en la escuela decide ponerse un vestido de niña para sorpresa de alumnos, profesores y familiares. Diez premios en diversos festivales nacionales avalan este corto de factura impecable e inmensa sensibilidad.

“Quería mostrar desde un punto de vista amable un tema que para muchos es algo negativo”, afirma su director. Niños, homosexualidad y escuela son temáticas peliagudas pero este catalán de 31 años sale airoso del reto con un guión que evita lugares comunes, una admirable dirección de actores y una realización llena de ternura. En suma, 10 minutos que hablan desde (y por) la diferencia.

Actualmente su realizador prepara nuevos proyectos y compagina su actividad de cortometrajista con la de publicista. El signo no de los tiempos para los realizadores de cortos de nuestro país y, en sus propias palabras, toda una prueba de fuerza: “Ser cortometrajista en España es como ser un representante de muebles o de cosméticos. Te pateas toda España (y parte del extranjero) en coche por carreteras secundarias para defender tu corto entre otros vendedores que también están mostrando su mercancía”. En ELPAÍS.com, los lectores tienen su Vestido nuevo a golpe de click. Disfrútelo.

SexPolitics – Políticas de Sexualidade

Clique na imagem para acessar o arquivo na integra.

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Caras/os amigas/os,

O Observatório de Sexualidade e Política (SPW) acaba de disponibilizar em CD-ROM a versão em espanhol do e-book SexPolitics: Reports from the Front Lines, intitulada Políticas sobre Sexualidad: Reportes desde las líneas del frente. As/os interessadas/os em receber cópias gratuitas do CD devem entrar em contato com a equipe do SPW pelo e-mail admin@sxpolitics.org, informando nome e endereço completo, profissão e instituição que representa. O e-book também pode ser acessado pela página web do SPW e está disponível em inglês (www.sxpolitics.org/frontlines) e em espanhol (www.sxpolitics.org/frontlines/espanol).

>>> Sobre o e-book SexPolitics

Lançado em 2007, o e-book SexPolitics é o resultado de um projeto iniciado pelo SPW em 2004: uma iniciativa transnacional e transcultural de pesquisa desenvolvida para examinar alguns aspectos relativos à dinâmica política de sexualidade nos dias atuais. A pesquisa foi realizada em oito países (Brasil, Egito, Índia, Peru, Polônia, África do Sul, Turquia e Vietnã) e em duas instituições globais, a Organização das Nações Unidas e o Banco Mundial.

Embora os casos reflitam grandes diferenças contextuais em termos de temas e ênfases, aspectos comuns emergiram claramente dos resultados da investigação. Primeiramente, as políticas de sexualidade locais e globais sempre estão interligadas. Em segundo, a política de sexualidade está sempre associada a questões do poder. E por último, mas não menos importante, os casos apresentados revelam que tanto pesquisa como ativismo político são necessários para promover uma agenda de transformação pautada pela justiça social e pela justiça erótica.

Boa leitura!

Observatório de Sexualidade e Política (SPW)
ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS
Av. Presidente Vargas, 446/ 13o. andar
Rio de Janeiro – RJ – Brazil – 20071-907
Tel: +55(21) 2223-1040 – Fax: +55(21)2253-8495
E-mail: admin@sxpolitics.org
http://www.sxpolitcs.org


Sobre o Observatório de Sexualidade e Política (SPW)

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O SPW é uma iniciativa global, cujo secretariado está sediado na ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS). O SPW é composto por pesquisadoras/es e ativistas das mais diversas regiões do mundo. Inspirado por iniciativas locais e internacionais, o mandato do SPW tem dois pilares: contribuir para debates sobre política global relacionada à sexualidade através de projetos de pesquisa acerca de dinâmicas sociais e políticas públicas; e promover vínculos mais efetivos entre as iniciativas de caráter local, regional e global. Saiba mais através do site http://www.sxpolitics.org .

Amiga GAY???

fantasticoO Fantástico – revista eletrônica semanal da Rede Globo – veiculou ontem matéria sobre a discriminação que algumas mulheres sofrem por terem amigas lésbicas. Mais uma vez, a Globo presta um desserviço denominando de gays as mulheres que amam, desejam e se relacionam afetivo-sexualmente com mulheres. A companheira Daniela Marques, da Sapataria, escreveu um comentário a respeito da matéria e enviou à produção. Leia abaixo.

Para assistir à matéria do Fantástico, clique aqui.

Em relação à matéria “Amiga Gay” vinculada no Fantástico no último domingo, considerações:

1. Se a matéria se tratava de mulheres lésbicas que têm amigas héteros, a chamada do quadro – assim como a intervenção de Patrícia Poeta – foi equívocada e deveria ser AMIGA LÉSBICA e não Amiga Gay e estas referências a “ser amiga de uma MULHER LÉSBICA”, não mulher gay. Primeiro pq mulheres que se relacionam com mulheres são lésbicas e não gays – termo utilizado a homens homossexuais; pra além disso, existe toda uma luta diária e constante em se reconhecer a mulher lésbica como uma sujeita-própria-de-sua-história-e-reconhecimento, a se contar o que foi a mobilização da mudança do nome da Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, realizada este ano com a presença e reconhecimento do presidente Lula, para Conferência Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.LÉSBICAS NÃO SÃO GAYS e vice-versa.

2. A imagem recortada da novela – “A senhora não é lésbica, não pode deixar que falem mal de você assim”, defende a personagem Mariana, filha de Catarina – pretendeu-se a quê? Porque o ficou pro meu entendimento e ao entendimento de amigas heteros e lésbicas que viram a matéria foi que o termo/o ser lésbica como uma desqualificação, uma ofensa… O QUE NÃO É!!! Esta edição foi um desserviço. Se não se é lésbica, não há problema em negar que seja, assim como não há problema em sê-lo. O fato do meu afeto ser voltado pra mulheres, tais como eu não me ofende, desqualifica ou deve ser desculpa pra eu ser discriminada, agredida ou coisa que o valha.

3.E o mais grave dos desserviços da matéria, a declaração: “Com certeza, é melhor fingir não ser. Se eu fosse homossexual, eu não daria na cara assim como a gente deu”, afirma Karina Pagani, atriz. Mulheres lésbicas namoram tal qual outras pessoas – sejam estas héteros ou homossexuais – namoram não na distância e na “sem-gracesa” das atrizes. Mas não houve nada mais grave do que falar que é melhor fingir não ser, argh………….Eu e mais milhões de mulheres,nobres guerreiras, damos a cara a tapa (às vezes, literalmente) diariamente – seja em espaços privados ou públicos – pra poder viver nossos amores com outras mulheres e para superar e combater o leviano julgamento de quem fala que meu afeto é errado, anormal, doente, munido de qualquer discurso preconceituoso e tacanho como o que foi declarado; eu não posso ser enclausurada numa caixa porque as pessoas se preocupam e se chocam mais com o beijo que eu dou na minha namorada, do que com a violência que mata Elóas Brasil afora e balas perdidas que nos atigem dia-a-dia. POUPEM-ME!

4. O Fantástico perdeu uma grande oportunidade de falar sobre o Projeto de Lei 122 que criminaliza a Homofobia e está em tramitação no Congresso, esbarrando no preconceito tacanho dos legisladores, que inventam 1001 desculpas pra não aplicar sanções mais rigídas a motivações de discriminação sexual, que chegam a gerar crimes de ódio, infelizmente recorrentes, pelo simples fato de ser lésbica, gay, travestis ou transexual. A aprovação deste é emergencial porque o meu afeto não pode ser motivo pra quererem me limar, me matar,me esconder; eu não posso correr risco de morte porque sou mulher, negra, lésbica. Aqui mesmo no Distrito Federal estamos a tempos esperando a regulamentação da Lei Maninha(Lei 2615) – para o qual o governador Arruda faz vista grossa – que prevê sanções a todo preconceito motivado por orientação sexual. A lei Maria da Penha, também, é uma lei inovadora que protege a mulher, inclusive prevendo proteção a possível violência doméstica entre casal de lésbicas. Então se é pra ser de utilidade pública, mobilizem e publicizem a vigência e emergência destas leis, mas não respaldem a intolerância, porque ela não foi tão despercebida assim…

A vinculação de qualquer matéria deve ser pensada, observada e cuidada e ainda mais numa questão que polemiza tanto, ainda…ninguém estabelece vínculos, amizades buscando saber da orientação de fulano ou ciclano,ou seja, ninguém apresenta currículos ou cartas de referência para estabelecer amizades e talvez por isso eu não consiga classificar minhas amigas lésbicas, minhas amigas héteros, meus amigos gays, minhas amigas bissexuais, etc…são todas e todos meus amig@s.

Glória Careaga, ativista lésbica mexicana, é a nova Secretária-Geral da ILGA

BRASIL SEDIARÁ 25ª CONFERÊNCIA MUNDIAL DA ILGA EM 2010

Enviada por Toni Reis

A 24ª Conferência Mundial da ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexuais), foi realizada em Viena, Áustria, de 03 a 06 de novembro de 2008. 200 pessoas de 81 países participaram na conferência, com expressiva participação da África, Ásia e dos países Caribenhos de língua inglesa. Do Brasil participaram Toni Reis, Beto de Jesus e Luanna Marley. Também houve importante participação de pessoas trans, tanto masculinas quanto femininas.

200 novas organizações LGBT foram afiliadas à ILGA durante a conferência. A entidade passou a ter mais de 600 grupos afiliados, de 111 países. A América Latina é a região com o segundo maior número de organizações afiliadas (192), perdendo apenas para a Europa, com 300.

Brasil competiu com o Canadá para sediar a próxima conferência. O resultado foi que a 25ª Conferência Mundial da ILGA será realizada no Brasil em 2010.

Também foi ratificado que a 5ª Conferência Regional (América Latina e Caribe) da ILGA será realizada em Curitiba de 24 a 26 de setembro de 2009, e que no dia 27 de setembro haverá a 1ª Parada do Orgulho LGBT da América Latina e Caribe (LAC Pride).

A nova diretoria da ILGA também foi eleita durante a conferência. A organização é co-presidida por um secretário geral e uma secretária geral. Glória Careaga (México) foi eleita secretária geral, e Renato Sabbadini (Itália) foi eleito secretário geral. Belissa Andia (Peru) foi eleita Secretária das pessoas Trans, e Maria Sjödin (Suécia) foi eleita Secretária das Mulheres.

Os 200 participantes da conferência foram acolhidos pelo parlamento austríaco, durante uma sessão solene com discursos da presidente do parlamento, Barbara Prammer, da presidente do Partido Verde, Eva Glawischnig, e da ex-co-presidente da ILGA, Rosanna Flamer-Caldera. Em seguida houve um jantar de recepção, também no parlamento. Também foi oferecido um jantar pelo prefeito de Viena, Michael Häupl. Um terceiro jantar foi oferecido aos participantes pelo Partido Verde.

Durante a conferência ficou claro que o Brasil está sendo reconhecido por todo o trabalho que vem sendo feito em relação à comunidade LGBT, em especial a 1ª Conferência Nacional LGBT, as Paradas, o número de grupos e o número de candidatos/as LGBT e aliados/as nas últimas eleições municipais. Também foi muito elogiada a participação da ABGLT na Conferência Mundial de Revisão da Declaração e do Programa de Ação de Durban, sobre racismo, sendo a única ONG LGBT a ser aceita no credenciamento pré-conferência. As ONG LGBT que já obtiveram status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da ONU também terão o direito de participar da Conferência.

Entre as moções aprovadas na conferência, são uma moção contra o governo da Nicarágua pela perseguição ao movimento de mulheres, uma moção de aplauso ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, por sua posição favorável às pessoas LGBT. Foi aprovada a moção de repúdio, apresentada pela delegação brasileira, de repúdio ao Vaticano pela medida que submeterá candidatos ao clero a um exame psicológico para determinar se são homossexuais.

55 anos, 6 meses, um dia e dois resultados

Por Daniela Novais¹ e Jandira Queiroz²
Pescado do blog Jandirainbow

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Se estivesse viva hoje, a ativista lésbica norte-americana Del Martin não traria o mesmo sorriso que estampou os jornais há cerca de cinco meses. Phyllis Lyon e Del Martin, de 83 e 87 anos de idade, respectivamente, foram o primeiro casal de lésbicas a se unir legalmente na Califórnia, depois que a Suprema Corte do estado derrubou o veto contra a união homossexual e legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.Durante os 55 anos em que viveram juntas, criaram a primeira organização pública em defesa de lésbicas nos Estados Unidos, a Daughters of Bilitis, em 1995. Del Martin faleceu em 27 de agosto, dois dias antes de celebrarmos em terras brazucas o Dia Nacional da Visibilidade lésbica. Naquela ocasião, sua esposa disse que desde que se conheceram, “não poderia imaginar um dia em que ela não estaria mais ao meu lado”.

Coincidentemente, dois dias após a morte de Del Martin, o Public Policy Institute of California (PPIC) publicou resultados de uma pesquisa apontando que 54% de eleitores e eleitoras na Califórnia eram contra a reforma na Constituição que impediria a realização de casamentos homoafetivos. A pesquisa foi festejada como uma mudança relevante, uma vez que em 2000, questionad@s sobre o mesmo tema, 61% de eleitor@s se negavam a conceder esse direito a homossexuais.

phyllisdelHoje, novamente, Phyllis deve estar sentindo-se triste e só. A menos de seis meses da decisão que mudou a vida dela, de Del Martin e de 18 mil casais na Califórnia, o eleitorado indeciso aprova em referendo a Proposição nº 8, que toma o direito ao casamento de homossexuais.

Seria inimaginável, se não fosse real, tamanha contradição no noticiário das eleições presidenciais nos EUA. Em um bloco o discurso de Barak Obama, primeiro presidente negro eleito nos Estados Unidos, dizendo que essa havia sido uma vitória das minorias – inclusive dos gays – e no bloco seguinte a notícia do retrocesso a que a Califórnia se submete, retirando um direito civil de aproximadamente 10% da sua população depois de tê-lo oferecido e posto em prática.

Obama é professor de direito constitucional e defende que o casamento deve ser resolvido pelas igrejas, como melhor lhes aprouver, e não como matéria constitucional. O novo presidente dos EUA defende que a lei do país garanta elementos de uma união civil, como adoção, direito de herança e propriedade conjunta a todos os casais. No Senado, Obama se opôs a uma emenda constitucional que baniria o casamento homossexual nos EUA e apoiou a aprovação das uniões civis entre homossexuais, mas diz também que, pessoalmente, só acredita no casamento entre homem e mulher.

barack_-progressA campanha de Barack Obama constituiu um grupo específico de trabalho sobre os direitos LGBT, o Obama Pride. Em seu programa de governo, estão incluídas ações a favor da diversidade sexual, como a expansão para o âmbito federal de leis que punem crimes homofóbicos, o combate ao preconceito baseado na orientação sexual ou identidade de gênero no mercado de trabalho, a igualdade de direitos de adoção para gays e lésbicas e o fim do “Don’t Ask, Don’t Tell”, política norte-americana que proíbe homossexuais assumidos nas Forças Armadas.

Nos EUA, 47 estados proíbem o casamento gay. Nas eleições presidenciais, os estados do Arizona, Arkansas e Califórnia agora se somam a este número. Muitos estados norte-americanos banem o casamento e qualquer outra forma jurídica de reconhecimento da união entre pessoas de mesmo sexo, como o Texas, por exemplo. Além da Califórnia, apenas o Massachusetts e, recentemente, o Connecticut legalizaram o casamento homossexual.

Antecipando a derrota nas urnas, dezenas de casais de gays e lésbicas decidiram se casar nesta terça-feira no prédio da prefeitura de San Francisco. O centro administrativo da cidade, que no dia anterior estava tomado por eleitores buscando votar antecipadamente, ontem parecia mais uma festa gay. No hall do prédio e no seu mezanino, era possível assistir a três ou quatro celebrações de casamento simultaneamente. Do lado de fora, o clima era de protesto. Dezenas de cartazes defendiam o voto contra a proibição do casamento gay na Califórnia, dando boas-vindas aos casais de homossexuais que chegavam e saíam a todo momento da prefeitura.

Na quarta-feira, grupos a favor do casamento entre pares homoafetivos foram ao Supremo pedir o bloqueio do veto, alegando que a Constituição do Estado não pode ser alterada se isso significar uma violação a outros direitos constitucionais. A advogada Gloria Allred, que conseguiu duas vitórias no Supremo, com a decisão da Justiça a favor do casamento de dois de seus clientes, disse nesta quarta-feira que voltará a apresentar um recurso contra a proibição à união entre homossexuais.

Ao menos Del Martin e Phillys Lyon puderam legitimar seus 55 anos de união. Quando perdeu a companheira, a ativista divulgou um comunicado à imprensa, falando da felicidade de ter desfrutado do direito constitucional recém conquistado, de celebrar seu casamento. “Tenho muita sorte de a ter conhecido, a amado, e de ter sido sua companheira para todas as coisas. Também nunca pude imaginar que haveria um dia em que poderíamos nos casar. Estou devastada, mas tenho algo de consolo sabendo que pudemos desfrutar da cerimônia definitiva do amor e do compromisso antes que ela falecesse”.

¹ Jornalista, lésbica, ativista, mora em Salvador-BA.

² Jornalista, lésbica, ativista, integrante da Sapataria Coletivo de Lésbicas, mora em Brasília-DF.

Intolerância entre alunos

Radiografia da rede pública do DF realizada por pesquisadores indica que mais da metade dos alunos presenciaram discriminação por causa da cor nos colégios e 63% testemunharam preconceito sexual

Por Erika Klingl e Diego Amorim Da equipe do Correio, Daniel Ferreira/CB/D.A Press
Correio Braziliense/DF

Aluno da 7ª série do ensino fundamental, Rafael* é negro. “Só que um dia o professor chamou ele de preto de sangue ruim. Daí, ele nunca voltou para a escola”, conta o colega de turma do adolescente. “É comum eu ouvir: ‘Olha, ela veio com a mesma roupa de novo.’ E eu finjo que ignoro”, desabafa uma menina do 1º ano do ensino médio. “Aqui, se a pessoa tiver um jeito estranho já é gay e acaba sendo zoada”, afirma Carolina*, da 8ª série. Em comum, essas histórias têm o cenário – salas de aula da rede pública de ensino – e o preconceito.

“A escola é um ambiente cheio de conflitos, o que não é ruim. Mas quando eles não são mediados de forma adequada acaba resultando em violência, mesmo que simbólica”, explica a socióloga Miriam Abramovay, responsável por uma pesquisa que, pela primeira vez, diagnosticou a violência da rede pública de ensino no DF. O levantamento, feito com mais de 11 mil pessoas, entre alunos e professores, abordou o problema nas escolas de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e no ensino médio. A análise reflete um universo de mais de 186 mil estudantes e outros 20 mil docentes. Os dados relacionados ao preconceito são assustadores.

Nada menos que 55% dos estudantes já viram discriminação nas escolas por causa da cor e quase 13% contam que sofreram. Em números absolutos, isso representaria 24 mil adolescentes. Mas o que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a discriminação por causa da pobreza, sentida por 6,1% dos estudantes e vista de perto por 42%. “A gente não imagina que os números sejam tão altos”, observa Miriam. Nas entrevistas, ela ouviu expressões que a chocaram. “Assentamento Haiti é nome de rua de Santa Maria. Churrasquinho é apelido de negros.” Para a educadora Beatriz Castro, o fato preocupa. “Fica a dúvida se a escola cumpre o papel de formar cidadãos”.

Desmaio

Quando o assunto é preconceito por ser ou parecer homossexual, os casos são ainda mais freqüentes: 63% dos alunos dizem que já viram discriminação. Dos estudantes do ensino médio, 4,3% já sentiram na pele a discriminação. Maurício* foi um deles. Tanto ouviu que um dia não agüentou tanta zombaria. Durante a apresentação de dança na feira cultural do Centro de Ensino Médio 3 de Ceilândia, duas semanas atrás, até tentou abstrair os xingamentos que ouvia, os gritos de veado e baitola. Mas, quando acabou a música, desmaiou. “Ele já estava nervoso. Com o povo zoando, ficou mais ainda. Aí desceu do palco, foi andando até o fim do auditório e caiu”, descreve um aluno da 7ª série. O episódio ainda é comentado entre os estudantes. Maurício, segundo a turma, é homossexual assumido.

Os que gostam de ser os “malandrões” do colégio são os que mais zoam os colegas. Para sustentarem o status, costumam atingir os mais fracos, os negros, os gordos, os mais pobres, os baixinhos. Agridem com palavras, comentários, risadas. “O pessoal fica mangando de mim direto, me chamando de ‘limpador de aquário’, essas coisas. Mas deixo quieto. Um dia ou outro eles vão cair na real”, diz um garoto de 14 anos, 1,51m de altura, aluno da 8ª série do Centro de Ensino Fundamental 4 de Ceilândia. Na cidade em que mora e estuda, os xingamentos já foram ouvidos por 42% dos estudantes. Isso porque Ceilândia está longe de estar entre as piores. De acordo com a pesquisa, em Brazlândia e Santa Maria, metade dos estudantes costumam sofrer violência desse tipo. 

 

Pesquisa mostra intolerância entre estudantes da rede pública de ensino
Pesquisa mostra intolerância entre estudantes da rede pública de ensino

C.H.A.T. Sexualidade e crimes de ódio

Você conhece o chat da ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS?

É um espaço que fica na homepage da ABIA de onde, a partir de agora, poderemos trocar idéias sobre temas relacionados à juventude, homossexualidade e Aids. Essa atividade faz parte do projeto ‘Homossexualidades e Prevenção’.

Para nossa poltrona deste mês convidamos Vagner de Almeida, assessor de projetos na ABIA e diretor do documentário Sexualidade e Crimes de Ódio que estréia em novembro no Rio (ver divulgação abaixo). Bateremos um papo sobre a intolerância e o preconceito dirigido aos homossexuais, sobretudo no Brasil, que apenas nos primeiros meses deste ano, registrou 45 homicídios contra este grupo.

Venha fazer parte deste bate-papo, trazer seus comentários e dúvidas sobre este tema. Estaremos no dia 29 de outubro, quarta-feira, a partir das 21 horas, na homepage da ABIA: www.abiaids.org.br
Para mais informações, entre em contato conosco pelo e-mail abia@abiaids.org.br ou pelo telefone (21) 22231040, falar com Ricardo Mölnar.