Sobre o 1.o. Seminário Nacional de Empoderamento das Mulheres Negras

negrasA ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, fala na abertura do 1º Seminário Nacional de Empoderamento das Mulheres Negras. Foto: Wilson Dias/ABr

A ausência da mulher negra nas estruturas de poder da sociedade brasileira foi uma das críticas feitas na quinta-feira (13/8) pela diretora do Instituto da Mulher Negra de São Paulo – Géledes, Sueli Carneiro, durante a abertura do 1º Seminário Nacional de Empoderamento das Mulheres Negras, realizado em Brasília.
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De acordo com Sueli Carneiro, a situação das mulheres negras nas políticas públicas desafia a democratização racial no país. “As mulheres negras estão ausentes de todas as estruturas de poder da sociedade. Elas são absolutamente minoritárias em espaço de decisões. É uma condição de subordinação e de subalternação social que precisa ter as causas e as razões discutidas”, disse.

Entre os espaços sociais em que as negras são expostas ao preconceito, Sueli afirmou que o mercado de trabalho é o que gera a maior exclusão em decorrência dos padrões estéticos exigidos.

“A discriminação no mercado de trabalho gera a exclusão de oportunidades para as mulheres negras. Existe uma ideologia poderosa operando no mercado de trabalho, que procura pelo fator estético hegemônico e que autoritariamente exclui as pessoas que não estão dentro do padrão seguido pelos grupos dominantes do país”, afirmou.

O seminário vai reunir, até sábado (15/8), as mulheres negras vinculadas a partidos políticos e militantes das várias articulações nacionais do movimento social para a discussão de diversos temas, tais como: comunicação e políticas de promoção de igualdade racial, organização partidária e mecanismos de empoderamento.

Os ministros das secretarias especiais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, e de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire também estiveram na cerimônia de abertura do seminário.

(Agência Brasil)

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Matilde Ribeiro fará diálogo com mulheres negras em Brasília nesta terça, 28/07 às 19h30

mrIBEIRO

A Griô Produções nesse mês de julho, como parte da programação do Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, inaugura o projeto “Diálogo com Mulheres Negras”. A primeira edição tem a participação de Matilde Ribeiro: feminista, militante do movimento negro e ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Seppir.
 
O evento acontecerá no dia 28 de julho às 19h30min no Espaço Cultural Mapati, que fica na 707 norte e tem a expectativa de reunir mulheres, diálogos, trocas de experiências, reconhecimento e auto-estima.
 
Serviço:
 
O quê? Diálogos com Mulheres Negras com a participação de Matilde Ribeiro
Onde? Espaço Cultural Mapati, 707 norte, Bloco K nº 05 (61-3347 3920)
Quando? 28 de julho às 19h30min

www.grio.art.br

Published in: on 27/07/2009 at 21:00  Deixe um comentário  
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Fora da história: negras não tem espaço na literatura contemporânea

Da UnB Agência.

De 1.245 personagens catalogadas, apenas 34 são mulheres negras. Em 70% das vezes, ocupavam papéis como domésticas e prostitutas

Camilla Shinoda
Da Secretaria de Comunicação da UnB

Pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, coordenado pela professora Regina Dalcastagnè, do Departamento de Teoria Literária e Literaturas, revelou um capítulo sombrio da literatura brasileira contemporânea produzida no período entre 1990 e 2004: a quase ausência da representação de mulheres
negras nos romances publicados pelas três maiores editoras do país, Companhia das Letras, Rocco e Record. De um total de 1.245 personagens catalogadas em 258 obras, apenas 2,7% são mulheres negras.

Nas poucas vezes em que apareceram nas páginas dos romances, em aproximadamente 70% dos casos, as negras ocupavam posições como empregadas domésticas e profissionais do sexo. Outros papéis recorrentes são a de escrava, dona de casa e bandida.

“Lamentavelmente, esses dados não surpreendem. Vivemos em um país de forte tradição escravocrata, em que a imagem da mulher negra ainda é marginalizada”, diz a professora do departamento de Sociologia da UnB e subsecretária de planejamento da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Lourdes Bandeira.

SILÊNCIO – “Elas não só são representadas em papéis subalternos, como ocupam posições subalternas no enredo”, afirma Regina. A pesquisa detectou que em apenas três vezes a mulher negra foi protagonista da história e somente em uma foi narradora.

Para Marina Farias Rebelo, mestranda do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, a presença de apenas uma mulher negra como narradora traduz grande significado. “A mulher negra não fala, ela é falada”, ressalta. Em seu estudo, ela compara a literatura com o rap como lugar de expressão para esse grupo. “No rap, a mulher negra
reivindica a voz para si, elas cantam a sua mensagem, coisa que não acontece na literatura”, explica.

Lourdes Bandeira acredita que o fato de existir só uma narradora negra em quase 15 anos de publicações demonstra que essa figura é silenciada. “Os escritores brasileiros estão tirando delas o direito do uso da palavra. Com isso, a mulher fica mantida no anonimato”, destaca.

A professora Regina reforça a importância de ser dona do seu próprio discurso. “Quando ums personagem fala, ela adquire poder, faz com que o leitor siga pela perspectiva da mulher negra”, afirma.

ELITE CULTURAL – O estudo produzido na UnB também revelou que mais de 70% dos autores catalogados eram homens, brancos, de classe média, com nível superior e heterossexuais. “É uma ilusão que a literatura seja um objeto artístico muito crítico. Ela é produzida por uma elite branca, que reflete suas representações, assim como o cinema, o teatro”, afirma Regina.

“É um segmento social predominantemente masculino que não está atento as mudanças sociais e ainda mantém valores de certo menosprezo à mulher negra”, completa subsecretária de planejamento da Secretaria Especial de Política para as Mulheres.

A mestranda Marina Farias adverte que a intenção da pesquisa não é censurar os escritores, mas sim fazer com que eles reflitam sobre perspectivas sociais diferentes. “Não queremos policiar ninguém. Defendemos o direito de cada um escrever o que quer, mas queremos que isso seja feito de forma responsável.”

De acordo com a professora Dione Moura, da Faculdade de Comunicação, existe uma produção emergente que traz um desejo de transformação dessa realidade. Dar voz a isso, diz ela, ajudaria a mudar os números apresentados pela pesquisa. “É preciso fortalecer as produções alternativas que têm voz de igualdade. Editais públicos e programas governamentais seriam um bom meio de se fazer isso”, aponta.

O OUTONO DA VIDA

As mulheres mais velhas também estão pouco presentes nas páginas da literatura brasileira contemporânea. Segundo a pesquisa do grupo da professora Regina Dalcastagnè, do universo de 1.245 personagens catalogadas, apenas 40 eram mulheres em idade mais avançada. O dado chamou atenção da pesquisadora Susana Moreira de Lima, também integrante do grupo de estudo, que escreveu a tese de doutorado “O outono da vida: trajetórias do envelhecimento feminino em narrativas brasileiras contemporâneas”.

Em seu estudo, Susana adotou uma amostra composta por 12 contos, uma novela e dois romances, escritos entre 1960 e 2003, em que mulheres velhas eram as protagonistas. “A idosa não tem voz na nossa literatura. Em três dos textos elas foram narradoras, mas apenas em um era uma narradora forte”, esclarece a pesquisadora. Todas as obras nessa situação foram escritas por mulheres.

Os estereótipos da velhice, como a debilidade física e o corpo deteriorado foram explorados. Mas nos textos de escritoras, o assunto era melhor problematizado, por meio de críticas que subverteram esse olhar inquisidor da sociedade à mulher com mais idade. Outro tema que foi associado à idade avançada em todos os momentos foi a solidão.

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada.
Agência.

http://www.secom.unb.br/unbagencia/unbagencia.php?id=1310

Novembro é o mês da Consciência Negra

Novembro começou, e a Sapataria está engajada nas atividades do Mês da Consciência Negra. Vejam, a partir de hoje, uma série de textos, fotos e vídeos que fazem uma reflexão acerca da negritude, racismo, discriminação, machismo e outras formas de opressão. Abaixo você encontra um texto do Jornal Ìrohìn sobre a construção da identidade e dos mitos de raiz africana através dos contos.

Construção da identidade étnica através de contos e mitos de matriz africana.

No decorrer da humanidade, as obras da literatura universal veiculadas e narradas por Andersen, Charles Perrault, Irmãos Grimm, La Fontaine, entre outros, apenas nos trouxe referências identitárias a partir de um segmento étnico, os europeus. Diante desse fato não estou querendo preconizar a desvalorização ou desmerecimento dessas obras ou da cultura desses povos. O que se pretende ao utilizar os contos e mito de matriz africana é promover uma reparação no que diz respeito aos marcos civilizatórios africanos e seus bens materiais e imateriais que foram e são tão importantes quanto a dos demais povos que contribuíram para a formação da nação brasileira.

É fato inconteste que a população negra é maioria no Brasil. “De acordo com a pesquisa, feita com base nos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil terá a maioria de sua população negra, ou seja, mais da metade dos brasileiros, em 2010. A pesquisa considera negros os brasileiros que se declaram pretos (termo utilizado pelo IBGE) e pardos”. (LORENA RODRIGUES). (Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u401394.shtml&gt;).

Apesar deste fato, a maioria das obras literárias sobre literatura infantil e infanto – juvenil veiculada nos sistemas de ensino contemplam apenas valores eurocêntricos (valores referenciados a partir da cultura ocidental). Sendo assim, a criança afro-brasileira não tem acesso a uma literatura que exponha os valores e a história dos seus ancestrais. Por isso concordo com Francisca Sousa quando em seu artigo “Linguagens Escolares e Reprodução do Preconceito”, faz o seguinte relato: “observamos, ainda, que quando os textos, livros ou histórias se referem à pobreza, violência e outras mazelas sociais, geralmente, os negros aparecem nos personagens, nas ilustrações e no conteúdo do texto, não raro como protagonistas. Isto vale também para os programas de TV, jornais e revistas. Já nos livros de contos de fada, com príncipes, princesas e heróis, a presença negra é praticamente inexistente, predominando aí os personagens brancos, não raros loiros”.(SOUSA, 2005, p.110). Essas referências acabam não contribuindo para a auto-estima das crianças negras. Contudo, para que de fato a reparação com relação às mazelas que a escravidão ocasionou aos povos africanos e seus descendentes possam também ser intensificada no âmbito da literatura, recomenda-se a utilização de um estilo literário que promova com muita eficiência as relações entre o eu e o outro.

De acordo com a pesquisadora Marly Amarilha (2004 p.19).

Essa estrutura, portanto, atinge o receptor do ponto de vista emotivo e cognitivo. Nesse processo, o receptor da história envolve-se em eventos diferentes daqueles que está vivendo na vida real e, através desse envolvimento intelectual, emocional e imaginativo, experimenta fatos, sentimentos, realizações de prazer, frustrações podendo assim, lembrar, antecipar e conhecer algumas das inúmeras possibilidades do destino humano. Pelo processo de viver temporariamente os conflitos, angústias e alegrias dos personagens da história, o receptor multiplica as suas próprias alternativas de experiências do mundo, sem que com isso corra algum risco.

Dessa forma a utilização de contos e mitos africanos é de grande importância tendo em vista que os leitores poderão identificar-se com as narrativas que trarão aspectos que condizem com a sua realidade e com personagens que vivem problemáticas semelhantes as suas, podendo assim reelaborar e refletir sobre o seu papel social a partir de uma identidade étnico-racial. A utilização desse modelo textual também irá romper com os estereótipos da literatura dominante que impunham um discurso discriminatório onde as crianças negras eram maciçamente obrigadas a se reconhecerem como: “feia, preta, fedorenta, cabelo duro”, iniciando o processo de desvalorização de seus fenótipos individuais, que interferem na construção da sua identidade de criança.

Nesse sentido a educadora e pesquisadora baiana Ana Célia da Silva, (2004, p.57) afirma que:

Ao veicular estereótipos que expandem uma representação negativa do negro e uma representação positiva do branco, o livro didático está expandindo a ideologia do branqueamento, que se alimenta das ideologias, das teorias e estereótipos de inferioridade/superioridade raciais, que se conjugam com a não legitimação do Estado, dos processos civilizatórios indígena e africano, entre outros, constituintes da identidade cultural da nação.

Atentando à observação apresentada acima, diríamos também que a utilização de contos e mitos de matriz africana é um material didático que possibilitará aos educandos negros uma interação com conteúdos que vão despertá-los para uma revisão com relação aos conceitos e preconceitos a cerca do continente africano, compreendendo a importância do mesmo para a humanidade. Esse aprendizado, certamente elevará a sua auto-estima, pois a partir dos conteúdos históricos dos contos os aprendizes vão saber que são oriundos de uma civilização que contribuiu muito para os estudos relacionados à medicina, astronomia, arquitetura, matemática, literatura, entre outros.

Os contos por serem uma obra literária de caráter simbólico e significativo possibilitam uma comunicação dinâmica com as simbologias imaginárias, atuando como desbravadores da conquista de uma auto-estima pautada pela visibilização positiva com relação à cultura dos povos de matriz africana, tendo em vista que, na maioria das vezes, as obras infanto – juvenis literárias veiculadas eram carregadas de textos discriminatórios onde os personagens negros exerciam papéis de subserviência, escravizados, ocupando cargos e funções de menos prestígio no contexto social. As imagens ilustrativas caricaturadas, associando a figura dos povos africanos a animais reforçavam os estereótipos de que em África existe apenas uma referência civilizatória habitada apenas por animais selvagens. E o que fazer acerca dos prejuízos causados historicamente pela negação das heranças culturais afro-brasileiras?

Diante dessas reflexões segue umas das obras literárias analisadas A mesma poderá ser encontarda no livro Ilê Ifé O Sonho do Iaô Afonjá (Mitos Afro-brasileiros) de Carlos Petrovich e Vanda Machado, publicado pela EDUFBA, no ano de 2000.

CONTO – I

OXUM NA ORGANIZAÇÃO DO MUNDO
Era uma vez, no princípio do mundo, Olodumaré mandou todos os orixás para organizarem a terra. Os homens faziam reuniões e mais reuniões. Somente os homens, as mulheres não foram convidadas. Aliás, as mulheres foram proibidas de participar da organização do mundo. Deste modo nos dias e horas marcadas, os homens deixavam em casa as suas mulheres e saiam para tomar as providências indicadas por Olodumaré.
As mulheres não gostaram de ficar de lado. Contrariadas foram conversar com Oxum. Oxum era conhecida como a “Iyalodê”. “Iyalodê” é um título que se dava à pessoa mais importante entre as mulheres do lugar.
Na verdade parece que os homens tinham esquecido do poder de Oxum para a água doce. E sem a água doce, com certeza, a vida na terra seria impossível.
Oxum estava aborrecida com a desconsideração dos homens. Afinal ela não poderia de forma alguma ficar longe das deliberações para o crescimento das coisas da terra. Ela sabia de tudo que estava acontecendo. Era preciso compreender que todos são importantes para construção do mundo.
Procurada por suas companheiras, conversaram durante muito tempo e por fim a “Iyalodê” comunicou: _De hoje em diante, vamos mostrar os nossos protestos para os homens. Vamos chamar atenção porque somos todos responsáveis pela construção do mundo. Enquanto não formos consideradas, vamos parar o mundo!
– Parar o mundo? O que significa isto? Perguntaram as mulheres curiosas.
– De hoje em diante, falou Oxum, até que os homens venham conversar conosco, estamos todas impedidas de parir. Também as árvores não vão mais dar frutos e as plantas não vão mais florescer, nem crescer. Isto foi dito e isto aconteceu.
Aquela foi uma reunião muito forte. A decisão foi acatada por todas as mulheres. E os resultados foram imediatos. Os planos que os homens faziam começaram a se perder sem nenhum efeito.
Desesperados, os homens se dirigiam a Olodumaré e explicaram como as coisas iam mal sobre a terra. As decisões tomadas nas assembléias não davam certo de forma nenhuma.
Olodumaré ficou surpreso com as más notícias.
Depois de meditar por alguns instantes perguntou:
– Vocês estão fazendo tudo como eu mandei?
Oxum está participando destas reuniões? Os homens responderam: _Veja senhor, estamos fazendo tudo “direitinho” como o senhor mandou. Agora, este negócio de mulher participando das nossas reuniões… isto aí, a gente não fez assim não. Coisa de homem tem que ser separado de coisa de mulher.
Olodumaré falou forte:
– Não é possível. Oxum é a orixá da fecundidade. É quem faz desenvolver tudo que é criado. Sem Oxum o que é criado não tem como progredir. Por exemplo, vocês já viram alguma coisa plantada crescer sem água doce?
Os homens voltaram correndo para a terra e cuidaram logo de corrigir aquela grande falha. Quando chegaram à casa de Oxum, ela já esperava na porta, fazendo jeito de quem não sabia o que estava acontecendo. Aí os homens foram chegando e dizendo:
– Agô Nilê! (com licença).
– Omo Nilé ni ka agô (filho da casa não pede licença).
Desse jeito ela os convidou a entrar em sua casa. Conversaram muito para convencer a Oxum. Eles pediram que ela participasse imediatamente dos seus trabalhos de organização da terra. Depois que ela se fez bem de rogada, aceitou o convite.
Não tardou e tudo mudou como por encanto.
Oxum derramou-se em água pelo mundo. A terra molhada reviveu. As mulheres voltaram a parir. Tudo floresceu e os planos dos homens conseguiram felizes resultados. Daí por diante, cada vez que terminavam uma assembléia, homens e mulheres cantavam e dançavam com muita alegria, comemorando o reencontro e suas possíveis realizações:
” Araketo ê Faraimará”

O conto Oxum na organização do mundo mostra outra perspectiva com relação ao lugar que a mulher ocupa na sociedade, ele desmonta a ideologia da mulher submissa às deliberações masculinas e traz à tona uma reflexão que nos remete à ancestralidade tendo em vista que as mulheres negras sempre foram guerreiras a exemplo de Rainha Nzinga de Angola, embaixatriz em Luanda, durante o reinado do seu irmão e travou luta sem quartel durante trinta anos contra os portugueses, pela independência/sobrevivência do seu povo. ; Dandara uma das guerreiras do quilombo de Palmares, primeira república democrática do Brasil,mantendo a resistência de um quilombo que sobreviveu por mais de 100 anos; Luiza Mahin mãe do poeta abolicionista Luiz Gama e possivelmente uma das articuladoras da Revolta dos Malês, movimento de 1835 que é assim conhecido,por serem chamados de Malê os negros muçulmanos que a organizaram. A expressão malê vem de imalê, que na língua iorubá significa muçulmano. Portanto os malês eram especificamente os africanos que professavam o islamismo, a religião de Maomé. (Cf ILÊ AIYÊ, 2002, p.12.).

Ao olhar o entorno das comunidades onde as crianças negras residem e estudam, geralmente são comunidades populares, localizadas em bairros periféricos. É possível observar que na maioria das vezes as mulheres são as chefas de família. São elas que sempre vão às reuniões da escola, acompanham os filhos nas festinhas da escola e dos amigos e ao mesmo tempo criam estratégias de sobrevivência, quando não compõem o mercado de trabalho formal, atuando como quituteiras, lavadeiras, comerciantes, empresárias, assim como, Dinha do Acarajé (in Memória), Alaíde do Feijão entre outras. Contudo, dentre as estratégias de luta pela sobrevivência de combate ao sistema escravista e as desigualdades, a literatura também vem sendo um veículo propagador da resistência como explica a pesquisadora Florentina Souza em seu ensaio publicado na revista Palmares:

Os afro-brasileiros já vinham de há muito instalando um desconforto na produção textual brasileira através da produção de textos jornalísticos e literários que debruçavam-se sobre suas histórias e a cultura, dialogando com uma tradição político-reivindicatória(…)Assim os escritores e escritoras de origem afro-brasileira vão falando de si, de suas famílias, da história de seu grupo e rasuram a pretensa universalidade/ocidentalidade da arte literária.(2005, p.72)

Essa arte literária citada pela pesquisadora acima sempre esteve presente nas cantigas de rodas, nos cânticos dos orixás, na musicalidade, nas festas populares, nos versos, prosas e prosas de escritores/as como Luiz Gama, Cruz e Souza, Carolina de Jesus, Solano Trindade e atualmente na firmeza e dignidade dos poetas dos Cadernos Negros do grupo Quilombhoje.

 Maria Luísa Passos é educadora do Ceafro e graduada em Pedagogia (BA).

O Brasil ganha um Hino à Negritude

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados aprovou a oficialização do Hino à Negritude, que foi apresentado pela primeira vez no Congresso há 42 anos. Antes de ser promulgada, a lei que institui o hino será submetida à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, onde não deverá enfrentar resistência.

Conheça a obra do poeta e professor Eduardo de Oliveira:

Hino à Negritude (Cântico à Africanidade Brasileira)

I
Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)

II
Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lhe destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a solenidades
Para o bem de nosso país
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)

III
Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe-África
Arunda dos deuses da paz
No Brasil, este Axé
Que nos mantém de pé
Vem da força dos Orixás
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)

IV
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heróico labor
todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São Galardões aos negros de altivez.

MÊS DA VISIBILIDADE LÉSBICA DEBATE FEMINISMOS E POLÍTICAS

A Sapataria – Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais do DF convida para a mesa redonda “Feminismos e Políticas: outro mundo é possível”, a se realizar no contexto do Mês da Visibilidade Lésbica, no dia 18 de agosto das 19h às 21h30, no auditório da CUT-DF (SDS Ed. Venâncio V – 1º e 2º subsolos – lojas 4, 14 e 20 – entrada por trás do CONIC).

Para este debate, contaremos com as contribuições de:

Ondas feministas – Beth Saar, Secretaria Especial de Políticas para Mulheres
Mulheres negras mudando o mundo – Jacira Silva, Fórum de Mulheres Negras do DF
Mulheres que fazem cultura – Ellen Oléria, cantora e compositora
Segurança pública e mulheres – Ludmila Gaudad, integrante da Sapataria
Economia feminista, alternativa ao desenvolvimento – Guacira César de Oliveira, CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria
Mulher, Parlamento e Política – Míriam Correa, Assessora de Gênero e Direitos Sexuais da Liderança do PT na Câmara
Ecofeminismo – Iara Pietricovski, INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos

Contamos com a presença de todas e todos!

A história do planeta foi construída e tem sido contada a partir da perspectiva masculina. Os espaços políticos, as esferas econômicas, a produção cultural e o uso dos recursos naturais, da maneira que conhecemos hoje, têm sido tão destrutivos que já vemos em risco a manutenção da vida como a conhecemos no planeta.

Nesse processo de construção, apesar das inúmeras formas e iniciativas de resistência, as mulheres foram subjugadas e submetidas à opressão e todo tipo de violência por parte da “classe dominante” masculina. Classe esta que, em grande parte do planeta, é também branca, machista, heteronormativa, racista e classista – oprimindo as mulheres, especialmente as negras.

As práticas femininas e dos povos tradicionais, por sua vez, têm apresentado alternativas interessantes e perfeitamente viáveis ao modelo de desenvolvimento vigente, e são estas alternativas que pretendemos discutir na mesa redonda “Feminismos e Política: outro mundo é possível”.

No intuito de aprendermos todas um pouco mais sobre essas práticas alternativas é que se realiza a mesa redonda “Feminismos e Políticas: outro mundo é possível”.

De 18 a 25 de agosto, teremos:

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19 DE AGOSTO – terça-feira
Auditório da Administração de Planaltina – Tel:3389 2243
III Mostra Lésbica de Cinema e Vídeo. ENTRADA FRANCA. Aberto ao público.
Horário: 19h30
Realização: Coturno de Vênus

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23 DE AGOSTO – sábado
Bar e Restaurante Armazém – CSD 03, Lote 02, Loja 01 – Praça da Vila
Matias – Taguatinga Sul-DF

Campeonato de futebol feminino e truco para mulheres – inscrições de
12h às 14h no local

Inscrição por time de futebol (7 pessoas): R$ 10.
Inscrição por dupla de truco: R$ 5.

Debate sobre a imagem da mulher na mídia – 17h às 19h

Entrada no Armazém: R$ 3 (mulheres)* e R$ 6 (homens)
>> * As integrantes dos times não precisam pagar entrada no Armazém
no dia do Campeonato!
Realização: Sapataria e Armazém

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24 DE AGOSTO – domingo
Bar Tacada – EPTG, em frente ao Posto da Polícia/Detran

Campeonato Feminino Babinsk de Sinuca
Horário: 17h
Inscrições até 20 de agosto com Babinsk (9134-1815) ou Elen Morais (8491-0126)
Valor da inscrição da dupla: R$ 35 – inclui 2 camisetas, crachás,
entradas para show da Nayara Araújo. Homologação dias 21 e 22 de
agosto (info no Bolg da Babinsk)
PREMIAÇÃO PARA 1º, 2º E 3º LUGAR!

Show da Nayara Araújo – Entrada R$ 5.
Horário 21h
A renda do show será revertida para a realização da IV Parada Lésbica
de Brasília.
Realização: Marcia Babinsk