1ª VISIBILÉS

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Seminário no Centro-Oeste debate visibilidade lésbica

Por Sérgio Oliveira, do Mix Brasil

Com o intuito de discutir políticas públicas que beneficiam a comunida lésbica em Campo Grande, no próximo dia 28 será realizado o Seminário Intersetorial “Construindo a visibilidade das mulheres de Mato Grosso do Sul, promovido pelo Centro de Referência em Direitos Humanos, Prevenção e Combate à Homofobia (Centrho) em conjunto com a Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas).

O evento, abrigado no auditório da Casa da Cidadania, contará com a presença de representantes da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR) e da Coordenadoria Especial de Políticas para a Mulher do Estado. O público em geral pode e deve participar.

As especifidades da mulher lésbica e bissexual é um dos assuntos que devem ser abordados no seminário.

Seminário Intersetorial
“Construindo a visibilidade das mulheres lésbicas de Mato Grosso do Sul”
Rua Marechal Cândido Mariano Rondon, 713 – Centro

8 de março

Dia Internacional da Mulher: em busca da memória perdida

rsSOF – Sempreviva Organização Feminista

A referência histórica principal das origens do Dia Internacional da Mulher é a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, em Copenhague, na Dinamarca, quando Clara Zetkin propôs uma
resolução de instaurar oficialmente um dia internacional das mulheres. Nessa resolução, não se faz nenhuma alusão ao dia 8 de março. Clara apenas menciona seguir o exemplo das socialistas americanas. É certo que a partir daí, as comemorações começaram a ter um caráter internacional, expandindo-se pela Europa, a partir da organização e iniciativa das mulheres socialistas.

Essa e outras fontes históricas intrigaram a pesquisadora Renée Coté, que publicou em 1984, no Canadá, sua instigante pesquisa em busca do elo ou dos elos perdidos da história do dia internacional das mulheres.

Renée, em sua trajetória de pesquisa, se deparou com a história das feministas socialistas americanas que tentavam resgatar do turbilhão da história de lutas dos trabalhadores no final do século XIX e início do século XX, a intensa participação das mulheres trabalhadoras, mostrar suas manifestações, suas greves, sua capacidade de organização autônoma de lutas, destacando-se a batalha pelo direito ao voto para as mulheres, ou seja, pelo sufrágio universal. A partir daí, levanta hipóteses sobre o por quê de tal registro histórico ter sido negligenciado ou se perdido no tempo.

O que nos fica claro, a partir de sua pesquisa das fontes históricas é que a referência de um 8 de março ou uma greve de trabalhadoras americanas, manifestações de mulheres ou um dia da mulher, não aparece registrada nas diversas fontes pesquisadas no período, principalmente nos jornais e na imprensa socialista.

Houve greves e repressões de trabalhadores e trabalhadoras no período que vai do final do século XIX até 1908, mas nenhum desses eventos até então dizem respeito à morte de mulheres em Nova York, que teria dado origem ao dia de luta das mulheres. Tais buscas revelam, para Coté, que não houve uma greve heróica, seja em 1857 ou em 1908, mas um feminismo heróico que lutava por se firmar entre as trabalhadoras americanas. Em busca do 8 de março retraçou a luta pela existência autônoma das mulheres socialistas americanas. As fontes encontradas revelam o seguinte:

Em 3 de maio de 1908 em Chicago, se comemorou o primeiro “Woman’s day, presidido por Lorine S. Brown, documentado pelo jornal mensal The Socialist Woman, no Garrick Theather, com a participação de 1500
mulheres que “aplaudiram as reivindicações por igualdade econômica e política das mulheres; no dia consagrado à causa das trabalhadoras”.  Enfim, foi dedicado à causa das operárias, denunciando a exploração e a opressão das mulheres, mas defendendo, com destaque, o voto feminino. Defendeu-se a igualdade dos sexos, a autonomia das mulheres, portanto, o voto das mulheres, dentro e fora do partido.

Já em 1909, o Woman’s day foi atividade oficial do partido socialista e organizado pelo comitê nacional de mulheres, comemorado em 28 de fevereiro de 1909, a publicidade da época convocava o “woman suffrage meeting”, ou seja, em defesa do voto das mulheres, em Nova York. Coté apura que as socialistas americanas sugerem um dia de comemorações no último domingo de fevereiro, portanto, o woman’s day teve, no início, várias datas mas foi ganhando a adesão das mulheres trabalhadoras, inclusive grevistas e teve participação crescente.

Os jornais noticiaram , o woman’s day em Nova York, em 27 de fevereiro de 1910, no Carnegie Hall, com 3000 mulheres, onde se reuniram as principais associações em favor do sufrágio, convocado pelas socialistas mas com participação de mulheres não socialistas.

Consta que houve uma greve longa dos operários têxteis de Nova York (shirtwaist makers) que durou de novembro de 1909 a fevereiro de 1910, 80% dos grevistas eram mulheres e que terminou 12 dias antes do woman’s day. Essa foi a primeira greve de mulheres de grande amplitude denunciando as condições de vida e trabalho e demonstrou a coragem das mulheres costureiras, recebendo apoio massivo. Muitas dessas operárias participaram do woman’s day e engrossaram a luta pelo direito ao voto das mulheres ( conquistado em 1920 em todo os EUA).

Clara Zetkin, socialista alemã, propõe que o woman’s day ou women’s day se torne “uma jornada especial, uma comemoração anual de mulheres, seguindo o exemplo das companheiras americanas”. Sugere ainda, num artigo do jornal alemão Diegleichheit, de 28/08/1910, que o tema principal seja a conquista do sufrágio feminino.

Em 1911, o dia internacional das mulheres, foi comemorado pelas alemãs, em 19 de março e pelas suecas, junto com o primeiro de maio etc. Enfim, foi celebrado em diferentes datas. Em 1913, na Rússia, sob o regime czarista, foi realizada a Primeira Jornada Internacional das Trabalhadoras pelo sufrágio Feminino. As operárias russas participaram da jornada internacional das mulheres em Petrogrado e foram reprimidas. Em 1914, todas os organizadoras da Jornada ou Dia Internacional das Mulheres na Rússia foram presas, o que tornou impossível a comemoração.

Em 1914, o Dia Internacional das Mulheres, na Alemanha foi dedicado ao direito ao voto para as mulheres. E foi comemorado pela primeira vez no dia 8 de março, ao que consta porque foi uma data mais prática naquele ano.

As socialistas européias coordenavam as comemorações em torno do direito ao voto vinculando-o à emancipação política das mulheres, mas a data era decidida em cada país. Em tempos de guerra, o dia internacional das mulheres passou a segundo plano na Europa.

Outra referência instigante, que leva a indicação da origem da fixação do dia 8 de março, foi a ligação dessa data com a participação ativa das operárias russas em ações que desencadearam a revolução russa de 1917. Portanto, uma ação política das operárias russas no dia 8 de março, no calendário gregoriano, ou 23 de fevereiro, no calendário russo, precipitou o início da ações revolucionárias que tornaram vitoriosa a revolução russa.

Alexandra Kolontai , dirigente feminista da revolução socialista escreveu sobre o fato e sobre o 8 de março, mas, curiosamente, desaparece da história do evento. Diz ela: ” O dia das operárias em 8 de março de 1917 foi uma data memorável na história. A revolução de fevereiro acabara de começar”. O fato também é mencionado por Trotski, dirigente da revolução, na História da Revolução Russa. Nessas narrativas fica claro, que as mulheres desencadearam a greve geral, saindo corajosamente, às ruas de Petrogrado, no dia internacional das
mulheres, contra a fome, a guerra e o czarismo. Trotski diz: ” 23 de fevereiro ( 8 de março) , era o dia internacional as mulheres estava programado atos, encontros etc. Mas não imaginávamos que este “dia das mulheres” viria a inaugurar a revolução. Estava planejado ações revolucionárias mas sem data prevista. Mas pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixam o trabalho de várias fábricas e enviam delegadas para solicitarem sustentação da greve… o que se transforma em greve de massas…. todas descem às ruas”.

Constata-se que a revolução foi desencadeada por elementos de base que superaram a oposição das direções e a iniciativa foi das operárias mais exploradas e oprimidas, as têxteis. O número de grevistas foi em torno de 90.000, a maioria mulheres. Constata-se que o dia das mulheres foi vencedor, foi pleno e não houve vítimas.

Renée Coté encontra, por fim, documentos de 1921 da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas onde ” uma camarada búlgara propõe o 8 de março como data oficial do dia internacional da mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas”.

A partir de 1922, o Dia Internacional da Mulher é celebrado oficialmente no dia 8 de março.

Essa história se perdeu nos grandes registros históricos seja do movimento socialista, seja dos historiadores do período. Faz parte do passado histórico e político das mulheres e do movimento feminista de origem socialista no começo do século. Algumas feministas européias na década de 70, por não encontrarem referência concreta às operárias têxteis mortas em um incêndio em 1857, em Nova York, chegaram a considera-lo um fato mítico. Mas essa
hipótese foi descartada diante de tantos fatos e eventos vinculando as origens do dia internacional da mulher às mulheres americanas de esquerda.

Quanto aos elos perdidos dos fatos em torno do dia 8 de março, levantam-se várias hipóteses, em busca de mais aprofundamento.

É certo que, nos EUA, em Nova York, as operárias têxteis já denunciavam as condições de vida e trabalho, já faziam greves . E esse momento de organização das trabalhadoras fazem parte de todo um processo histórico de transformações sociais que colocaram as mulheres em condições de lutarem por direitos, igualdade e autonomia
participando do contexto social e político que motivaram a existência de um dia de comemoração que simbolizasse suas lutas, conquistas e necessidade de organização. É preciso, pois, entretecer os fios da história desse período.

Desse contexto, surge um dos relatos a ser precisado em suas fontes documentais, sintetizado por Gládis Gassen, (em texto para as trabalhadoras rurais da FETAG), nos indicando que, em março de 1911, dezoito dias após o woman’s day, não em 1857, ” numa mal ventilada indústria têxtil, que ocupava os 3 últimos andares de um edifício de 10 andares , na Triangle Schirwaist Company, de New York, estalou um incêndio que envolveu 500 mulheres jovens, judias e italianas imigrantes, que trabalhavam precariamente, com o assoalho coberto de materiais e resíduos inflamáveis, o lixo amontoado por todas as partes, sem saídas em caso de incêndio, nem mangueiras para água…
Para ” impedir a interrupção do trabalho”, a empresa trancava à chave a porta de acesso à saída. Quando os bombeiros conseguiram chegar onde estavam as mulheres, 147 já tinham morrido, carbonizadas ou estateladas na calçada da rua, para onde se jogavam em desepero. Após essa tragédia, nomeou-se a Comissão Investigadora de Fábricas de New York, que tinha sido solicitada há 50 anos! E se iniciram, assim, as legislações de proteção à saúde e à vida das trabalhadoras. A líder sindical Rosa Scneiderman organizou 120.000 trabalhadoras no funeral das operárias para lamentar a perda e declarar solidariedade a todas as mulheres trabalhadoras”.

Assim, embora, seja necessário continuar a procurar o fio da meada, é certo que todo um ciclo de lutas, numa era de grandes transformações sociais, até as primeiras décadas do século XX, tornaram o dia internacional das mulheres o símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem a sua condição e a transformarem a sociedade.

Estamos nós assim, anualmente, como nossas antecessoras comemorando nossas iniciativas e conquistas, fazendo um balanço de nossas lutas, atualizando nossa agenda de lutas pela igualdade entre homens e mulheres e por um mundo onde todos e todas possam viver com dignidade e plenamente.

Referências Bibliográficas:

– Cote, Renée. (1984) La Journée internationale dês femmes ou les vrais dates des mystérieuses origines du 8 de mars jusqu’ici embrouillés, truquées, oubliées : la clef dês énigmes .La vérité historique. Montreal: Les éditions du remue ménage.

– Gassem, Gladis. (2000) Ato de solidariedade a mulher trabalhadora Ou, Afrodite surgindo dos mares. 8 de Março de 2000. Organização das trabalhadoras rurais. FETAG/RS.

SOF: www.sof.org.brsof@sof.org.br

Espaço para Lésbicas em São Paulo

Centro de Referência da Diversidade de São Paulo inicia grupo de apoio para lésbicas e mulheres bissexuais

lesbicasReuniões começam a partir do próximo sábado, dia 14 de fevereiro, das 15h às 17h.

Acolher as lésbicas e mulheres bissexuais, trocar experiências, discutir seus problemas específicos. Com esse enfoque, o Centro de Referência da Diversidade da Prefeitura de São Paulo inicia no próximo sábado, dia 14 de fevereiro, uma série de encontros em sua sede, na Rua Major Sertório, 292.

As reuniões ocorrerão sempre no segundo sábado de cada mês, das 15h às 17h. Segundo Irina Bacci, coordenadora do CRD, serão as próprias freqüentadoras que decidirão a dinâmica de cada encontro, que poderá ter exibição de filmes, oficinas ou rodas de conversa. Também será o grupo que decidirá os temas a serem debatidos. O grupo é exclusivo para participação das lésbicas e mulheres bissexuais.

“Propiciar um espaço como esse para as lésbicas e mulheres bissexuais é extremamente importante”, diz Irina. “Á medida que nos percebemos lésbicas ou bissexuais, muitas coisas despertam dentro de nós e poder trocar experiências com outras mulheres que passam ou passaram pelas mesmas situações ajuda muito a encontrar caminhos, soluções para situações que podem, momentaneamente, parecer desesperadora, como: contar aos pais, a família ou aos filhos, sair ou não do armário, contar para amigos ou colegas de trabalho, vivenciar a lesbianidade sem culpa ou grilos, enfim tantas situações que passamos”.

Esta é a primeira vez que o CRD se aproxima da população de lésbicas e mulheres bissexuais. “A partir desta ação, planejaremos quais outras serão importantes para elas”, afirma Irina..

SOBRE O CRD

Inaugurado em março de 2008, o Centro de Referência da Diversidade é administrado pelo Grupo Pela Vidda/SP, em parceria com a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo, e é mantido com recursos da União Européia. O objetivo do CRD é desenvolver ações que possibilitem a garantia da inclusão social e geração de renda. É um espaço destinado a atender homens e mulheres, profissionais do sexo; gays e lésbicas; travestis; transexuais e portadores de HIV/Aids em situação de vulnerabilidade e risco social.

INFORMAÇÕES

Centro de Referência da Diversidade
Endereço: Rua Major Sertório, 292, Vila Buarque, São Paulo – SP
Telefone: (11) 3151.5786

Ódio, visibilidade e amor

humanPor Aline Freitas

Me incomoda quem possui respostas prontas, definições claras, definitivas. Me incomodam as fronteiras, quaisquer que sejam, as assustadoras alfândegas, quanto as identitárias, as dos corpos, as de quem se esforça a demarcar o lugar alheio com vias de garantir seu lugar, o lugar da normalidade. Essa normalidade fétida, essa normalidade fantasiosa, essa normalidade sanguinária.

Muito prazer, meu nome é Aline, e isto agora é tudo o que eu tenho a dizer a meu respeito. Se queres saber então quem sou não me tragas estes conceitos prontos trazidos dos livros rotos, que diz coisas em nome de uma tal ciência… Ou quem sabe na sua compaixão terá pena de mim. Como pode ser assim? Quanta discriminação! Oh! Sofre tanto! Oh! Esta sociedade injusta! Não te aceita, não é mesmo? Mas nem me conheces!! Eu só disse meu nome… Injusta é esta tua cegueira. Nela está toda a nojeira social!

Sim, eu declaro meu ódio. A vida me ensinou a dispará-lo a ter que declarar falsos amores. Disparo meu ódio para não alimentá-lo. E disparo a quem é incapaz de enxergar nossa semelhança. A quem diz aliar-se mas faz sectarizar-se. A quem só me quer como quer ou como pensa que eu sou. Para você, eu sou horrorosa, odiosa, terrível. Porque não finjo, declaro. Te odeio. Mas você é tão meiga! Oh! E inteligente! Isso é raro em uma pessoa como você! Mas nem com a lupa mais pesada e espessa tu serias capaz de me enxergar, não é mesmo? Vês apenas rótulos, letras.

Descarrego todo o ódio para que assim possa amar.

Amar profundamente. Apaixonada e desesperadamente. Amo a quem nada diz e apenas sorri, compartilhando seu segredo silencioso. Amo muito a quem muito diz e para cada palavra uma nova descoberta, um novo universo a me infestar. Amo a quem para mim reclama,
resmunga, e me faz abrir os olhos. Amo a quem me faz enxergar melhor com outros sentidos que não somente a visão. Amo quem tem defeitos. Amo quem é anormal. Amo quem foge das regras, quem ousa. Amo quem erra. E continua a errar tentando acertar.

Amo quem não cria barreiras, amo quem odeia rótulos, como eu. Amo quem pensa diferente de mim, a quem discorda de coisas que eu escrevo e não tem medo de discordar. Amo quem não espera que eu seja mais além do que sou. Tanto quanto amo quem acredita que sou mais além do que sou, sem deixar de entender que sou o quanto quero e posso. Amo quem não me impõe limites para aquilo que desconheces, quanto amo quem sabe que há limites para aquilo que me conheces.

Amo quem sabe que para me conhecer é preciso tempo e
convivência, que não há palavras, categorias ou rótulos que me definam, mesmo que eu mesma ás vezes acabe usando algum.

Amo a quem me vê como humana. Quanto amo o que há de humano em quem eu amo.

Published in: on 01/02/2009 at 02:44  Comments (1)  
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Seminário discute cidadania de travestis e transexuais

programacao_seminario1

Clique para ir ao site do Grupo ELOS LGBT e ver a programação completa.

Published in: on 28/01/2009 at 12:32  Deixe um comentário  
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T.o.r.r.e. .d.e. .B.a.b.e.l. – Lembra?

Published in: on 18/12/2008 at 00:58  Deixe um comentário  
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Morre Miriam Makeba, a Mama África

do Blog do Noblat

A cantora sul-africana Miriam Makeba morreu nesta segunda-feira aos 76 anos na localidade de Castel Volturno no sul da Itália devido a uma parada cardíaca que ocorreu após um concerto contra o racismo e máfia em que participava a conhecida como a voz da África.

Makeba, que cantou durante mais de meia hora no concerto organizado pelo escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado de morte pela Camorra, se sentiu mal ao fim do espetáculo e teve que ser levada para a clínica Pineta Grande, onde sofreu nesta madrugada uma crise cardíaca. Leia mais em Morre a cantora sul-africana Miriam Makeba

No vídeo abaixo, ela interpreta “Amampondo”. Um dos seus acompanhantes é o ainda jovem Sivuca, sem aquela barba grande. E no vídeo seguinte canta “Soweto Blues”.

Invenções de si em histórias de amor

Livro de Nádia Nogueira, Editora Apicuri

Livro de Nádia Nogueira, Editora Apicuri

Lota Macedo Soares morava em Nova York em 1942 com sua companheira Mary Morse. Fazia cursos no Museu de Arte Contemporânea e dali extraía idéias para serem aplicadas no Brasil. Nesse período conheceu Elizabeth Bishop, uma poetisa muito tímida, que sonhava conhecer o sul da América.Em 1951 Bishop veio ao Rio, Lota levou-a para conhecer a casa que estava sendo construída em Samambaia, Petrópolis. O encantamento inicial pela natureza se intensificou com a declaração do amor de Lota e os cuidados dos brasileiros com sua saúde, após uma crise alérgica provocada pela mordida em um indigesto caju. De 1951 e 1967, essas mulheres construíram uma relação de amor marcada por uma constante “reinvenção de si”, através do cuidado consigo mesmas e com a outra. Lota supervisionou as obras do Parque do Flamengo, o Aterro; Elizabeth escreveu muito nestes anos, talvez sua melhor produção de contos e poesias.

Este trabalho busca também resgatar o silêncio histórico a que estiveram submetidas as relações homoeróticas femininas, bem como desconstruir o discurso médico legal, que diagnosticou as mulheres envolvidas em tais relações como nocivas ao convívio social.

Lota e Bishop não foram as únicas a criarem tais laços afetivos e sexuais. Outras mulheres construíram espaços alternativos de encontros na Cidade Maravilhosa como o Alcazar, espaço de encontros entre mulheres que amam mulheres bastante reservado e ainda hoje existente na Avenida Atlântica, o Alfredão, já mais explícito, hoje inexistente e o Bar da Fernanda, na Tijuca, onde se encontravam as conhecidas. Ainda há muito a ser explorado no Rio de Janeiro dos anos 1950 e 1960, e essa é apenas uma pequena parte dessa história.