Beijaço contra discriminação

27/5/2010

Em resposta ao trote homofóbico da semana passada de veteranos de engenharia contra calouros de arquitetura, alunos homossexuais fazem manifestação e dão novo colorido à universidade. A instituição deverá lançar cartilha contra o conflito entre gêneros

Monique Renne/CB/D.A Press

Homens com homens, mulheres com mulheres e homens com mulheres. A formação dos casais não importava na passeata contra o preconceito aos homossexuais que tomou conta da UnB

A Universidade de Brasília (UnB) ganhou um colorido diferente no início da tarde de ontem. O cinza do concreto deu espaço às cores do arco-íris, estampadas em bandeiras do movimento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBTTT) e faixas de repúdio ao preconceito sexual. Com apitaço, batucada e gritos de guerra, centenas de estudantes de vários cursos fizeram uma passeata pelo câmpus da Asa Norte em protesto contra a homofobia e o machismo na instituição. A manifestação culminou com um beijaço na Faculdade de Tecnologia. Valeu tudo: homem com homem, mulher com mulher e homem com mulher. O ato foi uma resposta ao trote homofóbico realizado por alunos de engenharia civil contra colegas do curso de arquitetura e urbanismo na semana passada.

Segundo um dos organizadores da passeata, o estudante de arquitetura Luiz Eduardo Sarmento, 21 anos, o trote foi a gota d`água para mobilizar um grupo maior na luta contra a homofobia. Ele destaca que, apesar do seminário UnB Fora do armário, na última semana, a discussão não chegou às pessoas preconceituosas e muitas nunca tinham visto um beijo gay. “Queremos colocá-las em contato com o que não veem e tentam negar que exista”, explicou. Participante do beijaço, a estudante de ciências sociais Lívia Aquino, 20, acrescentou que é preciso mostrar que os gays estão por todo lado. “Não adianta ignorar ou achar ruim.”

A chegada à Faculdade de Tecnologia, onde se concentram os cursos de engenharia da UnB, foi barulhenta. Mas, como era no horário de almoço, a maioria das salas estava vazia. Os manifestantes fizeram uma parada estratégica em frente ao centro acadêmico de engenharia civil, bateram na porta e colaram adesivos com os dizeres “universidade sem homofobia”. Quem estava do lado de dentro não gostou. “Acho uma palhaçada. A gente tem a nossa opinião e eles têm a deles”, observou o estudante Gabriel Morais Roriz, 21 anos. O aluno de mecatrônica Diogo Nazzetta, 20, defendeu que a homofobia não pode ser generalizada. Ele apoia o movimento, porém condena a rixa entre os cursos de humanas e exatas.

Na passagem pelo câmpus, manifestantes picharam uma parada de ônibus com a frase “O Brasil é o país que mais mata LGBTTTs no mundo. Homofobia não é brincadeira”. As paredes do Minhocão ganharam rabiscos com dizeres como “Não à homofobia”. Espalhados em murais, cartazes de eventos da engenharia, como Eletrochurras e Unibeer, também receberam riscos de spray, sob o argumento de que são eventos machistas. O aluno de geografia Hugo Molina, 23 anos, criticou a atitude. “Eles têm todo o direito de se manifestar, mas têm que ser comedidos e não depredar o patrimônio alheio”, afirmou.

Os jovens do protesto se envolveram em uma discussão com alunos de agronomia, após colarem a bandeira do orgulho LGBTTT e vários adesivos na placa do centro acadêmico dos colegas, conhecidos por realizarem trotes humilhantes. “Acho uma falta de respeito fazerem isso. É um protesto ou um confronto?”, questionou o estudante F.S, que pediu para não ser identificado. Ele afirmou que não sofre preconceito na faculdade pela opção sexual.

Cartilha
A manifestação terminou no prédio da reitoria, onde os participantes cobraram uma postura institucional contra o preconceito. A decana de assuntos comunitários, Rachel Nunes, afirmou que a administração da universidade está fazendo sua parte. Na última quarta-feira, Rachel se reuniu com representantes do curso de engenharia civil para discutir o trote homofóbico(1) da semana passada. A decana firmou o compromisso de encaminhar uma cartilha de combate ao trote violento para divulgação em toda a Faculdade de Tecnologia. A ideia é também repassar o material a todos os centros acadêmicos da Universidade de Brasília.

Não foram só os homoafetivos que tiveram espaço na manifestação de ontem. Junto com alguns colegas, o estudante de estatística Pedro de Lima, 23 anos, improvisou um cartaz que dizia: “Orgulho hetero”. A frase foi exibida durante a concentração dos manifestantes no Minhocão Norte. “Faço isso para mostrar que tem pessoas que não são gays”, justificou. Para ele, o protesto foi uma bagunça. “Eles se colocam como se fossem politizados, mas o que querem não é ser tratados de forma igualitária, mas com privilégio”, afirmou. A posição de Pedro foi questionada por alunos homoafetivos.

Enquanto participava do protesto, uma estudante, que preferiu não se identificar, recebeu ameaças por telefone de um homem, cujo número era confidencial. Ele dizia saber que a jovem era lésbica e saber onde ela mora. Além de xingá-la, a pessoa afirmou que a estudante “morreria de tanto apanhar”. A ocorrência ainda não foi registrada em delegacias. Para Luiz Eduardo Sarmento, a ligação demonstra a violência com que os homossexuais são tratados na universidade e servirá para fortalecer a luta contra a homofobia.

1 – Excessos
No último dia 20, o trote dos calouros do curso de engenharia civil abusou de palavras de ordem ofensivas contra os colegas de arquitetura, sob a regência dos veteranos. O caso ocorreu na semana em que a UnB promoveu uma série de atos contra a homofobia e no dia seguinte à marcha nacional que defendeu a aprovação do Projeto de Lei nº 122, em tramitação na Câmara Federal, que prevê a criminalização da homofobia. A diretora de esporte, arte e cultura do DAC, Lucila Souto, garantiu uma posição mais ativa da universidade com relação às denúncias apresentadas à instituição

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Published in: on 13/06/2010 at 20:58  Comments (1)  
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Secuestran y torturan a joven lesbiana en Paraguay

Publicado en 2 de mayo de 2010 en la portada EnSentidoContrario

La Coordinadora de Derechos Humanos de Paraguay (Codehupy) y el grupo por los derechos de las lesbianas Aireana, han denunciado de forma pública la persecución de la que fue víctima N. B. M. R. Según la denuncia, la joven del departamento de San Pedro y sobrina del comisario retirado Vidal Machado, fue brutalmente torturada por sus propios familiares, tras comunicarles a estos que era lesbiana y mudarse a la vivienda de su pareja sentimenta.

Tras mudarse, fue sacada a golpes por algunos familiares y personas allegadas y arrastrada hasta un vehículo, donde le taparon la boca, le apretaron el cuello y la golpearon, para luego trasladarla hasta la casa de sus padres en Villa del Rosario, departamento de San Pedro, de donde huyó con ayuda de un tío.

Según relatos de la propia víctima, la llevaron detenida contra su voluntad a la empresa Tapiti SA (propiedad de Vidal Machado), donde la torturaron psicológicamente y la despojaron de su celular, para luego mantenerla encerrada e incomunicada por nueve días en su casa paterna en San Pedro.

La joven a su llegada nuevamente a la capital del país, recurrió a Aireana en busca de ayuda. “Conversamos con la Secretaría de la Mujer y otras instancias, pero como se trata de una familia con influencias, ningún abogado quiso hacerse cargo del caso”, aseguró Judith Grenno, de la Fundación Aireana . Apuntó que tras varios procedimientos, lograron finalmente que la Coordinadora de Derechos Humanos tome el caso. El abogado Juan Martens representará a la víctima.

El ministerio de Interior paraguayo y la organización LGTB paraguaya Somosgay firmaron el pasado mes de marzo un convenio para la erradicación de la discriminación en las intituciones, a pesar de esto, este caso no entraría dentro de este convenio ya que el comisario Vidal Machado esta jubilado y no ostenta ya ningún cargo público.

Homofobia nas escolas – um especial da EBC

Do http://blogdoenuds7.blogspot.com/2009/07/homofobia-nas-escolas-um-especial-da.html

“Caras e caros,

A EBC, Empresa Brasil de Comunicação, está produzindo um especial sobre homofobia nas escolas. A idéia é mostrar como o problema se configura no ambiente escolar e que consequencias o preconceito pode ter na vida e no próprio desempenho de meninos e meninas homossexuais (e, acredito, há espaço para BTs também). Dentro do especial, vai haver uma seção com depoimentos – que podem ser anônimos – de pessoas que sofreram esse tipo de discriminação quando estavam na escola. Se ainda estiverem estudando, melhor.

Vocês conhecem alguém que tope escrever alguma coisa? É coisa de 10 linhas mesmo, contando o que sofreu e como se sentiu.

Podem enviar um e-mail direto para a jornalista responsável: amanda.cieglinski@ ebc.com.br”

Pois é – cer-te-za que todo mundo aí conhece alguém que já passou por isso… então, ‘bora divulgar a iniciativa para que esse tipo de violência possa ser banido de nossas escolas e outros casos com desfechos fatais não aconteçam mais.

Published in: on 07/07/2009 at 15:32  Comments (1)  
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Nota da LBL em repúdio à violência na Parada LGBT de São Paulo

Uma vida sem violência é direito de todas as pessoas!

Basta de racismo, machismo, lesbofobia, homofobia e transfobia!

A Liga Brasileira de Lésbicas repudia com veemência os atos abomináveis que aconteceram no encerramento da 13 Parada do Orgulho LGBT. Não podemos nos calar, nem aceitar e muito menos aturar este tipo de violência.

Até quando sobreVIVER significará agüentar ataques de toda a ordem por simplesmente amar um amor diferente do heterossexual? Até quando seremos massacradas/os, apenas para satisfazer a sordidez de pessoas que se dizem humanas?

Não por acaso, o tema da 7ª Caminhada Lésbica realizada no sábado, véspera da Parada, teve como tema central o combate à violência e a defesa de um mundo com igualdade, liberdade e reconhecimento da diversidade.

Expressamos nossa solidariedade às vítimas e famílias atingidas pela bárbara violência ocorrida em 14 de junho de 2009 em São Paulo.

Exigimos das autoridades que esclareçam com urgência os casos de violência que configuram como racismo e homofobia e apelamos ao Congresso Nacional a aprovação sem demora do PL 122 que torna crime a homofobia.

Basta de violência! Chega de lesbofobia, homofobia e transfobia!

Cidadania, liberdade, autonomia e igualdade todo dia!

Liga Brasileira de Lésbicas – SP

http://www.ligalesbicasp.blogspot.comlblsp@uol.com.br

Published in: on 22/06/2009 at 21:49  Deixe um comentário  
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Desafio IDAHO

Do blog Jandirainbow

Dia 17 de maio é o Dia Internacional de Combate à Homofobia (em inglês, a sigla para International Day Against Homophobia é IDAHO). Ontem aqui no Rio* fizemos um bonito ato pelo fim da homofobia e da violência em função de orientação sexual e identidade de gênero. Éramos poucas e poucos, cerca de 150 pessoas, mas fizemos um barulho e chamamos a atenção das pessoas que estavam pela praia. Algumas das palavras de ordem lembravam que “por trás do silicone também bate um coração”, que liberdade de expressão sexual não faz mal a ninguém e também ao Senado que ano que vem tem eleições, e que nós LGBTs estaremos atentas e atentos para não elegermos pessoas que nos discriminam dentro do parlamento.

Em nível mundial, uma campanha foi lançada há cerca de dois meses chamando as pessoas a gravarem vídeos em seus próprios idiomas dizendo basicamente “tenho orgulho de ser gay, lésbica, travesti, bissexual, transexual”. O vídeo foi lançado ontem no youtube, veja abaixo.

Não percam! Repassem a amigas e amigos, pessoas LGBT ou não. O novo desafio é bater a marca de 1 milhão de visualizações para esse vídeo no youtube.

Temos a ferramenta nas nossas mãos, forjemos a nossa propria história com menos violência e desigualdades!!

* Jandirainbow agora mora no Rio de Janeiro e agita por lá.

Conheça a Pesquisa Instituto Avon/Ibope sobre violência contra as mulheres

A pesquisa tem foco nas percepções da sociedade brasileira sobre o fenômeno da violência de gênero

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, e o presidente da Avon Brasil, Luis Felipe Miranda, participam hoje de coletiva de imprensa sobre a Pesquisa Instituto Avon/Ibope – Percepções Sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil. O encontro acontece às 10h, no Festivo, no bairro de Pinheiros, São Paulo, e também conta com as presenças de Fátima Jordão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, Lírio Cipriani, diretor executivo do Instituto Avon, e Kátia Gianone, diretora de Comunicação da Avon.

A pesquisa foi realizada em âmbito nacional de 13 a 17 de fevereiro último, em cidades com mais de 20 mil habitantes e capitais. Trata-se de amplo estudo quantitativo sobre as percepções e reações da sociedade sobre a violência contra a mulher.

Conheça mais sobre esta pesquisa: http://200.130.7.5/spmu/docs/pesquisa_AVON_violencia_domestica_2009.pdf

Published in: on 23/04/2009 at 12:12  Comments (1)  
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AÇÃO RELÂMPAGO URGENTE

Alagoinha, PE. Apoio ao CISAM.

Precisamos dar uma resposta a esse bispo de Olinda! Em um Estado Laico, lei de Deus nenhum pode estar acima das leis humanas, dos direitos humanos, dos corpos humanos, dos corpos das mulheres.

Por favor, assinem o manifesto na página da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) e repassem para suas listas.

O link para o manifesto é

[http://www.ccr.org.br/a_iniciativa05_mar09.asp].

No portal da CCR há um apanhado de notícias e entrevistas concedidas tanto pelos profissionais de saúde quanto pelo Bispo, para quem quiser se informar melhor antes de assinar.

Para quem não clica antes de ler, o texto é o seguinte:

APOIO AO CISAM, NO CASO DA MENINA DE 9 ANOS DE ALAGOINHA (PE), SUBMETIDA A UM ABORTO LEGAL EM CONSEQÜÊNCIA DE VIOLÊNCIA SEXUAL E RISCO DE VIDA

Reconhecemos e aplaudimos o excelente trabalho realizado pela equipe de atenção à saúde do CISAM – Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, e em especial aos médicos Prof. Olimpio Moraes e Dr. Sérgio Cabral. Esta instituição mostrou seu compromisso com a saúde, com a vida, com a cidadania e direitos humanos da população que por ela é atendida.

A crítica contundente de setores conservadores religiosos a um trabalho tecnicamente competente e em consonância com as leis nacionais e normativas internacionais reflete uma vez mais seu arcaísmo e desumanidade.

O mundo acompanha atentamente a história desta menina pernambucana de 9 anos de idade, e seguramente apoiará a perspectiva daquelas/daqueles que defendem os direitos reprodutivos como direitos humanos.

CONVITE

SIMPÓSIO INTERNACIONAL
NÃO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Combater o tráfico internacional e a exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes.
Prevenir a AIDS nos países de língua portuguesa.

        
A FDIM – Federação Democrática Internacional de Mulheres com o apoio da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres da Presidência da República do Brasil – SEPM, Ministério de Relações Exteriores – MRE, Fundo de Populações das Nações Unidas – UNFPA e do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo – APEOESP está realizando o Simpósio Internacional Não à Violência contra a Mulher. Combater o tráfico internacional e a exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes. Prevenir a Aids nos países de língua portuguesa.
O Simpósio Internacional acontecerá na cidade de São Paulo, na Casa do Professor (APEOESP) Rua Bento Freitas, 71, nos dias 02 e 03 de Fevereiro de 2008.
Vimos convidar V.Sa. para participar da Sessão de Abertura do Simpósio no dia 02 de fevereiro, às 14hs e dos painéis que serão realizados no dia 03 de Fevereiro conforme programação anexa.
A realização deste Simpósio Internacional cumpre as deliberações para a solidariedade internacional aos países de Língua Portuguesa que definimos durante o primeiro seminário da FDIM sobre os PALOPS realizado em Brasília em 2006 como também durante o Comitê de Direção da FDIM realizado em junho de 2008, em Bruxelas, na Bélgica, na sede do Parlamento Europeu.
Além da representação já confirmada dos países da CPLP – Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Timor Leste -, teremos a representação das vices presidentes da FDIM de Angola, Palestina, Índia, Chipre e Argentina.
Queremos contar com sua importante presença!
Um grande abraço

Márcia Campos – Presidenta FDIM
Solicitamos confirmação de presença ou através deste email ou:
(11) 5083 7508 ou (11) 9832 7410 com Lenice Antunez

Published in: on 29/01/2009 at 02:14  Deixe um comentário  
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Cresce número de homossexuais assassinados

Raphael Bruno, Jornal do Brasil 1-11-2008

BRASÍLIA – A polêmica envolvendo a expulsão dos estudantes Jarbas Rezende Lima e José Eduardo Góes de uma festa do Centro Acadêmico de Veterinária da Universidade de São Paulo depois da troca de beijos entre os dois reacendeu a discussão em torno da homofobia no Brasil.Segundo entidades de defesa dos direitos homossexuais, até setembro deste ano foram contabilizados 138 assassinatos de gays, lésbicas e travestis. O número já é superior ao registrado ao longo de todo o ano passado, quando 122 assassinatos foram contabilizados. Nesta quinta, os estudantes compareceram à polícia para descrever, em retrato falado, o agressor que os retirou da festa.

O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo como “constrangimento ilegal”. Em protesto à expulsão dos dois da festa, colegas dos estudantes e ativistas de direitos homossexuais prometeram realizar, na noite de quinta, um “beijaço” em frente ao centro acadêmico. A Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo já anunciou que pretende acompanhar as investigações.

– Tem que denunciar toda e qualquer forma de discriminação – apóia o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis. – Se fosse um casal heterossexual com certeza não teria ocorrido a mesma reação. É discriminação mesmo. Reconhecemos que a sociedade não está acostumada a demonstrações públicas de carinho entre duas pessoas do mesmo sexo, mas isso só porque ela sempre oprimiu, como pôde, a homossexualidade.

Indignação

O caso na USP gerou indignação, também, entre o Grupo Gay da Bahia (GGB), uma das mais tradicionais organizações não-governamentais de defesa dos direitos homossexuais.

– Como ex-estudante da USP, considero lamentável essa grave demonstração de homofobia partindo da universidade mais qualificada do Brasil, a universidade que acolheu, 30 anos atrás, em 1978, a primeira manifestação pública do recém-fundado movimento homossexual brasileiro, em
plena ditadura militar – criticou Luiz Mott, fundador do grupo e patrono do movimento GLBT brasileiro. – Para que isso não se repita, é fundamental que a reitoria e a direção da faculdade sejam severos na investigação e na punição aos culpados.

O grupo faz um acompanhamento dos casos de assassinatos de homossexuais no Brasil. O número cresce de forma rápida a cada ano. Em 2006, foram 88 casos registrados. Ano passado, já subiu para 122. Até setembro deste ano, foram 135 assassinatos contabilizados. Sete deles em São Paulo. Calcula-se que, nos últimos 15 anos, cerca de 2,8 mil pessoas morreram vítimas da homofobia
no país.

– O pior é que em apenas 5%, 10% dos casos os agressores ou assassinos são devidamente julgados e presos – reclama Toni Reis.

– Muitas vezes não se faz uma investigação adequada. A polícia não está sempre disposta a freqüentar locais GLBT para pegar todas as informações. E muitos casos não são nem denunciados, a família e os amigos têm vergonha, não assumem que a vítima era homossexual.

Centros de apoio

Desde o final de 2005, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), órgão vinculado à Presidência da

Rapaz gay foi espancado em Niterói-RJ (2007) e ainda passou a sofrer perseguição e discriminação via Orkut.

Rapaz gay foi espancado em Niterói-RJ (2007) e ainda passou a sofrer perseguição e discriminação via Orkut.

 República, estabeleceu em todo o país os Centros de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia. Os centros funcionam como órgãos de apoio e denúncia a homossexuais vítimas de agressão ou perseguição, oferecendo, gratuitamente, assistência legal e psicológica. Pelos cálculos da secretaria, em 2008 serão feitos mais de nove mil atendimentos em todo o país.

– Desde quando os centros começaram a funcionar percebemos que tem aumentado bastante a procura – diz Eduardo Santarelo, coordenador do programa Brasil sem Homofobia, da SEDH. – No início, sentíamos que muitos homossexuais vítimas de violência estavam acostumados ao preconceito que sempre sofreram e não procuravam seus direitos na Justiça. Creio que os números
mostram que isso, aos poucos, está mudando.

C.H.A.T. Sexualidade e crimes de ódio

Você conhece o chat da ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS?

É um espaço que fica na homepage da ABIA de onde, a partir de agora, poderemos trocar idéias sobre temas relacionados à juventude, homossexualidade e Aids. Essa atividade faz parte do projeto ‘Homossexualidades e Prevenção’.

Para nossa poltrona deste mês convidamos Vagner de Almeida, assessor de projetos na ABIA e diretor do documentário Sexualidade e Crimes de Ódio que estréia em novembro no Rio (ver divulgação abaixo). Bateremos um papo sobre a intolerância e o preconceito dirigido aos homossexuais, sobretudo no Brasil, que apenas nos primeiros meses deste ano, registrou 45 homicídios contra este grupo.

Venha fazer parte deste bate-papo, trazer seus comentários e dúvidas sobre este tema. Estaremos no dia 29 de outubro, quarta-feira, a partir das 21 horas, na homepage da ABIA: www.abiaids.org.br
Para mais informações, entre em contato conosco pelo e-mail abia@abiaids.org.br ou pelo telefone (21) 22231040, falar com Ricardo Mölnar.